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'Fantástico' destaca ozônio em Itajaí como “falsa promessa” para tratar o coronavírus

Em reportagem exibida na noite deste domingo, programa mostrou os tratamentos alternativos à Covid-19 usados na cidade catarinense

10/08/2020 - 06h58 - Atualizada em: 10/08/2020 - 08h59

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Augusto
Por Augusto Ittner
Programa repercutiu a proposta de pesquisa com ozonioterapia feita pelo prefeito de Itajaí
Programa repercutiu a proposta de pesquisa com ozonioterapia feita pelo prefeito de Itajaí
(Foto: )

O tratamento com aplicação de ozônio retal para tratar pacientes com Covid-19, sugerido pelo prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, foi tema de uma reportagem exibida na noite deste domingo (9) pelo ‘Fantástico’. Em quase oito minutos, a matéria mostrou em rede nacional os métodos alternativos que estão sendo utilizados na cidade catarinense desde o início da pandemia da Covid-19.

A reportagem fala em “desperdício de dinheiro público”, em “ilusão à população”, e chega a comparar que esses supostos tratamentos para o novo coronavírus podem ter a mesma eficácia de “um copo com água e açúcar”. O ‘Fantástico’ mostrou, ainda, as outras iniciativas já utilizadas em Itajaí contra a Covid-19, como a homeopatia com cânfora e a distribuição de ivermectina à população — o Santa, inclusive, mostrou que essas ações custaram cerca de R$ 4,5 milhões aos cofres do município.

A reportagem ouviu também a doutora em Microbiologia, Natalia Pasternack, que sugeriu ao prefeito Volnei Morastoni que gastasse menos em tratamentos sem eficácia comprovada à Covid-19, e “mais em respiradores”. O ‘Fantástico’ também entrevistou Adircélio Ferreira Júnior, presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC). Ele disse que a compra da ivermectina — entregue a 126 mil itajaienses desde julho — foi feita sem licitação e com preço acima do normal. O que eram R$ 0,28 por comprimido, se tornaram R$ 1,47, de acordo com o Tribunal.

Por fim, a reportagem destaca que em testes para detectar o coronavírus, Itajaí gastou R$ 4,2 milhões, menos do que o investimento feito com formas alternativas e não comprovadas de tratar a Covid-19.

“Santo remédio”

Em entrevista na última semana, o prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, disse que a ozonioterapia é um “santo remédio” e garantiu que a cidade deve começar os testes com 146 pacientes até o fim deste mês. Morastoni destacou que o trabalho será experimental, limitado, e “dentro de um critério muito rigoroso, na pesquisa”. “Não é qualquer um que vai poder receber a aplicação”, destacou.

Segundo o prefeito de Itajaí, clínicas particulares já fazem o tratamento com ozonioterapia. O objetivo da prefeitura é possibilitar que pessoas que precisam de atendimento na rede pública de saúde também possam ter acesso a esse método:

— Não estamos inventando nada aqui. Não é uma proposta criada por Itajaí. Nós nos inscrevemos e estamos participando de um protocolo nacional, aprovado pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa. É algo oficial, legítimo, legal, e permitido inclusive pelo Conselho Federal de Medicina. Nos consultórios particulares as pessoas com Covid-19 já estão sendo tratadas com ozônio, por que não podemos dar essa possibilidade para a população atendida pelo SUS, aos mais pobres?

Relembre o vídeo em que o prefeito de Itajaí defende aplicação de ozônio retal para tratar Covid-19

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