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Opinião

Carlos Moisés sobrevive ao impeachment, mas maculado pelos votos dos desembargadores

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Por Evandro de Assis
07/05/2021 - 15h17 - Atualizada em: 07/05/2021 - 15h20
Dependesse apenas da análise dos desembargadores, Moisés seria condenado por unanimidade
Dependesse apenas da análise dos desembargadores, Moisés seria condenado por unanimidade (Foto: Tiago Ghizoni, NSC Total)

O governante capaz de sobreviver a um processo de impeachment retorna mais fraco ao poder, e não mais forte. É o que o precedente histórico nacional indica, com Getúlio Vargas, é o que confirma a derrota eleitoral de Donald Trump nos Estados Unidos. Assim também sucedeu com o governador Carlos Moisés (PSL), após resistir à primeira acusação, em 2020. Nada leva a crer que será diferente agora, quando o governador tomará posse pela terceira vez sob a mácula indelével dos votos contrários de cinco desembargadores do Tribunal de Justiça.

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Dependesse apenas dos representantes do Judiciário, cuja análise do processo tende a ser mais jurídica que política, Moisés seria condenado de forma unânime por não “impedir o resultado danoso” da compra frustrada de respiradores para enfrentar a Covid-19, nas palavras do desembargador Luiz Zanelato. Moisés salvou-se pela política, aquela mesma renegada por seus eleitores em 2018.

O governador foi resiliente às tentativas de retirá-lo da Agronômica porque entregou o poder aos algozes. O “comandante Moisés” da eleição de 2018 e do primeiro ano de mandato virou soldado. Foi assim que obteve os votos de deputados necessários para permanecer no cargo.

Superada a turbulência política, retoma a missão que recebeu de 71% dos catarinenses sem a corda do impeachment envolta no pescoço. A depender das pretensões eleitorais em 2022, também não precisará temer o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como fez nos últimos meses. Seguirá enfraquecido, mas talvez mais leve de pressões.

Virada a página, o primeiro desafio será construir um governo minimamente estável, afastado de polêmicas e comprometido com entregas que aliviem a péssima impressão desse miolo de mandato. Porém, ainda que tenha sucesso, o governador reempossado jamais estará livre da pergunta que toma as redes socais a qualquer menção de seu nome: “E os R$ 33 milhões?”. 

O governo dele será lembrado para sempre como aquele que, pela letra fria da lei, deveria ter terminado em 7 de maio de 2021.

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