O empresário Marcio Schaefer, fundador e presidente do estaleiro Schaefer Yachts, de Florianópolis, maior indústria do setor náutico da América Latina, se prepara para um novo e grande desafio. Fabricar o primeiro iate híbrido das Américas, com tração elétrica e à combustão. A parceria será com a Volvo, empresa da Suécia líder global em qualidade de motores para embarcações de lazer.

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Marcio Schaefer está otimista com a chegada da nova marina em Florianópolis, que já começou a ser construída e ficará pronta em cerca de três anos. Na opinião dele, ela vai abrir oportunidades para muito mais pessoas navegarem.

Veja mais imagens sobre o estaleiro Schaefer Yachts e o fundador Marcio Schaefer:

Questionado se barcos e iates (embarcações maiores) são produtos só para ricos, o industrial, que é arquiteto naval e projeta os produtos da empresa, diz que não concorda com isso. Para ele, todas as pessoas deveriam navegar, em diversos portes de barcos. Garante que navegar traz felicidade.

Com 4.500 embarcações fabricadas, o estaleiro Schaefer Yachts é líder no segmento na América Latina. Suas indústrias empregam 750 pessoas na Grande Florianópolis e a arrecadação anual de tributos é da ordem de R$ 120 milhões. Saiba mais sobre o mundo do lazer náutico na entrevista a seguir:

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A Schaefer Yachts tem mais de 30 anos. Quantas embarcações já fabricou?
– Nós completamos 33 anos em novembro. Devemos ter fabricado cerca de 4.500 barcos, mais ou menos. A última vez que contamos eram 4.000, mas hoje devemos estar nessa faixa de 4.500 embarcações.

Por que escolheu ser fabricante de iates?
– Desde cedo, quando eu era guri, com 14 ou 15 anos, imaginava que iria desenhar e construir alguma coisa. Talvez carros, algo nesse sentido. Era o que eu gostava. Nessa mesma época, comecei a velejar. Quando entrei nesse universo, adorei. Fiquei impressionado e me apaixonei pelos barcos. Depois, quando fui para os barcos de oceano, pensei: “É isso que eu quero desenhar”. Resolvi então desenhar barcos, porque era algo que estava ao meu alcance. Eu queria velejar, queria estar no mar.

Naquela época, para ser profissional nessa área, basicamente existiam caminhos como fabricante de velas, fabricante de barcos ou algo relacionado ao setor náutico. Então pensei: “Preciso estudar, preciso construir uma profissão”. Entendi que, se começasse cedo e me dedicasse integralmente, poderia me tornar realmente bom nisso. Mas teria de estudar muito e me dedicar 100%. Foi assim que optei por essa carreira, e estamos aqui até hoje.

Qual foi a embarcação mais simples e a mais sofisticada que o senhor fabricou?
– A mais sofisticada ainda está por vir. Claro que as primeiras foram mais simples. O primeiro barco foi um enorme aprendizado. Depois, quando chegamos na 83 pés, foi um trabalho fantástico. Cada barco representou um grande salto de qualidade, de know-how, de pesquisa e de desenvolvimento. Na 62 pés demos um passo muito importante em termos gerais, trazendo uma nova tecnologia que utilizamos até hoje.

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Depois, na 83 pés, tivemos outro salto maravilhoso. Ali coloquei a régua muito alta. Ainda havia muita coisa que eu precisava aprender e desenvolver. Agora estamos lançando um novo modelo, que será ainda mais sofisticado. Já estamos trabalhando para que o casco 2 ou 3 seja híbrido. Seria o primeiro barco híbrido das Américas.

Híbrido no sentido de elétrico e a diesel?
– Exatamente. Elétrico e combustível diesel. Já estamos trabalhando nisso. Daqui a dois meses vou para a Suécia para aprofundar esse trabalho com a Volvo, focado em barcos híbridos de grande porte, na faixa de 26 metros, que é um grande iate.

Vocês já estimaram preço de mercado para essa embarcação híbrida?
– Ainda não vou falar em preço porque nem temos isso definido. Estamos conversando principalmente sobre tecnologia. Eu deveria ter ido para a Suécia no ano passado, mas tive um acidente com a minha esposa e precisei cancelar todas as viagens. Agora devo passar alguns dias lá na Volvo para avançar nesse projeto. Possivelmente o segundo ou terceiro barco terá a opção híbrida. Está tudo mais ou menos planejado, mas ainda precisamos alinhar alguns detalhes técnicos e trocar know-how. Acredito que esse será o barco mais sofisticado que teremos.

