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Duplicação da BR-470: ministro Tarcísio Freitas adota o modo "acabou o dinheiro"

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Por Evandro de Assis
25/06/2021 - 06h00
Na mesma entrevista, ministro prometeu inauguração em 2022 e disse que obra pode demorar uma década
Na mesma entrevista, ministro prometeu inauguração em 2022 e disse que obra pode demorar uma década (Foto: Ana Vaz, NSC TV)

O mesmo ministro Tarcísio Gomes de Freitas que prometeu, nesta quinta-feira (24) em Florianópolis, entregar a duplicação da BR-470 no próximo ano reconheceu, minutos depois, que se mantido o ritmo atual a obra levará uma década para ficar pronta. As projeções contraditórias do chefe da Infraestrutura nacional dão a entender que o futuro da duplicação depende do cofre alheio. Bem entendido, do cofre de Santa Catarina. Porque o governo Jair Bolsonaro adotou o modo "acabou o dinheiro".

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A entrevista coletiva concedida por Tarcísio em Florianópolis, dominada pelo assunto BR-470, teve dois momentos completamente distintos. Primeiro, o ministro previu a conclusão dos lotes 1 e 2, de Navegantes a Gaspar, no primeiro semestre do próximo ano. Quanto aos lotes 3 e 4, que passam por Blumenau e Indaial, seria possível "avançar bem" nesse período. Questionado pela repórter Ana Vaz, da NSC TV, sobre a ameaça do Ministério da Infraestrutura de paralisar as obras por falta de recursos, o ministro adotou o modo "acabou o dinheiro", bordão cunhado pelo ex-presidente do Flamengo, Márcio Braga.

— Por que a obra não anda? É simples, não tem dinheiro. Se você pega uma obra de R$ 1 bilhão, R$ 1,2 bilhão, e tem um aporte de R$ 50 milhões, R$ 60 milhões, R$ 70 milhões por ano... E esse é um problema que a gente enfrenta em função da situação fiscal, então você tem uma compressão de despesas discricionárias, isso vem assim ano após ano… É fazer a conta: você tem uma obra que vai levar mais de uma década para ficar pronta. O que a gente está fazendo? Buscando recursos para tentar impulsionar essa obra na reta final que nós temos. Não é uma questão exclusiva aqui do Estado.

Tarcísio Freitas afirmou que o presidente Bolsonaro determinou ao Ministério da Economia a liberação de R$ 200 milhões para obras rodoviárias em Santa Catarina no segundo semestre. Esse dinheiro seria dividido entre todas as rodovias, inclusive para manutenção de estradas federais em mau estado. Não deu esperanças de que sobrará grande coisa para a duplicação. Apenas o suficiente para não abandonar o canteiro de obras.

Uma vez que o orçamento deste ano prevê R$ 56 milhões para a BR-470 — dos quais 75% já estão empenhados —, só dinheiro grosso faria real diferença na velocidade dos trabalhos. Algo como os R$ 200 milhões prometidos pelo governador Carlos Moisés (PSL).

Na entrevista, o ministro disse que a verba estadual, ainda sem data para chegar ao Vale do Itajaí, ajudaria a cumprir as metas estabelecidas. Pode-se dizer que ele minimizou a situação. Porque, sem a boa vontade estadual, não sai duplicação em 2022.

Aliás, o próprio governo federal admite isso no orçamento da União para 2021, que projeta a conclusão da BR-470 só para 2023. Prazo que, para a tristeza dos catarinenses, também já soa otimista.

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