Já virou rotina. Funcionários da Coteminas em Blumenau voltaram a paralisar as atividades nesta semana por causa de salários atrasados. Os vencimentos de junho ainda não pingaram na conta dos trabalhadores. No mês passado, o cenário se repetiu e o pagamento foi feito dez dias após o prazo, segundo o Sintrafite, sindicato que representa a categoria.

A entidade protocolou nesta terça-feira (7) mais uma ação trabalhista solicitando à Justiça que determine uma solução imediata para o problema. O sindicato também tentou bloquear valores da Coteminas e redirecioná-los para o pagamento das obrigações, mas teve o pedido rejeitado judicialmente porque isso contrariaria a lei da recuperação judicial, situação em que a companhia se encontra atualmente

De acordo com a entidade, a Coteminas emprega hoje cerca de 300 trabalhadores em Blumenau. O Sintrafite estima que o custo da folha mensal é de em torno de R$ 1,28 milhão.

À coluna, o advogado do Sintradite, Osmar Packer, disse que a empresa ainda não deu previsão de quando os salários serão colocados em dia. A coluna não conseguiu contato com a Coteminas entre o fim da manhã e o início da tarde desta quarta-feira (8). O espaço segue aberto.

O Sintrafite alega que, desde 2023, em apenas dois meses a Coteminas pagou os salários em dia. A empresa vive momento financeiro conturbado, com dívida estimada em R$ 2 bilhões, e está em recuperação judicial. Em maio, teve o plano de reestruturação homologado pela Justiça.

Continua depois da publicidade

A proposta de reestruturação prevê a venda de imóveis industriais, com formação de unidades produtivas isoladas nos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Norte. Não há, no documento, menção a uma possível alienação da fábrica da empresa em Blumenau, o que sugere que a operação catarinense será estratégica na tentativa de retomada.

Continua depois da publicidade