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    Entre o bolsonarismo raiz e a direita moderada, eleitor de Blumenau mirou a segunda opção

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    Por Pedro Machado
    16/11/2020 - 06h00
    Urna eletrônica
    Blumenauenses escolherão o próximo prefeito no segundo turno (Foto: Diorgenes Pandini, BD)

    Dois anos atrás Blumenau deu 71% dos votos válidos a Jair Bolsonaro (à época no PSL) no primeiro turno das eleições para a presidência do Brasil. No segundo, quando a disputa pelo comando do país ficou restrita a ele e Fernando Haddad (PT), o resultado foi ainda mais acachapante: 162.622 blumenauenses, o equivalente a 84% do eleitorado, depositaram confiança no capitão da reserva. Com um discurso “contra tudo isso que está aí”, Bolsonaro amealhou o apoio de uma população desgostosa com a corrupção, apreensiva com a crise econômica e ávida por mudanças radicais no alto escalão da política nacional.

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    Antes que você, caro leitor, pergunte por que estou lembrando do pleito federal de 2018 se neste domingo (15) o blumenauense foi às urnas para escolher prefeito e vereadores a partir de 2021, já me adianto: é que o resultado da eleição municipal de agora pode dizer muito sobre o comportamento do mesmo blumenauense na eleição passada. Há dois anos, não custa lembrar, o Brasil vivia – use o verbo no presente e você não estará de todo errado – uma polarização política protagonizada por extremos: de um lado um candidato antissistema e de outro o que para muitos era simplesmente sinônimo de Lula.

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    A votação histórica colhida por Bolsonaro em Blumenau naquela ocasião pode ter várias explicações: alinhamento ao liberalismo econômico, uma guinada ao conservadorismo nos costumes, predileção por um nome de fora da “velha política” – uma narrativa que colou mesmo com ele tendo acumulado 28 anos de carreira na Câmara dos Deputados – ou simplesmente ojeriza à esquerda. É provável que aquele resultado de 2018 tenha sido fruto de tudo isso um pouco. Mas nunca ficou exatamente claro qual desses elementos acabou tendo mais peso nas urnas.

    Voltemos, enfim, a 2020. A votação deste domingo sugere que, de todos os ingredientes citados no parágrafo anterior, o último foi o principal combustível do expressivo apoio conferido pelo blumenauense a Bolsonaro. Das 12 candidaturas à prefeitura colocadas à mesa neste ano, quatro estavam alinhadas, umas mais e outras menos, a pautas e valores da esquerda. Mas, ao contrário do cenário de 2018, elas em momento algum, como anteciparam as pesquisas, representaram uma “ameaça” ao massivo eleitorado municipal de direita. As urnas mostraram, uma vez mais, a resistência local a esse espectro político. Juntos, PT, PDT, PSOL e PC do B somaram apenas 10,5% dos votos válidos. É pouco se lembrarmos que petistas já governaram a cidade por oito anos, entre 1997 e 2004, com Décio Lima.

    Sem a esquerda no caminho, o eleitor de Blumenau desta vez se viu diante de um cardápio mais amplo de alternativas a partir do centro, rumo à direita. Dentre tantas opções, as urnas acabaram levando Mario Hildebrandt (Podemos) e João Paulo Kleinübing (DEM) para a prorrogação da partida eleitoral. Ambos, em alguns aspectos, se identificam com Bolsonaro – que segue com alta aprovação na cidade, um indicador que não pode ser ignorado pelos estrategistas das campanhas. 

    Tanto um quanto outro repetiram, ao longo da corrida eleitoral, o discurso de preservação de empregos e da saúde da economia e evitaram falar em lockdown mesmo com os números do coronavírus em nova ascensão. Mas, por outro lado, ficaram bem distantes da verborragia, do negacionismo e da aura conspiratória que circunda o presidente da República. Em resumo, não minimizaram o poder do vírus, mas deram sinais, sem excessos, a quem duvida disso. Entre o bolsonarismo mais raiz, representado neste pleito mais pelo PSL de Ricardo Alba e pelo PL de Ivan Naatz, e a direita moderada, o blumenauense mirou a segunda opção.

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