nsc
nsc

Segurança digital

Vazamento de dados preocupa e pesquisa mostra que controle fica mais caro

Compartilhe

Estela
Por Estela Benetti
31/12/2021 - 14h41 - Atualizada em: 31/12/2021 - 16h40
Sistema ConecteSus, do Ministério da Saúde, ficou fora duas semanas por ter sido atacado por hackers
Sistema ConecteSus, do Ministério da Saúde, ficou fora duas semanas por ter sido atacado por hackers (Foto: Divulgação)

Entre os problemas que afetaram milhares de pessoas em 2021 está o vazamento de dados. O mais crítico, no Brasil, foi o ataque hacker ao ConecteSus, sistema do Ministério da Saúde que registra a vacinação contra Covid-19 e ficou fora por duas semanas. Mas teve, também, um ataque ao Tribunal Superior Eleitoral e nas empresas Renner, do setor de moda, e Atento, que presta serviço de call center para bancos.

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo Whatsapp

Especialistas alertam que para evitar o problema ou identificar é preciso tecnologia para prevenção e segurança cibernética. Como são serviços caros, entidades empresariais em Santa Catarina oferecem programas de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e também alternativa de seguro.

Relatório do Custo de uma Violação de Dados, apurado pelo Instituto Ponemon, dos Estados Unidos, e a IBM Security, concluiu que em 2021, em média, as empresas afetadas por ataques hackers no mundo demoraram 212 dias para identificar o problema e 75 dias para resolvê-los, totalizando 287 dias. Em 2020, o prazo foi menor, de 280 dias. O estudo apurou também aumento de quase 10% nos custos para as soluções.

No Brasil, a pesquisa mais recente sobre demora, feita pelo Instituto Ponemon, é de 2020 e o tempo de solução foi longo, de 380 dias. Esses problemas de grandes instituições no país foram resolvidos mais rápido na retomada dos serviços, mas ainda requerem muito trabalho nos bastidores.

O empresário Ewerton Luiz Alves, sócio da empresa Alix Tecnologia Corporativa, de Florianópolis, que atua nessa área em todo o país, explica que esses ataques passaram a ocorrer mais após o desenvolvimento dos vírus ransomware, que pede resgate com pagamento em bitcoin. O virus é inserido em sistemas das empresas por e-mail ou pen drive e, embora elas tenham backup, não é fácil acionar os dados novamente, observa ele. 

- Agora, os hackers também ameaçam colocar os dados na internet caso não recebam o resgate. Além da exposição da empresa perante o mercado, afeta a confiança dos consumidores – alerta Alves.

Na opinião do consultor Ramicés dos Santos Silva, de Florianópolis, especialista em segurança e proteção de dados, o aumento do número de ataques cibernéticos deve estar no topo das preocupações dos gestores do setor de tecnologia das empresas. Segundo ele, a aceleração do trabalho remoto durante a pandemia colocou as empresas em maior risco desses problemas.

A Lei Geral de Proteção de Dados, em vigor no Brasil desde agosto de 2020, prevê punições para empresas que deixarem vazar dados, afirma a advogada Camila Kelly de Souza Silva, que atua nessa área e é uma das autoras do livro Compliance e Proteção de Dados.

- Isso exige que sejam implementadas tecnologias e rotinas para a rápida identificação e a melhor gestão de riscos de vazamentos – aconselha ela.

Advogada Camila Silva recomenda tecnologias e rotinas para prevenir o problema
Advogada Camila Silva recomenda tecnologias e rotinas para prevenir o problema
(Foto: )

Mas esse é um desafio e um custo novo para as empresas, em especial as pequenas, afirma o presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas da Grande Florianópolis (Ampe Metropolitana), Piter Santana. Segundo ele, em média, um programa de adequação para a LGPD custa, no mercado R$ 50 mil, o que é inviável para micro e pequenas empresas que faturam até R$ 300 mil por ano, em média. Então, o seguro virou uma alternativa para pequenas empresas, caso elas tenham problemas de vazamento de dados.

A Ampe Metropolitana oferece uma opção de seguro de proteção digital aos seus associados. Também atenta ao alto custo, a Associação Empresarial da Região Metropolitana de Florianópolis (Aemflo) e CDL São José oferecem o programa de adequação de dados para empresas associadas. Além disso, muitas estão recorrendo também a seguro, informou a entidade.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

siga Estela Benetti

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

siga Estela Benetti

Mais colunistas

    Mais colunistas