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Presidente da Hering: "impressão que se tinha de que o eletrônico ia destruir o físico é totalmente errada"

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Por Pedro Machado
07/03/2021 - 16h28
Fabio Hering
Fabio Hering, presidente da Cia. Hering (Foto: Divulgação)

O crescimento do comércio eletrônico não é uma ameaça às lojas físicas, pelo contrário. Esses dois canais de venda se complementam e o futuro do varejo indica que eles convivem em harmonia. A avaliação é de Fabio Hering, presidente da Cia. Hering, em entrevista à Folha de S. Paulo publicada neste fim de semana. Dentro da companhia, acrescentou o executivo, a pandemia acabou ajudando a acelerar uma transformação digital e um processo de integração desses meios que já estava em curso.

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— O ambiente físico é companheiro do eletrônico e vice-versa. Aquela impressão que se tinha de que o eletrônico ia destruir o físico é totalmente errada — destacou à coluna Painel S.A, assinada pela jornalista Joana Cunha.

Essa percepção talvez nunca tenha ficado tão clara nos 140 anos de história da Cia. Hering quanto em 2020. Há cerca de um ano, quando o coronavírus desembarcava com força no Brasil, a companhia decidiu fechar todas as suas lojas próprias e recomendou o mesmo para a rede de franqueados. As atividades nas fábricas chegaram a ser suspensas, grande parte dos funcionários recebeu férias coletivas e todos tiveram redução de jornada e salário. Cerca de 750 colaboradores foram demitidos.

A retomada gradual das atividades veio acompanhada de uma alta demanda, considerada inesperada pela companhia. Mas apesar de positiva, ela não foi suficiente para evitar perdas significativas no ano passado. Em 2020, a Cia. Hering teve receita líquida de R$ 1,07 bilhão, a mais baixa em dez anos.

Por outro lado, as vendas no comércio eletrônico saltaram quase 160% no ano, com altas expressivas no tráfego e no número de novos clientes que compraram no site pela primeira vez. Com o caminho indicado para retomar o crescimento, a Cia. Hering anunciou, para 2021, um investimento recorde de R$ 131 milhões, focado principalmente no digital.

O varejo físico seguirá sendo um ativo importante na estratégia de expansão da companha, apontou Fabio à Folha de S. Paulo, destacando que a atual rede de 758 lojas serve também de “ponto de distribuição para o ecommerce”:

— Se eu tenho mais de 700 lojas espalhadas no Brasil, eu tenho potencial de mais de 700 hubs de distribuição para o cliente poder comprar e receber em horas sem sair de casa.

Análise do cenário

O executivo também classificou a pandemia como “tristeza, pelos mortos, pela doença e porque traz mais desigualdade social” e avaliou que o governo “até trouxe uma boa reação, com planos consistentes para manutenção do emprego dentro do possível”.

Fabio acrescentou que o auxílio emergencial era “algo importantíssimo para fazer as pessoas que não tinham renda sobreviverem”, mas “não para fazer elas trocarem de geladeira, de carro”, o que na opinião dele acabou criando uma “certa demanda artificial”.

O presidente da companhia ressaltou que o compromisso com a agenda liberal, parte integrante da campanha do governo, “é posto em xeque às vezes”, o que “deixa a sociedade, não só o empresário, meio confusa sobre qual é o caminho”, citando o episódio da troca de presidente na Petrobras como exemplo. Ele disse ainda que é importante que as lideranças demonstrem coerência e consigam encontrar “um caminho de calma para a população e retomada dos negócios sem essas oscilações fecha tudo ou abre tudo”.

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