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    Contra a crise do coronavírus, famílias de Blumenau transferem crianças para escolas e creches públicas

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    Por Evandro de Assis
    10/08/2020 - 09h10
    Maioria das transferências ocorreu no ensino infantil, incluindo a pré-escola
    Maioria das transferências ocorreu no ensino infantil, incluindo a pré-escola (Foto: Patrick Rodrigues)

    Escolas e centros de educação infantil de Blumenau enfrentam um desafio extra durante a crise do coronavírus. Além de adaptar as atividades regulares ao ensino a distância, professores e gestores da educação precisam integrar novos estudantes no meio do ano letivo sem poder fazer contato presencial. 

    O motivo são transferências de estudantes da rede privada. Em dificuldades financeiras, famílias blumenauenses recorrem à educação pública gratuita para aliviar as contas.

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    Entre 18 de março (data em que começou a quarentena em SC) e 5 de agosto, a Secretaria Municipal de Educação recebeu 612 novas matrículas. Quase a metade desses estudantes (298) vieram de escolas privadas. As demais são transferências diversas, inclusive de outros municípios, e crianças que estavam na fila por uma vaga em creche da prefeitura de Blumenau.

    O ensino infantil, aliás, recebeu a maior parte dos novos matriculados: 537 — o número inclui o pré-escolar, que é oferecido dentro das escolas. Séries do ensino fundamental tiveram 75 transferências.

    Escolas da rede estadual em Blumenau identificam movimento semelhante. Segundo o coordenador regional, Osvaldo da Silva Sobrinho, num levantamento preliminar, foram identificadas 170 transferências de instituições particulares para séries de ensino fundamental e médio.

    Diante do número total de estudantes atendidos, tanto na rede estadual (23 mil alunos) quanto na municipal (36 mil), as transferências são pouco representativas. Mas o desafio de acolher os novos estudantes afeta a rotina de turmas inteiras.

    — Sem dúvida, a distância prejudica. É um momento delicado em todos os sentidos. As crianças já não aguentam ficar tanto tempo sem ver os colegas. Então, inserir um aluno novo é um desafio a mais para o professor — comenta a secretária municipal, Patricia Lueders.

    Crise econômica

    O volume de transferências do ensino privado é semelhante ao identificado em anos de crise econômica acentuada, como 2015. Porém, há razões para esperar um número maior de transferências na virada para 2021. É provável que muitas famílias tenham evitado a transferência durante o ano letivo, especialmente nos ensinos fundamental e médio. Nas creches de Blumenau, a demanda deve pressionar a oferta na faixa etária dos quatro anos, quando o ensino é obrigatório.

    Embora o decreto estadual que proíbe a volta às aulas vá vencer em 7 de setembro, não há qualquer garantia de retorno. Tanto no Estado quanto no município a discussão se dá em torno de futuros protocolos para evitar que as salas de aula virem núcleos de disseminação da Covid-19. Quando será possível retomar aulas em sala, ninguém arrisca dizer.

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