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    Política

    Exoneração de Amandio da Casa Civil de SC complica diálogo do governo com o empresariado

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    Loetz
    Por Loetz
    27/06/2020 - 15h56 - Atualizada em: 27/06/2020 - 16h04
    foto mostra o então secretário da casa civil de santa catarina em coletiva de imprensa
    Amandio havia sido apresentado no cargo em 11 de maio

    A próxima reunião do Conselho de Entidades Empresariais (Cofem), na segunda-feira (29), terá uma pauta extra. E explosiva: a exoneração do empresário Amandio João da Silva Junior, da Casa Civil do governo do Estado, na sexta-feira, por telefone.

    Entenda o caso: Chefe da Casa Civil de Santa Catarina é exonerado

    Era ele o interlocutor que começava a fazer a ponte entre o empresariado catarinense com Carlos Moisés. Ficou 45 dias no cargo, abatido por fogo da área política e parlamentar de oposição,, no contexto da apuração de eventuais irregularidades, que está sendo feita na CPI dos Respiradores, na Assembleia Legislativa.

    Assim é a política: não perdoa sequer aqueles que têm boas intenções. Uma atitude - vínculo com um advogado investigado no caso dos respiradores - e um contrato firmado no âmbito do movimento Excelência SC  colocou-o rna berlinda a prejudicar-lhe a biografia.

    A exoneração de Amandio expõecomo a política é um campo minado. Vindo da iniciativa privada foi o adjunto de Lucas Esmeraldino na Secretaria de Desenvolvimento Econômico no início do governo, por curto período. Saiu de lá por discordar de práticas internas na Pasta.

    Na região do Vale do Itajaí, saída de Amandio também é uma ducha de água fria

    Logo a seguir, Esmeraldino foi retirado do posto, atingido por apuração de irregularidades e intenso bombardeio externo, já que nunca se aproximou do empresariado., nem tinha formulado política desenvolvimentista conhecida.

    Pinçado de volta, Amandio foi guindado a uma das mais importantes funções de qualquer governo: dirigir a Casa Civil - por onde passa todo o processo de articulação política, e é conhecida como ao lugar mais diretamente ligado ao govenador.

    Carlos Moisés quis fazer um agrado aos empresários, com esta nomeação. Lá, entre outras coisas, está a formatação política do Fundo Garantidor de Crédito, tão caro aos micro e pequenos empreendimentos - algo a nascer com aproximadamente R$ 1 bilhão, para ajudar empresas nestes tempos de crise.

    A troca de secretário na Casa Civil vai atrasar o projeto?  Amandio começava a mexer os pauzinhos no sentido de reaproximar as lideranças da iniciativa privada do governo estadual.

    Como Moisés geria o Estado de costas para a sociedade, "enclausurado", na palavras do prefeito Udo Dohler, Amandio, o recém-alçado, tinha a missão de abrir portas.

    Enquanto, isso os deputados estaduais de oposição procuravam, nos escaninhos, falas ou gestos que pudessem comprometer o governo e seus integrantes na CPI dos Respiradores.

    Então, conversa dele com o advogado Rodovalho o alcançou, por vias transversas - e foi exonerado por telefone.

    Do ponto de vista político, o gesto do governador se explica: não queria mais ter de conviver com o desgaste de críticas e investigações na CPI por conta de supostas e eventuais equívocos de seus subordinados.

    A lista de amigos dele mesmo, Carlos Moisés,  ceifados no governo por suspeitas de corrupção ou irregularidades diversas vão do ex-chefe da Casa Civil, Douglas Borba — agora preso —; passa pelo ex-secretário de Saúde, Helton Zeferino; alcança Lucas Esmeraldino, que conseguiu passaporte para Brasília, onde faz lobby na Secretaria de Articulação Nacional do governo estadual; atinge o ex-presidente do porto de São Francisco do Sul, Diego Enke e diretores; além de chegar à muita gente grande na Controladoria Geral do Estado.

    Dá para compreender que o empresariado se sinta incomodado. Há suspeitas de crimes em pelo menos cinco áreas sensíveis da gestão pública. E isso em um ano e meio de mandato.

    Ao mesmo tempo que a indústria e o comércio precisam dialogar com instâncias oficiais - até porque tem inúmeras demandas com foco nos seus negócios e interesses - receiam estar perto demais de um ninho onde, aparentemente, há sempre uma bomba prestes a explodir.

    Conversei com alguns líderes empresariais catarinenses desde sexta de noite. Em Joinville,  há um consenso no meio empresarial,  mas jamais explicitado abertamente: "o governo Moisés acabou sem ter começado".

    Vai ser árduo o trabalho de tentar recomeçar. Na prática, só restam dois anos de mandato. Como sabemos, o último semestre de qualquer governante é só o de servir cafezinho frio. Todos os olhos estão postos no processo sucessório, naturalmente.

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