Isso é algo inovador para as Américas?

Fui convidado para ser o primeiro estaleiro das Américas, tanto da América do Norte quanto da América do Sul, a desenvolver um barco híbrido com a Volvo. Na Europa, isso já foi feito com um estaleiro na Itália. Então eu seria o segundo estaleiro a trabalhar com essa tecnologia no mundo.

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A primeira versão desse barco sairá convencional, mas já virá com muitas novidades em que estou trabalhando. A partir do terceiro ou quarto casco, a versão híbrida passa a ser uma possibilidade concreta. Ainda estou estudando a viabilidade. Eles também precisam me convencer de alguns pontos, mas acredito que esse caminho seja praticamente inevitável.

Então, o futuro das embarcações de lazer será híbrido?
– Acredito que sim, pelo menos para determinados tamanhos de embarcação. Os motores totalmente elétricos ainda são muito incipientes. Hoje funcionam mais para barcos pequenos. O principal problema é a autonomia: quanto tempo o barco consegue navegar e até onde pode ir.

No mar, não pode haver falha. Se um carro para você desce, chama um uber ou pega uma carona. No mar não existe isso. Você pode estar próximo de pedras ou da costa e acabar sendo jogado contra elas. Além disso, não há postos de combustível ou estações de recarga elétrica disponíveis como em terra.

Hoje já existem barcos elétricos, mas são embarcações pequenas, de 22 a 25 pés no máximo, e com autonomia limitada. Isso ainda não funciona para o tipo de barco que produzimos. O modelo híbrido, por outro lado, já é muito viável para barcos maiores. O sistema combina motor diesel com propulsão elétrica, e isso já funciona muito bem em embarcações de grande porte.

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Por que o iate é um equipamento de lazer tão especial para as famílias?
– Primeiro porque ele proporciona experiências que poucas pessoas conseguem viver. É importante destacar que barcos são caros porque exigem muito trabalho manual. Embora utilizemos muita tecnologia na construção, ainda existe uma enorme quantidade de mão de obra envolvida.

Além disso, o mar é um ambiente extremamente hostil para os materiais, tanto química quanto fisicamente. O salitre corrói tudo. Por isso, os materiais precisam ser sempre de altíssima qualidade. O barco também é, na prática, uma casa que navega a 25 ou 30 nós, enfrentando ondas e condições severas. Precisamos gerar energia, produzir água, tratar esgoto. Há refrigeradores, ar-condicionado, geradores, sistemas tecnológicos. É praticamente uma minicidade flutuante. Tudo isso precisa funcionar em velocidade e em mares muitas vezes bravos.

E como a maresia corrói muito, os materiais precisam ser extremamente especiais. Mas o principal motivo pelo qual o iate é um produto de luxo é que ele proporciona experiências únicas. Leva as pessoas a lugares especiais, ilhas e destinos que poucos conseguem acessar.

Quando alguém entra em um barco, esquece o mundo lá fora. A pessoa trabalha o dia inteiro, enfrenta problemas e pressões, mas, ao embarcar, começa a pensar apenas no rumo da navegação, na onda do mar, na gaivota passando, no peixe saltando. É como entrar em outro universo. E isso não tem preço. Além disso, o barco une muito a família, porque todos permanecem juntos o tempo inteiro. É realmente algo fantástico.

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Qual é a sua mensagem para quem afirma que iate é um produto para rico e, por isso, deveria ser mais tributado?
– Não, de maneira nenhuma (é para rico). Existem barcos de todos os tipos. Vou dizer uma coisa: eu já tive barco grande e também tive barco pequeno, e muitas vezes saía mais com o pequeno, porque era muito mais simples. O barco grande exigia programação durante a semana, preparar comida, chamar amigos. E eu trabalho muito. Muitas vezes chegava no sábado sem nem saber o que faria no fim de semana, porque estava trabalhando até então. Eu tinha uma meia-doze e uma 26 pés. Muitas vezes saía sozinho com a 26 pés na lagoa e era extremamente feliz.

Então, isso é uma falácia. Não é preciso ter um barco grande. Acho, por exemplo, que essa nova marina que será inaugurada em Florianópolis vai popularizar muito a náutica. O importante é estar no mar. Não interessa o tamanho do barco.

O importante é pegar um barco e se divertir. Às vezes vejo pescadores em um caiaque simples, cheio de equipamentos de pesca, vivendo exatamente a vida que querem viver. Então, não é necessário ter um grande barco. O importante é ir para o mar. Vá para o mar com qualquer barco e você será muito feliz. É isso que posso dizer.

