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Só não enxerga o golpismo de Jair Bolsonaro quem quer independência dos fatos

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Por Evandro de Assis
07/09/2021 - 17h58 - Atualizada em: 08/09/2021 - 05h22
Presidente elegeu Alexandre de Moraes como inimigo porque o ministro presidirá o TSE em 2022
Presidente elegeu Alexandre de Moraes como inimigo porque o ministro presidirá o TSE em 2022 (Foto: Alan Santos, Divulgação)

Terminadas as manifestações deste 7 de Setembro, só não enxerga o óbvio golpismo de Jair Bolsonaro quem quer independência... dos fatos. Está tudo posto, verbalizado, às claras. Daqui até as Eleições 2022, que serão coordenadas pelo mesmo juiz agora estrategicamente apontado como inimigo do povo, o presidente tentará subverter a ordem democrática. As ameaças reiteradas servem, sim, de cortina de fumaça para as crises econômica, energética, sanitária e política. Mas são reais, não podem mais ser subestimadas.

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Conforme as bandeiras e discursos do feriado, o momento do país é dramático não porque a inflação belisca dois dígitos, os reservatórios das hidrelétricas estão no vermelho, a renda da população despencou, 580 mil brasileiros morreram de uma doença evitável, o governo almeja um calote de precatórios em 2022 ou porque a família do presidente enriqueceu empregando fantasmas em repartições públicas. Nada disso.

O Brasil estaria agonizando porque o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes mandou prender gente que foi às redes sociais defender o fechamento da Corte à força e ameaçá-la com armas de fogo em punho. Para quem foi às ruas no 7 de Setembro, essa é a urgência do Brasil: defender o inexistente direito de ameaçar impunemente. Mas não é coincidência que o presidente da República tenha escolhido Moraes como inimigo prioritário — o ministro presidirá o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas Eleições 2022.

Verbetes como Conselho da República, estado de defesa, estado de sítio e Garantia da Lei e da Ordem agora integram a pauta política do país. Uma pauta paralela, artificial, fabricada, inventada, que abafa o sofrimento real da população com o ruído contínuo de um governante alheio ao trabalho.

Mas que não se duvide das intenções de Jair Bolsonaro, o político para quem o país só mudará quando "partirmos para uma guerra civil, fazendo um trabalho que o regime militar não fez". Quem apoia a tentativa de golpe em andamento no Brasil ou, a essa altura, mesmo que de boa fé, minimize a sua capacidade de corroer a democracia, passará à história como colaboracionista.

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