O Grupo Lunelli já buscava uma parceria com alguma camisaria antes de a Restoque anunciar, em abril, o fechamento da antiga fábrica da Dudalina em Luiz Alves. Os ativos deixados pela gigante varejista – uma área pronta para receber uma linha de costura e, principalmente, pessoas qualificadas para o serviço – atraíram a companhia, que alugou parte do espaço e iniciou as operações no município no dia 24 de julho.

Continua depois da publicidade

​Curta Pedro Machado no Facebook​​​​​​​​​​​

Leia mais notícias de Pedro Machado​​​​​​​​​

Lá o objetivo é centralizar a produção da marca Hangar 33, uma das cinco que compõem o portfólio do grupo que hoje tem 16 fábricas, emprega 4,2 mil funcionários e faturou R$ 720 milhões no ano passado.

O diretor presidente Dênis Luiz Lunelli revela que a meta é triplicar o número de funcionários em até oito meses – dos atuais 30 para 100 – e que a empresa estuda novas fusões e aquisições. Confira a entrevista concedida pelo executivo ao blog.

Continua depois da publicidade

Quais os planos da Lunelli para a operação de Luiz Alves?

Em Luiz Alves, estrategicamente, vai ficar uma planta focada em camisaria. A nossa intenção, com o crescimento, é centralizar lá a produção da Hangar 33, uma marca masculina que nasceu em 2012 e ainda é jovem dentro do grupo.

São quantos funcionários hoje? Há expectativa de aumento nesse quadro?

Nesse momento estamos com cerca de 30 colaboradores, com previsão de nos próximos seis a oito meses chegar a 100 funcionários focados nesse mundo masculino de camisaria.

Como a empresa decidiu instalar uma unidade na cidade?

A decisão, primeiramente, tem um cunho emocional, de ligação da família Lunelli com Luiz Alves. Foi a primeira cidade que o nosso bisavô morou quando veio da Itália. E também por uma relação que a gente tem com o Rui (Hess de Souza) e a família Souza (fundadora da Dudalina), que nos comunicaram do fechamento (da antiga fábrica da camisaria). Isso também nos ajudou a tomar essa decisão, no sentido de não perder um know how instalado, uma capacidade criativa e uma qualidade das pessoas. Há um potencial instalado que precisamos respeitar.

Como o cenário de instabilidade econômica e política tem afetado os negócios do grupo?

Sempre incomoda e afeta. Mas a gente procura alternativas, trabalhar e buscar melhorias internas. Quando a gente olha o cenário nacional, é quase motivo de depressão para o empresário. Hoje é muito difícil vir uma notícia que nos motive e ajude. Uma das dicas que a gente tem aqui dentro é olhar menos notícias, porque elas não são boas, e trabalhar mais. Essa tem sido a nossa estratégia para não se deixar contaminar pelo pessimismo. A gente sabe que o Brasil tem um grande potencial e continuamos acreditando no país, nas pessoas que estão conosco. Mercado sempre vai existir para quem atende bem, com qualidade. Por mais que o Brasil esteja nesta situação, cabe a nós trabalhar um pouco mais e buscar motivação mais forte para dar conta.

Continua depois da publicidade

Quais são os próximos planos? Há novos investimentos do grupo?

Sempre há. Parar é andar para trás. Temos sempre que estar evoluindo e crescendo. Estamos de olho em oportunidades e investimentos. Há muita empresa e marca boas que às vezes precisam de um empurrãozinho, um nível de gestão melhor. A gente pensa em avançar. O mercado têxtil é muito pulverizado. Nosso share é muito pequeno perto do potencial, então dá para crescer muito mesmo com o país em dificuldade.

Já há algum movimento mapeado ou mais avançado?

Acabamos a terceira ampliação do parque fabril do Nordeste, que hoje é a nossa maior planta em número de colaboradores. Estamos investindo. A fábrica de Avaré (SP) está com todo o seu potencial hoje, não tem para onde crescer. Estamos com uma planta embrionária há dois anos no Paraguai, que também acreditamos que é um caminho de expansão. E estudando fusões e aquisições no nosso mercado. Oportunidade tem bastante. Tem que ter tempo, foco e dinheiro para isso tudo (risos).