nsc
nsc

Novas medidas restritivas

Blumenau sofre um choque de realidade com hospitais lotados e nova quarentena

Compartilhe

Evandro
Por Evandro de Assis
20/07/2020 - 10h32 - Atualizada em: 20/07/2020 - 10h34
Vale do Itajaí passará por nova quarentena, mas gora com hospitais cheios
Vale do Itajaí passará por nova quarentena, mas gora com hospitais cheios (Foto: Patrick Rodrigues)

Pode-se acreditar em tratamento precoce sem base científica contra a Covid-19. Tomar ivermectina, azitromicina, hidroxicloroquina. Duvidar do isolamento social e da necessidade de usar máscaras.

Pode-se falar em isolamento vertical, no mero achatamento da curva ou em imunidade de rebanho como estratégia viável. Há quem jure que a Covid-19 mata menos que o H1N1.

Num país livre, é possível criticar o isolamento social, dizer que é coisa de comunista, de quem não quer trabalhar. Pode-se achar que a China criou tudo isso só para prejudicar o Ocidente.

No limite, um sujeito pode até tomar remédio para cachorro acreditando que se imuniza. Não deve, mas pode.

> Clique aqui para receber notícias de Blumenau e região direto no seu WhatsApp.

O que não pode é alguém com acesso a rádio, TV e jornal, blog, site e mídia social, às avaliações de virologistas, infectologistas, epidemiologistas, matemáticos, estatísticos, gente de humanas, de exatas e de naturais, às lives do prefeito e do governador, às entrevistas do Mandetta e do Anthony Fauci, da Angela Merkel, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e até do Papa... Dizer-se surpreso com o que está acontecendo em Santa Catarina neste mês de julho.

UTIs lotadas e o consequente retorno às medidas drásticas de isolamento em Blumenau e no Médio Vale são um duro choque de realidade. Todo mundo com alguma experiência em pandemia, prática ou científica, avisou que uma quarentena interrompida sem testes suficientes para monitorar surtos levaria a novos fechamentos generalizados. Absolutamente todos os especialistas sérios avisaram que uma curva ascendente de casos era prenúncio do colapso hospitalar.

Blumenau e Santa Catarina deram de ombros. Permitiram que opiniões irresponsáveis envenenassem a resposta à doença. Acreditaram em atalhos, mas eles não existem nesta guerra.

Passaremos por tudo outra vez, mas com a morte rondando, hospitais cheios, governo e prefeituras gastando o que não temos para dar conta de tantos contaminados.

Empregados faltam ao trabalho, porque doentes. Consumidores desaparecerão das ruas, ou porque está tudo fechado, ou porque têm medo. Empresários sofrerão. E demitirão trabalhadores que sofrerão mais. Quem já está sem trabalho, nem se fala.

É possível estancar o ferimento

Itália e Espanha já ensinaram que é possível estancar o ferimento depois de aberto. Não estamos condenados. Mas só haverá saída duradoura se ideias estapafúrdias, sem aval do (limitado) conhecimento científico disponível até o momento, ganharem a irrelevância que merecem.

Podemos reverter a curva de casos, internações, mortes. E depois de suprimir o vírus a um estágio em que seja possível caçá-lo com testagem, retomar parte da vida normal. Aos poucos.

Depois de tudo o que passamos e passaremos, de tudo o que já deveríamos ter aprendido com a experiência empírica, quem insiste em jeitinho será cúmplice da tragédia.

Evandro de Assis

Colunista

Evandro de Assis

Notícias e comentários exclusivos sobre o cotidiano de Blumenau e do Vale do Itajaí.

siga Evandro de Assis

Evandro de Assis

Colunista

Evandro de Assis

Notícias e comentários exclusivos sobre o cotidiano de Blumenau e do Vale do Itajaí.

siga Evandro de Assis

Mais colunistas

    Mais colunistas