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    Entre “lockdown inverso” e “atendimento precoce”, SC descobre arma contra a Covid-19

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    Por Evandro de Assis
    12/04/2021 - 05h00 - Atualizada em: 12/04/2021 - 17h09
    Daniela e João Rodrigues teriam razão caso estivessem comprometidos com testagem em massa
    Daniela e João Rodrigues teriam razão caso estivessem comprometidos com testagem em massa (Foto: Alan Santos, Divulgação)

    Chapecó anunciou no domingo (11) medida duvidosamente inovadora para combater a Covid-19. É o “lockdown inverso”, definido como o isolamento das pessoas que testam positivo. Na semana passada, diante do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a governadora Daniela Reinehr (sem partido) apresentara o “atendimento precoce” como caminho para barrar o vírus. Se alguém pensou em ivermectina ou cloroquina, calma, não é nada disso.

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    Tanto Daniela quanto o prefeito João Rodrigues propagandearam aos catarinenses o que soa como uma descoberta: para frear o coronavírus o negócio é testar casos suspeitos o quanto antes. E evitar que os doentes entrem em contato com pessoas ainda não contaminadas.

    Tivessem chegado a essa conclusão um ano atrás, os governantes catarinenses já estariam quase um mês atrasados. Em 16 de março de 2020, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, disse em entrevista coletiva:

    — Temos uma mensagem simples para todos os países: testar, testar, testar.

    Em outubro do ano passado, Daniela formulou ideia semelhante à que agora trata como revelação: “temos que isolar os doentes, não os saudáveis". Ninguém seria capaz de discordar da sentença caso o governo fizesse o suficiente para diferenciar uns de outros.

    A verdade é que Santa Catarina ainda testa pouco em comparação aos países que conseguiram lidar melhor com o coronavírus. E testa mal. De maneira geral, um catarinense só é examinado para Covid-19 quando ele próprio desconfia que está doente e procura ajuda. Seguidas vezes, nem isso basta. Todo mundo conhece alguém que foi ao posto de atendimento e voltou para casa sem o resultado do teste porque tinha só um ou dois sintomas. Em abril de 2021, prefeituras ainda economizam testes — salvo exceções recentes, como Blumenau, que flexibilizou restrições.

    Tampouco há protocolo unificado entre os municípios quanto ao que fazer quando alguém testa positivo. Tem cidade que manda testar toda a família, outras mandam o paciente avisar em casa que todo mundo deve considerar-se infectado e ainda há aquelas em que o cidadão vai embora sem orientação alguma. Em praticamente nenhum lugar de Santa Catarina as autoridades de saúde buscam saber com quem o doente relacionou-se nas últimas horas e dias. Os contatos não são rastreados, muito menos testados.

    Agora, é como se os políticos catarinenses tivessem remado por tanto tempo na direção contrária que acabaram girando em 180 graus e encontrado a direção correta. Infelizmente, não passa de propaganda. A ideia é servida requentada sob alcunhas cuidadosamente criadas para impactar aqueles que rejeitam o lockdown e apoiam o tratamento precoce via Kit Covid.

    Quarta onda

    No momento em que o contágio por Covid-19 arrefece em quase toda Santa Catarina, mas a vacinação da população claudica, aprimorar a testagem pra valer pode livrar o Estado de uma quarta onda de contaminação, ou ao menos reduzir seus efeitos. Nos períodos de baixa, conforme os especialistas, esforços de testagem e rastreamento de contatos são mais viáveis e eficazes. A rigor, João Rodrigues e Daniela Reinehr estão certos.

    Só falta transformarem a lacração em ação.

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