nsc
nsc

Análise

Daniela Reinehr governou de fato, mas não reuniu poder suficiente para virar o jogo

Compartilhe

Evandro
Por Evandro de Assis
07/05/2021 - 07h00
Pelas tentativas de adiar o julgamento de Moisés, aliados de Daniela não têm o sétimo voto pelo impeachment
Pelas tentativas de adiar o julgamento de Moisés, aliados de Daniela não têm o sétimo voto pelo impeachment (Foto: Diorgenes Pandini, BD, NSC Total)

Daniela Reinehr (sem partido) governou Santa Catarina como se fosse a titular no último mês e meio. Montou uma equipe, fez escolhas políticas, aproximou-se de prefeitos e entidades empresariais, visitou o interior e articulou em Brasília. Trocou secretários de pastas sensíveis, como Saúde e Infraestrutura, e negociou cargos de escalões inferiores por apoio político. Apesar disso, a governadora não reuniu poder suficiente para receber do Tribunal do Impeachment, nesta sexta-feira (6), a responsabilidade de assumir em definitivo.

> Receba notícias de Blumenau e região por WhatsApp

Na primeira interinidade, no fim de 2020, Daniela governou ciente de que Carlos Moisés (PSL) seria devolvido à cadeira. Mexeu em poucas secretarias centrais e cargos de confiança, passando recibo de que aquela era uma gestão temporária. Agora é diferente. A uma semana da sessão de julgamento, substituiu o secretário de Desenvolvimento Econômico nomeado por Moisés. Esforçou-se para exibir distinções entre ela e o companheiro de chapa, inclusive no rigor para apurar o destino dos R$ 33 milhões aplicados em respiradores que nunca chegaram.

Mas não se constrói um governo viável em tão pouco tempo. Nem se faz impeachment sem um governo viável para suceder o que derreteu. Pelas sucessivas tentativas de adiar o julgamento desta sexta-feira (6), o grupo de Daniela não tem o “sétimo voto” contra Moisés entre os 10 julgadores do impeachment. Há quase um consenso nos bastidores da política catarinense de que é mais fácil um desembargador mudar de voto, em benefício de Moisés, do que um segundo deputado condená-lo — além de Laércio Schuster (PSB).

Um único voto de desembargador pela absolvição praticamente encerra o jogo a favor do governador afastado. Se já está difícil fazer um dos quatro parlamentares mudar de ideia, dois seria missão impossível. 

Mas, como as votações anteriores demonstraram de maneira cabal, julgamentos de processos de impeachment podem seguir caminhos imprevistos. A poucas horas da sessão que definirá o futuro político do Estado, é com o imponderável que Daniela Reinehr pode contar.

Receba textos e vídeos do colunista Evandro de Assis direto no WhatsApp.

Evandro de Assis

Colunista

Evandro de Assis

Notícias e comentários exclusivos sobre o cotidiano de Blumenau e do Vale do Itajaí.

siga Evandro de Assis

Evandro de Assis

Colunista

Evandro de Assis

Notícias e comentários exclusivos sobre o cotidiano de Blumenau e do Vale do Itajaí.

siga Evandro de Assis

Mais colunistas

    Mais colunistas