Pelo menos duas grandes empresas de Blumenau fizeram mudanças internas nas últimas semanas, com foco na reestruturação da área de tecnologia e corte de custos. Na Philips, houve ajustes na equipe. Nos bastidores, fala-se em um layoff (suspensão temporária de contratos) que teria atingido entre 20 e 40 funcionários.

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A multinacional holandesa não confirma os números, mas também não nega o movimento. À coluna, informou que “analisa regularmente as suas operações para se alinhar com as necessidades do mercado”.

A Philips também rechaçou o rumor de que a reestruturação estaria diretamente ligada à venda do Tasy – software de gestão hospitalar com DNA blumenauense adquirido pela companhia em 2010 e hoje com mais de 2 mil clientes na América Latina. O produto foi negociado no fim do ano passado com a Bionexo por 161 milhões de euros.

“Os recentes ajustes na equipe não estão relacionados com a transação do Tasy e seguem os procedimentos comerciais normais, em conformidade com os regulamentos locais. Continuamos comprometidos em oferecer inovações que contribuam para um melhor atendimento a mais pessoas”, disse a companhia em nota.

Em outra frente, a Central Ailos, que presta serviços para um grupo de 13 cooperativas de crédito, demitiu cerca de 60 profissionais. A instituição não detalhou os setores afetados, mas a coluna apurou que houve cortes na área de tecnologia.

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Em nota, a Central Ailos explicou que realizou um “redirecionamento estratégico, alinhado à evolução do negócio e às prioridades para os próximos ciclos”. Isso envolveu a descontinuidade de algumas atividades, que resultou em uma adequação do quadro de colaboradores.

“Estamos conduzindo esse processo com responsabilidade, respeito às pessoas envolvidas e em conformidade com a legislação trabalhista, oferecendo o suporte necessário durante a transição. Seguimos comprometidos com a sustentabilidade, a continuidade e a solidez do Sistema Ailos”, explica.

Embora as empresas evitem expor mais detalhes dos motivos do redesenho da estratégia, esse tipo de movimento não chega a provocar surpresa para quem atua no setor. O presidente do Blusoft, Cesar Griebler, que também é empresário no ramo, considera as reorganizações como algo natural, fruto do dinamismo tecnológico.

Quando a pandemia estourou, muitas empresas, algumas até sem muita alternativa diante da crise sanitária, aceleraram a estratégia digital. Isso, diz Griebler, fez crescer a demanda por profissionais, inflacionando os salários. A situação agora se estabilizou, mas os custos dessa mão de obra permaneceram. Além disso, o avanço da inteligência artificial também começou a mudar algumas rotinas, com a automação de mais funções.

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— A gente enxerga que esse movimento não necessariamente substitui as pessoas, mas elimina tarefas que são mais repetitivas — avalia o dirigente.

Griebler não descarta a possibilidade de que outras grandes empresas façam layoffs ou demissões, seja por reestruturação interna com o advento de novas tecnologias ou até mesmo para substituir uma mão de obra mais cara por outra mais barata:

— Eu entendo que são ciclos normais, que acontecem em qualquer empresa.

Quais as maiores empresas de SC

Fonte: Anuário Valor 1000. Crédito das imagens: Divulgação e Arquivo NSC Total

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