Ao longo de quase 40 anos de trajetória, a Senior Sistemas se posicionou no mercado como uma desenvolvedora de softwares de gestão – e assim se tornou uma das maiores do Brasil no ramo, abrindo filial até no exterior. Mas o cada vez mais rápido avanço da tecnologia vem fazendo a empresa de Blumenau abrir o leque e ampliar essa visão.

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— A gente saiu realmente de uma empresa de software, que automatizava algum tipo de processo, e, ao longo do tempo, foi incorporando outras coisas — diz o CEO Carlênio Castelo Branco.

Os ERPs (sistemas de gestão empresarial) já ganharam a companhia de fintechs (com soluções para o mercado financeiro) e agora estão dividindo os holofotes também com o farto cardápio de possibilidades oferecidas pela inteligência artificial (IA), que introduziu robôs no dia a dia de pessoas e empresas.

A Senior está atenta a isso. Depois de lançar, no ano passado, o Sara (Senior Agent Recommendation & Analysis), primeiro e maior hub de agentes de IA para gestão empresarial da América Latina, a empresa avançou com a criação do Sara Studio. É uma estrutura que promete dar mais autonomia aos clientes na criação de agentes de IA.

Aqui um parêntese para quem ainda não está habituado ao termo – mas que já está sendo impactado por ele e talvez nem saiba. Agentes de IA são sistemas que, além de responderem perguntas de usuários, como já fazem os chatbots, têm um nível de autonomia para tomar decisões e realizar tarefas dentro de fluxos de trabalho. Na prática, funcionam como “funcionários virtuais”.

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Hoje a Senior já tem um amplo ecossistema de agentes de IA e mais de 50 já operam em suas soluções. Mas com o Sara Studio, que foi apresentado durante o Senior Experiencie 2026*, evento da empresa realizado nesta quinta-feira (21) em São Paulo (SP), a ideia é que os clientes criem os seus próprios agentes personalizados, mesmo sem grandes conhecimentos técnicos ou de programação.

Segundo Castelo Branco, a empresa já lida com IA há pelo menos uma década. Dez anos atrás, claro, era tudo menos complexo, e a inteligência artificial não estava no centro dos negócios como agora – compilando dados, potencializando a capacidade de análise e proporcionando decisões mais rápidas e confiáveis, melhorando a produtividade e reduzindo custos.

Esse conjunto de benefícios já está comprovado na prática, avalia o executivo, que considera que a IA superou a fase do “oba-oba”.

— Não tem executivo hoje que não está preocupado com o advento da IA, seja porque ela pode aumentar a produtividade, seja porque ela pode reduzir seus custos, seja porque a IA pode destruir o seu negócio. Então eu acho que existe uma paranoia entre executivos sobre IA. O lado bom é que eu acho que todo mundo está correndo. Claro, uns correndo mais rápido, outros correndo mais lento. Mas todo mundo está de cabeça aberta para isso — analisa.

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Novas funções

O executivo admite que a automatização gerada pela IA avança em algumas áreas e substitui pessoas, como já ocorreu em outras grandes revoluções tecnológicas, mas considera que ela também vai criar funções que ainda não existem – e que demandarão mão de obra especializada.

— Quando chegou o automóvel, eliminou o cara da charrete. Mas veio o motorista de táxi, o motorista de caminhão e por aí vai. Eu acho que o mesmo vai acontecer agora — compara.

Castelo Branco cita como exemplo a função de cientista de dados, algo que não existia 10 anos atrás. O mercado ainda é tão carente dessa especialização que a própria empresa tem encontrado dificuldades. Há vários meses a Senior tenta sem sucesso recrutar um executivo para uma posição de head de IA para liderar a governança interna dessa área dentro da companhia.

Para o CEO, essa nova realidade proporcionada pela IA cria desafios que precisam ser enfrentados desde o início da formação de jovens. Na avaliação dele, no entanto, a educação básica ainda não está pronta para dar uma resposta a isso. Por isso, passa muito também pelas empresas neste momento capacitar e investir em pessoas – a inteligência humana continuará sendo essencial no processo, avalia o executivo, desde que se busque o diferente.

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— As pessoas têm uma capacidade infinita de aprendizado. Basta você apostar nelas, investir nelas, que elas respondam. E isso a gente pode fazer. Eu sempre oriento o pessoal a contratar menos pelo conhecimento e mais pelo potencial, pelo brilho nos olhos. Porque conhecimento a gente consegue dar. Potencial, brilho nos olhos, isso é muito mais difícil.

Aquisições no radar

Em conversa com jornalistas no evento, Castelo Branco admitiu que a Senior está monitorando novas aquisições – um dos pilares de expansão da empresa nos últimos. A companhia já finalizou neste ano a compra da gaúcha Cigam, especialista em ERPs para pequenas e médias, em um negócio avaliado em R$ 162,5 milhões.

— A gente sempre está negociando, pode sair este ano, não posso bater o martelo que vai. Mas nesse momento, a gente está negociando, sim, novas aquisições, até porque essa é a nossa vida — revelou o executivo.

Embora seja um tema em alta dentro da empresa, ele diz que eventuais aquisições não vão necessariamente mirar a IA. O CEO observa que a plataforma tecnológica da Senior já está pronta e que a integração é rápida. Por isso, a busca em operações de M&A (fusões e aquisições) envolve mais produto e base de clientes, acrescenta.

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A Senior vem de uma largada forte em 2026. No primeiro trimestre, houve crescimento nos principais indicadores financeiros, incluindo uma receita líquida de R$ 339,3 milhões, um novo recorde para um período de três meses – o crescimento computado foi de 24,8%.

Também entre janeiro e março, a empresa, pela primeira vez em 38 anos de mercado, registrou um Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) superior a R$ 100 milhões, alta de 36,5% e margem de 29,5%.

Nos últimos anos, a Senior vem crescendo acima de 20%, funcionando como “um reloginho”, diz o CEO. O primeiro trimestre de 2026 reflete uma aceleração difícil para uma empresa que já atingiu um determinado patamar, com receita anual de R$ 1,17 bilhão. O executivo reconhece que ano de eleições e Copa do Mundo – com o plus de taxa de juros e endividamento altos – tende a ser mais conturbado, mas o início foi animador.

— Isolando todo esse problema macroeconômico que a gente está vivendo, o primeiro trimestre foi fantástico.

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*O colunista viajou ao evento a convite da empresa