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    Trânsito

    Taxistas de Blumenau desistem do serviço em meio ao crescimento de aplicativos

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    Por Pedro Machado
    07/02/2021 - 14h00
    Táxi no Centro de Blumenau
    Só em janeiro, 17 permissionários foram descredenciados por falta de interesse na atividade (Foto: Patrick Rodrigues)

    Há cada vez menos táxis rodando em Blumenau e isso já não é mais só uma impressão de quem circula pelas ruas. Segundo a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Seterb), o município tinha 182 permissionários, ou seja, gente autorizada a prestar o serviço, em 2020. Esse número caiu para 159 neste início de 2021. Uma única portaria recente da Seterb, publicada em 27 de janeiro, extinguiu 17 permissões. O motivo? Falta de interesse de quem tinha o direito de explorar a atividade.

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    O desembarque de aplicativos de transporte particular de passageiros na cidade tornou o serviço regulamentado pela prefeitura menos competitivo em preço. Boa parte da freguesia migrou para o Uber – o primeiro app a chegar por aqui, em dezembro de 2016 – e outros similares, que costumam oferecer viagens mais em conta. Sem perspectiva de melhora no cenário, muitos taxistas abandonaram o barco.

    Administrador da Coopertáxi, Cláudio Klock acredita que o número real de carros circulando seja ainda menor. Ele diz que muita gente segue com a permissão ativa, mas está com o veículo parado porque financeiramente não tem compensado rodar. Klock não esconde o desânimo e aposta que mais gente deve entregar a permissão em breve.

    — Não tem muito o que fazer — desabafa.

    Segundo ele, os táxis da cidade faziam em média 26 mil corridas por mês em 2017, quando os aplicativos começavam a aparecer no retrovisor. Em janeiro do ano passado, foram apenas 3,8 mil. No mesmo mês deste ano, menos ainda: 1,5 mil. Além da concorrência, a suspensão de eventos, fonte recorrente de renda para taxistas, provocada pela pandemia contribuiu para que o movimento encolhesse ainda mais.

    “Clandestinos”

    O serviço de táxi em Blumenau é regulamentado por uma lei sancionada no fim de 2015. Os permissionários devem cumprir uma série de exigências estabelecidas pelo poder público, como ter cursos de relações humanas e primeiros socorros. Fora toda documentação cobrada, precisam pagar por alvarás, licenças e vistorias periódicas dos veículos.

    Todos esses custos tornam a atividade mais cara que os aplicativos, a quem Klock chama de “clandestinos” por funcionarem sem regulamentação. Ele refuta até mesmo a expressão “concorrência”:

    — Concorrência é quando eu sou regulamentado e a outra parte é regulamentada, vamos concorrer em preço. Eles (os aplicativos) são clandestinos.

    Taxistas tentaram reagir. Em 2018, boa parte da frota adotou o Unitaxi, um aplicativo com funções semelhantes às dos adversários – como a possibilidade de acompanhar a trajetória do veículo e calcular o valor da corrida. Um dos diferenciais era a não existência de tarifa dinâmica. Parece não ter sido suficiente.

    Na gaveta

    Não faltaram tentativas – e muita resistência – de regulamentação dos aplicativos de transporte em Blumenau. A prefeitura chegou a enviar um projeto para a Câmara de Vereadores em setembro de 2017. À época, a proposta não passou da Comissão de Constituição e Justiça. Vereadores evitaram conflito por não haver, até então, definição sobre o tema em Brasília.

    Em 2019, já com uma lei federal que abria caminho para que as prefeituras regulamentassem o serviço, o então vereador Alexandre Caminha protocolou novo projeto estabelecendo regras para atuação de plataformas tecnológicas que oferecem o serviço de transporte de passageiros. De novo o texto esbarrou na CCJ e sequer foi a plenário. A justificativa foi de que a proposta era irregular por criar competências legais a um órgão vinculado ao Executivo.

    A coluna perguntou à Seterb se uma nova proposta de regulamentação dos aplicativos está no radar, mas não recebeu retorno até o momento desta publicação.

    Resiliência

    Nem tudo, no entanto, é pessimismo. Valderico Bueno tem 48 anos e virou taxista há quatro, justamente quando os aplicativos começaram a chegar na cidade. Ele admite que o número de corridas vem caindo, mas confia no movimento do ponto em que trabalha, ao lado da Igreja Matriz, no Centro.

    — Não tá tudo às mil maravilhas. A gente acredita que agora em fevereiro melhora.

    Vindo de uma família de taxistas, Darlan Pacheco, 40 anos, 21 deles dedicados ao volante, diz que a instabilidade – dias muito bons e outros onde praticamente não há chamadas – é o principal obstáculo da categoria. Ele aposta na fidelização como diferencial, colocando-se quase como um “motorista particular” do cliente. Apesar de reconhecer que houve queda do número de passageiros, Pacheco acredita que há espaço para todos.

    — Para que todo mundo tenha o direito de escolha, competir valores, os dois serviços têm que continuar existindo.

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