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    Porcelanas Schmidt terá assembleia decisiva para o futuro da empresa; entenda

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    Por Pedro Machado
    26/10/2020 - 15h47 - Atualizada em: 27/10/2020 - 15h57
    Porcelanas Schmidt
    Schmidt se consolidou como uma das maiores empresas de porcelanas do Brasil (Foto: Gilmar de Souza, BD)

    Os próximos dias serão decisivos para o futuro da Schmidt, uma das mais tradicionais indústrias de porcelanas do Brasil. A Justiça marcou para esta terça-feira (27) uma assembleia geral em que credores vão votar pela aprovação ou não do plano de recuperação judicial da empresa. É a partir deste documento que a companhia propõe como pagar suas dívidas – o passivo atual chega a R$ 71 milhões. Se não houver quórum, uma segunda convocação já está agendada para 3 de novembro.

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    Se levado adiante, o plano vai resultar em uma grande reestruturação do grupo. Um dos principais pontos é a criação de uma unidade produtiva isolada (UPI) – estratégia já utilizada com sucesso em Santa Catarina pela fabricante de colchões Mannes – da operação de Campo Largo (PR), onde fica a sede da Schmidt atualmente. Na prática, a ideia é repassar a fábrica para algum investidor e usar o dinheiro da venda para quitar principalmente as dívidas trabalhistas, hoje na casa dos R$ 16 milhões. Os recursos que sobrarem seriam reinvestidos no negócio.

    A UPI de Campo Largo inclui a venda da própria marca homônima, sinônimo de pratos e louças. Segundo Eduardo Agustinho, advogado da Schmidt, a proposta é que a empresa possa continuar explorando a marca por um período de até 10 anos sem a necessidade de pagar royalties aos novos donos. Nesse período, a Schmidt concentraria esforços no fortalecimento da linha Real, que já integra o atual portfólio e teria, no futuro, uma produção mais reduzida.

    Pomerode, onde a fábrica de porcelanas nasceu, passaria a ter papel fundamental na projeção futura do negócio, apesar do recente esvaziamento da operação local, com demissão de funcionários. De acordo com Agustinho, a ideia da empresa é concentrar na cidade e em outra unidade já existente, no estado de São Paulo, a produção de peças da marca Real, que se tornaria a principal do grupo.

    Outra pretensão é locar parte da área da fábrica pomerodense, que fica em um prédio histórico, para exploração comercial e turística, com possibilidade de uma parceria público-privada.

    Este não será o primeiro plano de recuperação judicial apresentado pela Schmidt. Um documento chegou a ser aprovado pelos credores, mas a Justiça mandou refazer o processo alegando inconsistências. Caso os credores rejeitem a proposta, abre-se caminho para a decretação de falência da empresa.

    Entenda o caso

    A Schmidt foi fundada em 1945 pelo engenheiro ceramista alemão Erwin Schmidt. Três anos depois, adquiriu a Porcelana Real, promovendo a fusão das duas fábricas. Em 1956, comprou outra empresa do ramo, a Steativa, expandindo a produção para o município de Campo Largo (PR). Ainda nos anos de 1950 exportou pela primeira vez aos Estados Unidos.

    Nas décadas seguintes a Schmidt consolidou posição de liderança no setor, sustentada na qualidade e no acabamento refinado da sua linha de produtos. A empresa chegou a deter metade do mercado brasileiro de porcelanas finas de mesa.

    No início deste século, no entanto, começaram a surgir as dificuldades financeiras, aceleradas pela concorrência de produtos asiáticos que chegavam ao país. Em 2008, a filial de Mauá (SP) pediu recuperação judicial. Oito anos depois, no dia 24 de maio de 2016, em meio à grave recessão econômica enfrentada pelo Brasil, o grupo fez um novo pedido, desta vez abrangendo todas as suas operações – incluindo as de Pomerode e Campo Largo (PR).

    Na petição apresentada à época, a companhia alegou que era “notório o quadro de crise política e econômica no qual o Brasil se encontra e os efeitos negativos desse cenário para as empresas cujas atividades têm dependência relevante do mercado interno”. As vendas sofreram queda abrupta.

    Àquela altura, a filial de Mauá já havia sido desativada e a Schmidt ainda amargava prejuízos sofridos entre 2005 e 2008, resultados “da invasão no mercado brasileiro da porcelana chinesa”, como dizia a petição. A empresa também tinha altos custos de produção, energia e distribuição e dependia de descontos de títulos por meio de factorings para girar a operação comercial, o que agravava ainda mais o caixa.

    O pedido de recuperação judicial foi deferido menos de um mês depois de ser protocolado, no dia 14 de junho de 2016. Na época, a dívida da Schmidt era de R$ 30,8 milhões. Esse número mais que dobrou em cerca de quatro anos, saltando para R$ 71,2 milhões, segundo consta em relatório mensal das atividades apresentado pela Credibilitá, empresa responsável pela administração judicial da Schmidt.

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