Como as pessoas podem comprar embarcações de forma mais acessível? Existem compras compartilhadas, cotas ou financiamento?
– O barco é diferente do avião. O avião normalmente é usado para negócios, para deslocamento entre cidades e estados. Já o barco é algo voltado ao lazer. A pessoa quer curtir o fim de semana com a família e os amigos. Por isso, a maioria prefere ter o próprio barco.

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Mas hoje os modelos compartilhados estão crescendo bastante, e acho isso muito válido. Muitas pessoas não têm tempo de usar o barco todos os fins de semana. Elas têm casa de praia, fazenda, outros compromissos. Então acabam usando o barco apenas uma vez por semana ou até menos. Nesse caso, o compartilhamento funciona muito bem. Além disso, normalmente já vem acompanhado de manutenção, operação e toda a gestão do barco, o que facilita muito para quem está começando.

A pessoa divide os custos, compra uma cota, paga um quarto ou um quinto do valor, por exemplo. Isso torna o consumo mais natural e acessível. Mas quem realmente se apaixona acaba querendo ter o próprio barco, com suas coisas pessoais, sua decoração, suas roupas dentro dele e a liberdade de sair quando quiser. Muitas dessas pessoas trabalham muito e não conseguem ficar presas a um calendário compartilhado. Então acabam comprando o próprio barco.

Já que estamos falando em compra, quanto custa uma embarcação? Qual é a mais barata e a mais cara?
– Na minha fábrica, os barcos começam em torno de R$ 2 milhões e podem chegar a R$ 30 milhões, R$ 35 milhões ou até R$ 40 milhões. Mas é importante dizer que existem barcos muito mais acessíveis. Com R$ 100 mil ou R$ 200 mil, a pessoa já consegue entrar no mundo náutico e começar a se divertir bastante. Eu tenho, por exemplo, uma 23 pés que hoje virou quase um modelo vintage. É um barco muito forte, muito bom e que navega muito bem.

Conheço muita gente que compra esse modelo, troca o motor, faz uma revisão e se diverte enormemente. Um dos melhores réveillons da minha vida foi em um barco desses, com a minha esposa, navegando aqui pela Beira-Mar, em Florianópolis. Depois encontramos amigos no trapiche, embarcaram mais alguns casais e foi maravilhoso. Então existem barcos excelentes que não precisam ser caros.

O importante é ir para a água. E aí a pessoa aprende qual é o tamanho ideal para ela. Porque não basta apenas comprar o barco. É preciso mantê-lo, e a manutenção é cara. Há custos com marina, equipamentos e conservação. Por isso, o barco não pode representar todo o patrimônio de alguém. Na minha visão, ele deveria representar no máximo entre 10% e 20% do patrimônio da pessoa.

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Os clientes com quem trabalho normalmente têm o barco como uma pequena parte do patrimônio. Eles já têm empresa, casa, casa de praia, carro. O barco é mais um bem ligado ao lazer e à qualidade de vida. E, em muitos casos, ele pode até ser melhor do que uma casa de praia, porque permite conhecer várias praias e lugares diferentes. O barco é algo realmente fantástico.

Como acontece, normalmente, a compra de um barco? O cliente paga durante a fabricação?
– Exatamente. O cliente faz o pedido, começamos a fabricar e ele vai pagando ao longo da construção. Quando o barco fica pronto, praticamente já está quitado. Existe financiamento no mercado financeiro, mas o problema é que o dinheiro no Brasil é muito caro. Os juros são altíssimos. Por isso fazemos poucos negócios financiados.

– O seu estaleiro, o Schaefer, fabricou um iate para a modelo Gisele Bündchen. Ela fez muitas exigências para essa embarcação?
– Ela é uma pessoa de muito bom gosto. Escolheu o barco de forma muito detalhada e fez alguns pedidos específicos, mas nada absurdo. Tudo dentro de um padrão muito elegante. E sei que ela está aproveitando bastante o barco com o marido e os filhos. Ela adquiriu uma V44 em Miami.

Ela também passeia com amigas. A filha do presidente Donald Trump, Ivanka Trump, participou, o que repercutiu bastante…

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– Sim! Teve uma repercussão no mundo inteiro. Saiu na Alemanha, no Brasil, em vários outros lugares. A primeira foto dela no barco foi justamente com a filha do Trump. Foi muito legal para a nossa marca, deu uma enorme visibilidade.

Como está a fila de espera para comprar um iate Schaefer?
– Depende do modelo. Os barcos menores têm uma fila mais curta. Já os maiores exigem mais tempo de espera, que pode ser de um ano, ano e meio ou até dois anos.  

