Gestão da tradicional marca blumenauense saiu das mãos da família fundadora em 2025 (Foto: Divulgação)
Membros da família Hering querem voltar a controlar a marca, hoje sob o guarda-chuva da Azzas 2154, tornando ela independente de novo, segundo informação divulgada nesta terça-feira (23) pelo Pipeline, site de negócios do Valor Econômico.
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De acordo com a publicação, um grupo de acionistas que detém 11% do capital da Azzas e é capitaneado pela família Hering contratou o BR Partners para intermediar as conversas, e o banco já teria feito uma primeira abordagem ao conselho e assessores financeiros da companhia.
Esse grupo estaria disposto a fazer uma proposta de compra da Hering ou aumentar a posição na empresa, dentro de um eventual processo de cisão de marcas. Neste caso, o negócio ocorreria por meio de troca dos papéis proporcionais nos demais ativos da Azzas, sem afetar outros acionistas minoritários, apurou o Pipeline.
A Azzas vive cenário societário delicado, com conflitos de governança e disputas entre seus dois principais sócios, e já contratou assessoria para avaliar uma possível venda da Farm, outra grife de peso do grupo.
A Hering, por sua vez, deixou de ter o DNA da família fundadora à frente da gestão pela primeira vez em 145 anos em outubro do ano passado, quando a Azzas anunciou a saída de Thiago Hering da linha de frente da unidade Basic – que tem justamente a grife dos “dois peixinhos” como carro-chefe.
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Na nova abordagem, a família ainda não apresentou uma proposta, mas disse ao conselho da Azzas que está trabalhando nisso, acrescentou o Pipeline. À publicação, a Azzas disse que não comenta especulações de mercado e afirmou que a Hering não está à venda.
Reviravolta
Uma eventual operação dessa natureza representaria uma verdadeira reviravolta na história recente da Hering. Em abril de 2021, o conselho da companhia rejeitou uma proposta de compra de R$ 3,3 bilhões da Arezzo, do empresário Alexandre Birman – hoje o presidente da Azzas. Na época, a oferta foi considerada “ruim” internamente.
Duas semanas depois, no entanto, a empresa aceitou uma outra oferta, maior, do Grupo Soma, na casa dos R$ 5 bilhões. O destino, no entanto, acabaria unindo Arezzo e Soma três anos mais tarde, em uma fusão que sacudiu o mercado da moda mas que, até agora, tem se revelado confusa e sem capturar as sinergias que se esperava inicialmente.
No primeiro trimestre deste ano, o conjunto de marcas da Hering registrou queda de 19% na receita.
Quais indústrias de SC já passaram dos 100 anos
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Cia. Hering (1880) – Criada em Blumenau no século 19, tornou-se uma das maiores do Brasil em vestuário e implantou uma bem-sucedida operação no varejo. Em 2021, foi comprada pelo Grupo Soma (Foto: Divulgação)
Baumgarten (1881) – Começou imprimindo jornais em Blumenau e, depois, virou uma das maiores gráficas de rótulos das Américas. Em 2016, fundiu-se com empresas alemãs, criando a All4Labels (Foto: Patrick Rodrigues)
Döhler (1881) – Também fundada por um imigrante alemão, em Joinville. É conhecida como uma das principais marcas de produtos para cama, mesa e banho do Brasil. (Foto: Reprodução)
Grupo H. Carlos Schneider (1881) – O grupo, de Joinville, reúne sete empresas de diversos segmentos, entre elas a Ciser, fabricante de soluções em fixação, e a Hacasa, de empreendimentos imobiliários. São mais de 2 mil funcionários e 20 mil clientes em mais de 25 países (Foto: Divulgação)
Karsten (1882) – Fabrica artigos de cama, mesa e banho. Em 2014, integrantes da família fundadora decidiram vender uma fatia da empresa de Blumenau para novos acionistas (Foto: Lucas Correia, BD)
Aludin e Grupo Fretta (1895) – Nasceu na colônia de Azambuja, hoje Pedras Grandes. Destaca-se no varejo com a rede Casas Fretta, mas diversificou negócios e entrou na construção civil e na indústria (Foto: Divulgação)
Pureza (1905) – Localizada em Rancho Queimado, começou as atividades fabricando cerveja, mas hoje é mais conhecida pela linha de refrigerantes, especialmente do sabor guaraná (Foto: Divulgação)
Firma Weege/Malwee (1906) – Nasceu como comércio, cuja principal atividade em Jaraguá do Sul era o açougue. Antes de lançar a marca de moda Malwee, a família também teve frigorífico (Foto: Divulgação)
Lepper (1907) – Outra grande fábrica têxtil fundada em Joinville e atuante até hoje com uma linha de produtos de cama, mesa e banho (Foto: Divulgação)
Hoepcke (1913) – Fabricante de rendas e bordados fundada em Florianópolis, mas que no fim da década de 1970 transferiu as atividades para São José (Foto: Reprodução, Fiesc)
Hemmer (1915) – Nasceu quando um imigrante alemão decidiu produzir chucrute em Blumenau. Depois vieram as conservas e molhos como mostarda e ketchup. Foi comprada pela Kraft Heinz (Foto: Artur Moser, BD)
Minancora (1915) – Criada pelas mãos de um farmacêutico português em Joinville e famosa pela pomada homônima usada para tratamento da pele (Foto: Reprodução, Facebook)
Wanke (1918) – Iniciou sua trajetória como fábrica de instrumentos agrícolas montada para garantir a subsistência de uma família de imigrantes austríacos (Foto: Divulgação)
Altenburg (1922) – Maior fabricante de travesseiros da América Latina, iniciou pela imigrante Johanna Altenburg em Blumenau. Fabrica artigos de cama, mesa e banho (Foto: Patrick Rodrigues, BD)
Gaitas Hering (1923) – A história começou pelas mãos de operários e sobreviveu. De Blumenau, é a única empresa de toda a América Latina que ainda produz gaitas de boca harmônicas (Foto: Patrick Rodrigues, BD)
Max Wilhelm (1925) – Famosa principalmente pelo refrigerante de laranjinha, a empresa nasceu em Jaraguá do Sul, mas consolidou fábrica em Blumenau (Foto: Pedro Machado, NSC Total)
Teka (1926) – Uma das principais empresas têxteis do Brasil, líder em toalhas para a rede hoteleira, com fábricas em Blumenau e Artur Nogueira (SP) (Foto: Pedro Machado, Arquivo NSC Total)