Uma das mais tradicionais malharias do polo têxtil do Vale do Itajaí pediu falência. A Malhas Isensee, de Gaspar, decidiu colocar um ponto final em uma história de meio século diante de uma crise financeira que a empresa, à Justiça, classificou como irreversível. Assinada pelo juiz Uziel Nunes de Oliveira, da Vara Regional de Falências, Recuperação Judicial e Extrajudicial de Jaraguá do Sul, a sentença com a decretação de falência foi publicada na última terça-feira (31).

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No pedido de autofalência apresentado em janeiro deste ano, a empresa alega que “sucumbiu a uma crise estrutural” e disse ter uma dívida de R$ 46,7 milhões, a maior parte fiscal e tributária. O passivo trabalhista soma cerca de R$ 1,4 milhão.

Os problemas relatados incluem patrimônio comprometido por penhoras e averbações, insolvência de caixa e extratos bancários que revelam a incapacidade de honrar com obrigações financeiras, incluindo programas de parcelamento de dívidas tributárias.

A empresa cita ainda um “colapso da atividade operacional”, com queda de 50% na receita nos últimos anos, o que comprovaria “o esgotamento do ciclo produtivo e a inviabilidade econômica do negócio”.

“A conjugação de fatores macroeconômicos nos últimos três anos, notadamente as profundas transformações do mercado, a concorrência externa e a contração da demanda interna, com o aumento dos custos operacionais e a elevada carga tributária, tornou a situação insustentável”, cita o documento.

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Sem caixa, sem acesso a crédito e com patrimônio penhorado, a companhia descartou a possibilidade de recuperação judicial pela impossibilidade de ainda ser economicamente viável – por isso a opção de autofalência.

Fundada em 1975, a Malhas Isensee empregava cerca de 30 pessoas e atuava com moda infantil e juvenil. A empresa tem três imóveis e máquinas e equipamentos que serão levantados para ir a leilão. Uma estimativa prévia da própria empresa aponta que os bens somam cerca de R$ 8,5 milhões.

O advogado Cleber Gleideson da Costa, nomeado para atuar como administrador judicial do caso, disse à coluna que acredita ser possível ao menos quitar as dívidas trabalhistas. Até o momento, a coluna não conseguiu contato com a Malhas Isensee para comentar o caso. O espaço segue aberto.

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Fonte: Anuário Valor 1000. Crédito das imagens: Divulgação e Arquivo NSC Total

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