Acima das expectativas do mercado, o crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro trimestre de 2023 tem um grande responsável: o agronegócio. O setor, que há tempos vem segurando as pontas do indicador que mede as riquezas produzidas no país, teve um desempenho “chinês” entre janeiro e março, com alta de 21,6% na comparação com o trimestre anterior. O resultado é uma nova demonstração da força que vem do campo. E envia um recado a Lula (PT), cuja relação com parte do segmento não é das mais harmoniosas.

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Com menos de dez dias da nova gestão, o presidente derrapou ao declarar que o “agronegócio maldoso possivelmente estava lá”, ao se referir aos atos de violência e depredação do 8 de janeiro em Brasília. Em episódio mais recente, Lula criticou organizadores da Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do Brasil, e disse que “alguns fascistas e negacionistas” não queriam a presença do ministro da Agricultura, Carlos Fávero, no evento – Fávero acabou “desconvidado” por conta da presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O bolsonarismo consolidou no agro uma espécie de reduto político nos últimos anos. Mas para além de cores partidárias, o setor é estratégico para as relações exteriores, na alavancagem da economia doméstica e para combater a fome – tema, aliás, que se destacou no discurso de posse de Lula. Os dados do PIB trimestral divulgados nesta quinta mostram que a atividade compensou a estagnação da indústria (que teve leve retração de 0,1%) e avanços mais tímidos do setor de serviços (+0,2%) e nos consumos das famílias (+0,2%) e do governo (+0,3%).

Apesar do brilho no PIB, o agro tem grandes desafios, que incluem o combate ao desmatamento desacelerado, a diminuição da emissão de poluentes e o aumento da eficiência das lavouras e na produção de proteínas, aliando tecnologia e sustentabilidade. Como em qualquer outro setor da economia, há empresas, investidores e agentes públicos comprometidos com essas missões. Outros nem tanto. O erro é deixar de separar o joio do trigo.

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Se neste momento o Brasil celebra a quarta maior alta do PIB entre as 50 principais economias do mundo, considerando o primeiro trimestre de 2023, deve muito disso ao agronegócio. Embora divergências ideológicas entre produtores e o governo de ocasião façam parte do jogo democrático, bater de frente publicamente com o segmento soa como contrassenso político.

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