Quais são os principais desafios da indústria náutica hoje?
– O principal desafio é que o governo não atrapalhe. Deixem-nos trabalhar. O Brasil tem um custo muito alto e uma burocracia enorme. O chamado “Custo Brasil” pesa demais. Hoje, com a tecnologia e a comunicação que temos, conseguimos acesso ao que existe de melhor no mundo. Trabalhamos com os principais fabricantes globais, que equipam nossos barcos. Como somos grandes clientes, eles também se tornam parceiros importantes em tecnologia, assistência técnica e suporte internacional.

Então, o maior desafio atualmente é realmente o custo do Brasil. Outro problema é a mão de obra. Há 30 anos, quando comecei, a qualidade da mão de obra era melhor do que a que chega hoje. Em vez de avançarmos, andamos para trás. Está muito difícil contratar profissionais para a produção.

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Vocês têm vagas de trabalho abertas no estaleiro atualmente?
– Temos cerca de 50 vagas abertas permanentemente e não conseguimos preencher. Algumas estão abertas há mais de um ano ou dois anos. São principalmente para a produção.

Quais são os principais mercados do Schaefer Yatchs e como estão as vendas?

Hoje, cerca de 30% das nossas vendas são para outros países e 70% ficam no mercado brasileiro. Dos 30% exportados, em torno de 70% vão para os Estados Unidos. Também estamos crescendo em mercados como os da Austrália, Europa – especialmente Espanha e França – Caribe, Paraguai e Equador.

No ano passado, nossas vendas cresceram, mas neste ano está mais difícil, mais apertado. Não sabemos se vamos crescer. As vendas de barcos menores estão sofrendo mais. Os clientes de maior patrimônio praticamente não sentem tanto os impactos econômicos, mas a classe média sente bastante.

Como foi o avanço nas exportações?
– As exportações receberam maior atenção depois de uma crise muito forte que enfrentamos em 2013. Foi uma situação muito difícil para a empresa. Na época dos primeiros movimentos do “Vem Pra Rua”, os pedidos praticamente desapareceram. Eu estava com a produção em alta, havia investido pesado em tecnologia e na fábrica, e fomos pegos de surpresa. Mercados importantes despencaram.

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No Rio de Janeiro, por exemplo, praticamente todos os cheques voltaram e muitos clientes cancelaram pedidos. Da Bahia também caiu muito, Paraná caiu bastante. Foi uma retração abrupta. Então pensei: “Vou precisar encontrar outros países para substituir esses mercados”. Se antes eu vendia para o Rio de Janeiro, agora precisaria vender para os Estados Unidos, Caribe e outros lugares. Foi assim que começamos a exportar. E isso exige trabalho. É preciso praticamente investir para entrar no mercado, ganhar reconhecimento, entender o consumidor e adaptar os produtos.

Começamos então a desenhar barcos não apenas para o Brasil, mas também para o exterior. Escolhemos países tropicais, onde o tipo de barco funciona bem tanto aqui quanto lá fora. Aos poucos, formos avançando em mercados como o Mediterrâneo, Miami e Austrália.

O Brasil poderia ter um mercado náutico maior, na sua opinião?
– Sem dúvida. O mercado tem crescido nas últimas décadas, mas o que falta é infraestrutura: marinas, estrutura de apoio e compreensão do poder público sobre a importância econômica da atividade náutica. Os fabricantes fazem sua parte, mas é importante que governos, cidades e estados entendam que a náutica é uma grande fonte de renda e turismo.

Países como Itália, França, Espanha e Estados Unidos têm na náutica uma atividade econômica fortíssima ligada ao turismo. Durante muito tempo, no Brasil, a náutica foi vista como algo pequeno e marginal. Mas não é. Trata-se de uma atividade econômica importante, geradora de renda, empregos e desenvolvimento.

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A construção de marinas pode melhorar esse cenário?
– Com certeza. Essa nova marina em Florianópolis vai transformar bastante a cidade e democratizar a náutica. Hoje, muitas pessoas não têm onde colocar o barco nem estrutura adequada para embarcar. Sem marinas protegidas, fica difícil para idosos, crianças ou pessoas com menos preparo físico entrarem em um barco com segurança.

Com marinas estruturadas, a náutica tende a se popularizar muito mais. As pessoas poderão ter barcos pequenos e aproveitar o mar com muito mais facilidade. Às vezes, eu mesmo pego um barco pequeno e saio navegar com a minha esposa. Nos divertimos muito. Não é necessário um barco enorme para viver isso!