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Vendas de imóveis seguem aquecidas com influência do crédito e da pandemia

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Por Estela Benetti
10/07/2021 - 10h50 - Atualizada em: 10/07/2021 - 11h27
Empreendimento da Alínea Urbanismo, em Tubarão
Empreendimento da Alínea Urbanismo, em Tubarão (Foto: Imagem arte, divulgação)

Apesar de o juro ter ficado um pouco mais caro nos últimos meses no Brasil – a taxa básica Selic subiu de 2% para 4,25% ao ano - as vendas de imóveis continuam aquecidas, impulsionadas principalmente pela alta oferta de crédito ainda considerado barato. Os financiamentos com base nos recursos da caderneta de poupança cresceram no primeiro quadrimestre 183% em Santa Catarina e 122% no Brasil frente ao mesmo período de 2020, apurou a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

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No Estado, foram financiados 15.301 imóveis de janeiro a abril deste ano frente a 5.404 no mesmo período do ano passado, mostram os dados da Abecip. Como o custo da construção cresceu, os preços do setor também estão sofrendo com a inflação. Segundo a pesquisa FipeZap, no primeiro semestre deste ano, em Florianópolis, o preço médio dos imóveis teve alta nominal acumulada de 6,5% e, em 12 meses, de 9,47%. Mas esses preços maiores ainda não inibem a decisão de comprar imóveis. Outros fatores que estão motivando compra de imóveis em SC são a pandemia, pela necessidade de mais espaços em casa, e a ainda baixa remuneração de aplicações financeiras.

Entre as construtoras e incorporadoras do Estado que aproveitam esse boom imobiliário está a AM Construções de São José, na Grande Florianópolis. Em 2020, as vendas de imóveis, especialmente apartamentos de dois e três dormitórios, cresceram 20% frente ao ano anterior e o plano da empresa é manter essa média este ano, informa o fundador e presidente da companhia, Antonio Hillesheim.

- Hoje, todos os principais bancos estão financiando imóveis. Não é apenas a Caixa. Isso me lembra quando comecei a construtora, em 1978, 1980. Eu fazia casas e podia indicar 10 bancos para o cliente financiar. Hoje, estamos repetindo isso porque o dinheiro ficou acessível. Os juros estão baixos. Desde que abri a empresa, há 42 anos, eu não lembro de ter registrado tanta procura por imóveis como no ano passado e neste ano – afirma o empresário.

A incorporadora Hacasa, do Grupo H. Carlos Schneider, de Joinville, é uma das empresas que decidiram aproveitar essa fase favorável do mercado imobiliário residencial para acelerar crescimento. Lançou dois empreendimentos com apartamentos no primeiro semestre e projeta pelo menos mais dois para o segundo semestre.

Entre as informações de mercado que motivam a Hacasa a crescer em ritmo maior este ano está também pesquisa da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) segundo a qual 35% dos moradores da Região Sul desejam comprar imóvel nos próximos dois anos e 18% desejam um imóvel maior. Para aproveitar mais as oportunidades de crescimento, a incorporadora contratou até consultoria de estratégia do Brivia Group.

Outra empresa do setor imobiliário que optou por acelerar crescimento é a Alínea Urbanismo, de São José. Como vende terrenos, aproveita para atender o interesse de famílias que buscam mais espaço próprio para morar, necessidade que cresceu com a pandemia. Na trajetória de 30 anos que acaba de completar, a Alínea já entregou 7 mil terrenos em 42 empreendimentos.

Nos próximos meses, vai lançar loteamentos em Jaraguá do Sul, Blumenau, Itajaí e Criciúma, cidades em que ainda não atua. A Alínea está, atualmente, em 18 municípios catarinenses, nos quais tem empreendimentos em andamento ou já finalizados. Além disso, a empresa iniciou atividades no estado do Mato Grosso do Sul, no mesmo segmento de terrenos. Para oferecer urbanismo de alto padrão, conta com laboratório de engenharia próprio e, em cada projeto, emprega cerca de 100 trabalhadores locais.

Vale do Rio Uruguai, no distrito de Goio-En, é considerado a "praia" de Chapecó
Vale do Rio Uruguai, no distrito de Goio-En, é considerado a "praia" de Chapecó
(Foto: )

Em Chapecó e região, o setor imobiliário também está com elevada demanda por apartamentos e terrenos. Empresas do setor preferem não revelar números próprios, mas desde o ano passado, há crescimento de pelo menos 20% frente ao ano anterior. A propósito, vale destacar que o setor no Oeste de SC não sofreu com as últimas crises econômicas porque, como fornece proteína para o mundo, tem atividade estável.

A empresária Bernadete Carraro, da ABBA Imóveis e da incorporadora Mester, de Chapecó, diz que a procura maior na pandemia é por apartamento com três suítes ou com três dormitórios sendo uma suíte e um banheiro social. Outra peculiaridade da região, segundo ela, é a alta demanda por residência para lazer aos finais de semana. O endereço mais desejado é o distrito de Goio-En, no Vale do Rio Uruguai, que faz divisa com o Rio Grande do Sul. O local é considerado a “praia” de Chapecó onde predominam motos aquáticas e barcos porque não há faixa de areia.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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