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Análise

“Saber sofrer” ou “saber jogar”? Que futebol queremos?

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Faraco
Por Faraco
15/07/2021 - 12h52 - Atualizada em: 15/07/2021 - 12h57
Felipão e Renato venceram com Grêmio e Flamengo nas competições internacionais na semana
Felipão e Renato venceram com Grêmio e Flamengo nas competições internacionais na semana (Foto: Divulgação/ GREMIO FBPA / CR FLAMENGO)

Não, não se trata de mais um texto para dividir a análise entre ganhar ou jogar bem, uma discussão que está envelhecida e desgastada, e há muito tempo não é a discussão que precisa ser feita.

Nem é uma análise entre ser ofensivo, ou ter posse de bola, e ser defensivo, reativo. Estes são aspectos do jogo, que servem para apontar problemas ou virtudes das equipes numa partida de futebol.

O fato é que em 2019 um treinador estrangeiro veio trabalhar no Brasil e, com pouco tempo de trabalho, apenas em seis meses, varreu o futebol brasileiro, com inéditos 90 pontos no Brasileirão, e sul-americano, com a conquista da Libertadores – mais do que isso, conseguiu conciliar as duas coisas e ganhar, também de forma inédita, as duas competições na mesma temporada. Deixou aí todos os conceitos do futebol de melhor qualidade praticado no mundo, pra todo mundo ver.

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O fato é que existiu uma enorme diferença agora entre o futebol jogado na Euro 2020 e o praticado por aqui na Copa América. Uma enorme diferença entre o que apresentaram as campeãs, Itália e Argentina.

Nesta semana, dois dos melhores times dos últimos cinco anos no país, Grêmio e Flamengo, estrearam “novos” treinadores. Felipão voltou ao Grêmio e Renato assumiu o Flamengo. Os dois venceram, um na Sul-americana e outro na Libertadores. Mas as duas equipes foram dominadas nos jogos. O Grêmio teve apenas 24% de posse de bola e míseras três finalizações. Tentou 58 bolas longas e trocou somente 187 passes. Ou seja, o Grêmio não quis jogar, quis apenas competir e ganhar, do jeito que desse.

Catarinense Filipe Luís segue como referência de bom futebol no Flamengo
Catarinense Filipe Luís segue como referência de bom futebol no Flamengo
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O mesmo aparece nos números do Flamengo, um time que no Brasileirão tem a maior média de posse de bola, com 62,9%, e finalizações, com 13,1 por jogo. Pois na estreia de Renato, contra o Defensa Y Justicia, na Argentina, pela Libertadores, o Flamengo teve apenas 44% de posse de bola e reduzidas cinco finalizações todo o jogo. O time deu 54 chutões. Como o Grêmio, o Flamengo rejeitou a bola durante boa parte da disputa. Foi dominado, apesar da vitória.

Curiosamente, Flamengo e Grêmio praticaram nestes últimos cinco anos o futebol mais bem jogado do país. Com aproximação, posse de bola, toques rápidos, intensidade, ofensividade, criatividade e, claro, resultados. Assim foram o Grêmio de 2017 e o Flamengo de 2019 e 2020.

Normalmente o argumento é “ganhamos o jogo”, como disse mesmo Renato após a partida contra o DyJ. Mas a questão não é essa. A questão é: rejeitando a bola, tomando pressão, com defesas milagrosas do goleiro, e atacando poucas vezes, numa sequência de partidas, num campeonato inteiro, o time estará mais próximo do sucesso ou do fracasso?

Felipão reestreou no Grêmio no Grenal do último sábado
Felipão reestreou no Grêmio no Grenal do último sábado
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Um time vencedor não ganha partidas somente eventualmente, ou só “sabendo sofrer”. Um time vencedor ganha sequências de partidas e campeonatos, tendo recursos técnicos e táticos para entender o desafio imposto por cada jogo. Jogando bola e não rejeitando a bola. Este time tem alternativas de jogo para achar o caminho. Joga simplesmente “sabendo jogar”.

Rodrigo Faraco

Colunista

Faraco

Jornalista e comentarista esportivo, sempre atento ao que acontece especialmente no futebol catarinense, faz análises e bastidores dos times do Estado.

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