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Entrevista

“A gente precisa pensar em um projeto de país, e não um projeto da esquerda ou da direita”, diz João Luiz Kornely

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Por Pedro Machado
23/09/2018 - 13h48 - Atualizada em: 23/09/2018 - 13h48
Kornely também é um dos fundadores da HBSIS (Foto: Pedro Machado)

Foi no exercício do cargo de presidente do Sindicato das Empresas de Processamento de Dados, Software e Serviços Técnicos de Informática de Santa Catarina (Seprosc) que o empresário João Luiz Kornely passou a ver com outros olhos a importância da atividade parlamentar na construção das reformas e melhorias que o Brasil precisa.

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Um dos fundadores da HBSIS, uma das mais bem-sucedidas empresas de tecnologia de Blumenau, Kornely diz que a eleição para o Congresso é fundamental e critica a polarização que toma conta da disputa presidencial. Ele é o segundo sabatinado da série de entrevistas que o blog publica nesta semana para marcar o lançamento do novo santa.com.br.

Você diz que a eleição presidencial é importante, claro, mas que a eleição para o Congresso é mais. Por quê?

Porque é ali que qualquer medida provisória ou projeto de lei é trabalhado, é discutido, é defendido por uns e rejeitado por outros. Eu tive a felicidade de acompanhar as comissões das reformas trabalhista e da Previdência, e lá você vê que é dado vez e voz a todos. Lógico que há um agravante no Congresso, muito forte, que é o lobby, que acaba criando concessões e benefícios. Não deveria ser o caso. O Congresso deveria estar preocupado, e há vários deputados comprometidos com isso, em não criar benefícios para determinados setores. Quando todos pagam igualmente, é possível baixar a carga tributária. O Brasil dá anualmente, de concessões e benefícios, mais de R$ 200 bilhões por ano. Isso é um absurdo. Se todos pagarem igual e ter a mesma lei sem benefícios, todos vão acabar pagando menos.

A retomada da economia não está acontecendo como se esperava. O que houve?

Essa retomada não aconteceu pela falta de confiança nas instituições, que deveriam dar exemplo e não estão dando. É juiz que fala demais, é Ministério Público que atua além da sua missão, é o Executivo que perdeu a moral. Aquele encontro do (Michel) Temer com o Joesley (Batista) bagunçou a economia. Até aquele momento existia uma expectativa de retomada da confiança. Há também um descrédito da população, e essa polarização do país também atrapalha bastante. Mas enquanto há segmentos que seguraram mais, outros continuam investindo, acreditando que o Brasil ainda vai dar certo. E a gente sabe que em um país de 207 milhões de habitantes, as pessoas têm que comer, beber, se vestir. Por pior que seja, há uma economia que está girando, talvez não no ritmo que se esperava, mas ela está acontecendo, O que a gente precisa é restabelecer a confiança.

Essa polarização que você citou não pode comprometer esse processo de retomada?

Pode, porque todo mundo está olhando apenas um lado e ninguém está olhando um projeto de país, o Brasil como um todo. Isso precisa ser trabalhado. A gente precisa pensar em um projeto de país, e não um projeto da esquerda ou da direita. E a gente não vê clareza nos planos de governo. Eu não vi nenhum programa de governo que diga claramente o que quer fazer e como fazer. Porque o como fazer justamente passa pelo Congresso.

Qual é o grande problema para o Brasil resolver?

É a educação, que é a base de tudo. Um país onde as pessoas tenham capacidade de interpretação e análise. É muito triste a gente ver profissionais formados em faculdade que não sabem fazer uma regra de 3 ou não sabem escrever ou interpretar um texto. Estamos esquecendo do essencial.

E qual o desafio para o governo do Estado?

Ficou claro nesse evento do Voz Única (da Facisc, promovido sexta-feira em Blumenau) que o Estado todo clama por infraestrutura, seja rodoviária, ferroviária, portos, aeroportos. Também de saneamento básico, distribuição de água. Há um trabalho gigante por ser feito, de estar levando essa qualidade de vida para as pessoas. E continuo dizendo que a educação também tem de ser um dos motes do Estado.

Como associações e federações representativas podem contribuir nesse processo de transformação que o Brasil precisa?

Tanto os sindicatos quanto as associações e federações precisam ter a capacidade de entender, em cada segmento, o que é primordial e necessário e saber levar essas reivindicações e pleitos aos deputados federais e senadores. A partir dali você consegue começar a construir algo. Isso fez parte do meu aprendizado nas viagens a Brasília. É preciso levar essa informação até lá. O Congresso tem as consultorias, as assessorias para ajudar os parlamentares nisso.

O setor de TI não vem sofrendo com a crise e cresceu ao longo dos últimos anos. Por quê?

Porque a TI hoje está transversal. As grandes corporações, que são os grandes compradores, estão buscando eficiência. E a eficiência se busca através da inovação e da tecnologia, acelerando processos, tornando uma indústria mais eficiente, com uma logística mais eficiente. A TI entra em todo esse aspecto de conseguir otimizar e simplificar muitos processos. A gente tem por mote fazer mais com menos. Isso passa pela tecnologia, não tem dúvida disso.

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