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Crônica

Quero ver Kamala Harris dar sua risada

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Por Martha Medeiros
13/11/2020 - 07h00
Harris chegou às urnas com a força de ter sido a primeira mulher negra a ser eleita procuradora-geral na Califórnia e como a primeira mulher de ascendência sul-asiática no Senado.
Harris chegou às urnas com a força de ter sido a primeira mulher negra a ser eleita procuradora-geral na Califórnia e como a primeira mulher de ascendência sul-asiática no Senado. (Foto: JEFF KOWALSKY / AFP)

Neste fim de semana escolheremos prefeitos e vereadores em todas as cidades do país. Que os eleitos e eleitas tenham boas propostas e as cumpram, e que a gente não se arrependa do nosso voto. Fizemos nossa parte: analisamos currículos, acompanhamos debates, desconsideramos alguns partidos e agora é cruzar os dedos, pois saber no que vai dar, ninguém sabe.

Honestidade, inteligência e trajetória limpa são atributos básicos para acertar na escolha, mas fica melhor ainda quando, além de critérios objetivos, somos fisgados por um carisma que se sobressai e provoca uma rara familiaridade: é como se a pessoa em questão fosse nossa amiga de uma vida toda. Um exemplo disso, lógico, é Kamala Harris, a vice-presidente que comandará os Estados Unidos com Jon Biden. Se ela desempenhará bem sua função, o tempo dirá, mas aquele sorrisão traz uma promessa nova.

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Estou julgando Kamala pelo sorriso?? Estou, e ela me ganhou, também, por ser uma mulher que dança. E, pra arruinar de vez minha reputação como analista política (coisa que não sou), adoro que ela use terno com tênis. Adoro. Nem vou comentar o fato de ser uma mulher negra, filha de imigrantes, e que essa diversidade é cada vez mais necessária num mundo que precisa se tornar menos engessado.

Se ela desempenhará bem sua função, o tempo dirá, mas aquele sorrisão traz uma promessa nova.

O universo político ainda se divide entre sisudos prolixos, que não permitem que adivinhemos o que eles sentem, e os vulgares, aqueles que tentam combater a sisudez sendo esdrúxulos. É preciso avisá-los que se pode ser espontâneo e educado ao mesmo tempo.

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Kamala é uma boa referência neste momento em que voltamos às urnas. Ela ajuda a lembrar que as palavras importam tanto quanto as atitudes, o tom de voz, a linguagem corporal, o espírito de cada um. Líderes devem ser assertivos e determinados, mas, de minha parte, quero também que se emocionem, que sejam brincalhões, que cantem junto com a plateia num show, que não esperem que os empregados façam tudo por eles, que tenham tempo para os filhos. Que sorriam com naturalidade, que os olhos brilhem muito e que tenham facilidade em se comunicar, sem depender sempre de um ponto eletrônico no ouvido ou de um teleprompter.

Junto ao combate à corrupção, à violência e ao desemprego, que se elimine também a empáfia. Chega de representantes empertigados que não conseguem transmitir nada verdadeiro com a expressão do rosto. Que os que se elegerem neste dia 15 comemorem com um gargalhada gostosa, com carinho sincero pela sua cidade e, também, com um pouquinho de espanto, aquele espanto bom e desafiador que nos atinge quando nos confiam uma missão muito séria. É através da humildade e da autenticidade que os eleitos conseguem algo raro: que seus eleitores se reconheçam neles.

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Escritora e cronista best-seller com livros adaptados para a TV e cinema. Escreve sobre o cotidiano, o dia a dia e temas de interesse comum.

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