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Crônica

A quem interessa meu voto

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Por Martha Medeiros
24/09/2021 - 16h00
Urna eletrônica
Urna eletrônica (Foto: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil)

Todo colunista já recebeu alguma mensagem de leitor avisando que, por causa de um determinado texto, cancelará a assinatura do jornal. É um clássico da mágoa que, involuntariamente, causamos em quem não concorda com o que escrevemos. O leitor está no seu direito, ainda que a ameaça raramente se concretize. No entanto, recebi o e-mail de um Claudio que foi até o fim e, já meio arrependido da medida extrema que tomou por motivo tão banal, despediu-se de mim fazendo um último pedido: por favor, não vote em um ladrão.

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Fiquei comovida, juro. A política leva as pessoas a desatinos. Nunca vi esse leitor nem ele sabe nada sobre mim, a não ser que sou contra este governo, e ele a favor, como já havia revelado em e-mails anteriores. O que responder a ele, com a atenção que merece?

Claudio, votarei em 2022 no candidato que tiver as melhores propostas para o país, não para mim mesma. Como cidadã, preciso do governo, mas não tanto como precisam outros. Sou privilegiada. Estudei, fiz faculdade, tive meu primeiro emprego aos 19, nunca sofri discriminação, vivo num bairro seguro de uma grande metrópole. O preço da gasolina afeta meu custo de vida, a criminalidade impede que eu caminhe sozinha à noite, mas, ainda assim, minha vida é infinitamente melhor do que a maioria dos brasileiros.

Corri os mesmos riscos só durante a pandemia. Ali não havia privilegiados, estávamos todos à mercê de um vírus mortal que só viria a ser neutralizado através da vacina, do uso de máscara e do distanciamento social, procedimentos que este governo irresponsável negligenciou.

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No mais, não preciso olhar para o próprio umbigo na hora de votar. Tenho obrigação, isso sim, de olhar para os lados, para quem é pobre e precisa comer, para quem está desempregado e precisa trabalhar, para quem nunca segurou um livro nas mãos. Ao votar, preciso escolher quem apoia a cultura, quem preserva o meio ambiente, quem transmite boa imagem do país no exterior, quem atrai investimentos, quem não incita a violência, quem não propaga fake news, quem desenvolve projetos de inclusão, quem respeita todas as religiões, incluindo os sem religião. E, claro, quem combate a corrupção.

Já tenho candidato para o primeiro turno de 2022, e até onde sei, ele não é ladrão. Haverá de fazer alguma aliança que eu desaprove, ceder em questões que me desagradem, desapontará em alguns pontos: política nunca foi um jardim de infância. Mas ele jamais apoiará a ditadura ou exaltará a ignorância, que isso não é coisa de gente equilibrada e comprometida com o futuro.

Agradeço a preocupação e garanto a você: em qualquer configuração, meu voto não irá para um extremista. Porque extremista só haverá um no pleito, e sempre teremos opção mais democrática.

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Escritora e cronista best-seller com livros adaptados para a TV e cinema. Escreve sobre o cotidiano, o dia a dia e temas de interesse comum.

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