O recuo da Havan no projeto de construir uma loja no Centro Histórico concedeu a Blumenau uma nova chance, a terceira, de transformar em espaço público o terreno do antigo estádio do BEC. Está na hora de desapropriar aquela área e devolvê-la à população na forma de parque, praça, quadras esportivas, mercado ou de uma atração cultural que ajude a reconciliar o blumenauense com o berço da colonização.

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Afinal, aquele terreno era público, pertencia ao Estado, que o doou para ser estádio de futebol. Mesmo enquanto pertenceu a clubes, como o Palmeiras e o Blumenau Esporte Clube, era local de encontro, convivência e lazer. Em 2007, veio a demolição e a primeira chance de virar uma página no Centro Histórico, que na década de 1990 estava completamente degradado. A prefeitura deveria ter comprado a área pela importância estratégica.

Então, novos donos conseguiram aprovar a construção de duas torres de apartamentos no terreno. Mas veio a tragédia de 2008, que reavivou o temor de habitar áreas alagáveis e o mercado imobiliário não demonstrou grande apreço pelo projeto. Em março de 2011, escrevi neste mesmo Jornal de Santa Catarina que ali era lugar para um parque. A segunda chance da prefeitura de Blumenau reassumir o terreno passou diante dos narizes de três prefeitos.

Então surgiu a proposta da Havan, que trabalhou durante mais de ano na polêmica loja de arquitetura kitsch. Durante a tramitação do projeto em órgãos como Federação Catarinense de Cultura (FCC) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ficaram evidentes as limitações do terreno para empreendimentos privados — ambientais, históricas e de mobilidade. A reação do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural Edificado (Cope) nesta quarta-feira (26) provou que não será fácil explorar aquela área.

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Desaproprie, prefeito

Talvez a Havan venha a apresentar um novo projeto, mais adequado às características da Rua das Palmeiras. Ou outro empreendedor apareça com planos mais interessantes. Também é possível que o terreno volte ao estado de abandono dos últimos 14 anos. Mas enquanto nada disso acontece, Blumenau tem uma terceira oportunidade.

Desaproprie o terreno do BEC, prefeito Mário Hildebrandt. Conecte-o ao plano turístico que envolve o Museu da Cerveja, a Praça Doutor Blumenau, a Praça das Rosas, a reforma da Prainha, a reabertura do Frohsinn e, quem sabe um dia, a Margem Esquerda e a passarela sobre o Rio Itajaí-Açu. Um conjunto de lazer, esporte, turismo e cultura inigualável.

Devolva aquele terreno à cidade, prefeito.

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