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Entrevista

Compra errada pode acabar com o negócio, diz especialista em fusões e aquisições

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Por Pedro Machado
22/07/2019 - 12h55 - Atualizada em: 24/07/2019 - 10h01
Luis Felipe Trovo, sócio-diretor da LKC Capital, empresa especializada em intermediar operações de fusões e aquisições (Foto: Arquivo pessoal)

Os últimos dias foram marcados por duas transações de destaque envolvendo empresas de tecnologia de Santa Catarina. A Intelbras anunciou a aquisição da Seventh, desenvolvedora de soluções para gerenciamento de imagens e controle de acesso, enquanto a Hi Platform informou ter comprado a paulista Yourviews como parte de uma estratégia para reforçar sua plataforma de relacionamento com clientes que fazem compras pela internet.

Não são casos isolados. Dados da KPMG mostram que fusões e aquisições estão em alta neste ramo. Só no primeiro trimestre do ano, companhias de internet (53) e de tecnologia da informação (32) lideraram o volume de transações no mercado brasileiro, que registrou 250 ocorrências – alta de 3% frente o mesmo período de 2018. Para Luis Felipe Trovo, sócio-diretor da LKC Capital, empresa especializada em intermediar esse tipo de operação, o atual momento da economia no Brasil favorece essas movimentações. Confira os principais tópicos da conversa.

Impacto da economia

— Não é o quanto que está crescendo (a economia) que faz o mercado se mexer, mas o quanto está crescendo contra quanto o mercado espera que cresça. Se o mercado acha que vai crescer 1% e na verdade cresce 3%, é ótimo. As ações e a confiança de todo mundo sobem. Se espera-se que a economia cresça 4% e na verdade cresce 3%, é ruim, todo mundo dá um passo atrás. A expectativa é o que gera a decisão. Como a gente está se aproximando de resolver o problema da reforma da Previdência, que é um tema central da economia, e também existem outras reformas em paralelo, há avanço.

Momento atual

— O momento atual impulsiona o volume de transações e o empreendedorismo. E quando você favorece o empreendedorismo, as pequenas crescem e as empresas maiores ou os fundos veem esse potencial e realizam alianças, fusões e aquisições.

Fatores de influência

— Em tecnologia, algo que ajuda muito é a empresa ser disruptiva, fazer algo diferente. Muitas companhias tradicionais estão buscando essas empresas para suprir necessidades que elas não conseguem resolver dentro de casa. Elas perceberam que o mundo está mudando, e que para acompanhar a velocidade dessa mudança precisam fazer parcerias com quem é mais rápido.

Papel das startups

— As startups agregam soluções novas que muitas vezes podem melhorar a eficiência interna da empresa ou que podem ser oferecidas aos clientes. Às vezes essa solução não é nem para ganhar dinheiro, mas para se diferenciar. Você pode comprar sistema e outras coisas que internamente facilitem uma série de pontos de gestão e minimizem custos e despesas da operação. Muitas vezes, nas empresas grandes, uma economia percentual pequena dá um valor absoluto na casa de dezenas de milhões. Aí compensa a aquisição.

Pontos de atenção

— É preciso tomar cuidado não só ao negociar valores, mas em criar uma estrutura de transação que alinhe os incentivos e maximize a chance de sucesso. Tem hora que a melhor coisa é fazer uma compra minoritária. Em outras é uma compra de 100%, com pagamento vinculado à performance ou uma joint-venture. Para identificar isso, é preciso uma assessoria financeira qualificada e que entenda o setor, conheça as finanças corporativas nos detalhes, a região e a cultura das empresas. Uma compra errada pode acabar com o negócio.

Captação

— O grosso das transações é de captação de investimentos. As de venda total ainda são mais raras porque o momento da tecnologia ainda é de crescimento e empreendedorismo. Daqui a alguns anos, quando o mercado ficar mais maduro, vai haver mais saídas, que são as vendas de 100%. Os fundos estão olhando para Santa Catarina com cada vez mais carinho.

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