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"Jamais vamos interferir na Petrobras", diz Bolsonaro ao anunciar que quer interferir na Petrobras

Presidente disse que não pretende interir na política de preços, mas prometeu mudanças e disse que "povo não pode ser surpreendido com certos reajustes"

19/02/2021 - 15h19 - Atualizada em: 19/02/2021 - 15h22

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Folhapress
Por Folhapress
Bolsonaro falou sobre preço de combustíveis em evento em Pernambuco
Bolsonaro falou sobre preço de combustíveis em evento em Pernambuco
(Foto: )

Em visita-relâmpago a Pernambuco, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reafirmou na manhã desta sexta-feira (19) que fará mudanças na Petrobras.

"Anuncio que teremos mudança sim na Petrobras. Jamais vamos interferir nesta grande empresa e na sua política de preços, mas o povo não pode ser surpreendido com certos reajustes", discursou.

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Sem citar o nome do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, Bolsonaro mandou um recado. "Exijo e cobro transparência de todos aqueles que eu tive a responsabilidade de indicar", afirmou.

O presidente disse que o governo federal tem feito a sua parte. "Tomamos a decisão de zerar todos os impostos federais relativos ao botijão de gás. Se na origem ele custa menos de R$ 40, não tem justificativa na ponta custar R$ 90 ou R$ 100", discursou.

Ele também voltou a dizer que decidiu zerar nos próximos dois meses os impostos federais do diesel. O anúncio já havia sido feito durante live semanal do presidente na noite desta quinta (18).

Segundo o presidente, o PIS/Cofins que incide sobre o combustível será suspenso por dois meses a partir de 1º de março.

Reflexo das falas de Bolsonaro na quinta, as ações da Petrobras caíam mais de 5% na manhã desta sexta. ​

"Se lá fora aumenta o preço do barril do petróleo e aqui dentro o dólar está alto, sabemos das suas repercussões nos preços do combustível. Mas isso não vai continuar sendo um segredo de estado", disse o presidente.

A Petrobras informou nesta quinta dois novos reajustes nos preços da gasolina e do diesel, que subirão 10,2% e 15,1%, respectivamente, a partir desta sexta (19). É o quarto reajuste da gasolina e o terceiro do diesel em 2021.

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Os reajustes anunciados são os maiores deste ano. Desde janeiro, o preço da gasolina vendida pela Petrobras acumula alta de 34,7%. O diesel subiu 27,7% no mesmo período.

Não é a primeira vez que Bolsonaro promete alterar o preço dos combustíveis neste ano. Na semana passada, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei complementar que pretende mudar a forma de cobrança do ICMS (imposto estadual) sobre combustíveis. A ideia é definir um valor fixo por litro, e não mais sobre a média de preços das bombas.

O texto ainda estabelece que a cobrança será feita diretamente nas refinarias, e não nos postos de gasolina.

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Interligação Rio São Francisco e Pernambuco

Bolsonaro acionou na manhã desta sexta a abertura de comportas do Ramal do Agreste, no interior de Pernambuco, que vai possibilitar o início dos testes na estrutura hídrica interligada à transposição do rio São Francisco.

O ramal, orçado em R$ 1,67 bilhão e com 84,15% de execução, só deve ser concluído em junho de 2021. No ano passado, foram investidos R$ 559,5 milhões na obra, que mobiliza 2,6 mil trabalhadores.

Do reservatório de Barro Branco, em Sertânia, onde as comportas foram abertas pelo presidente, a água passa por oito canais, três sifões e três túneis, que somam 37,4 quilômetros, até chegar ao reservatório Negros, no mesmo município.

Toda essa estrutura integra o chamado Marco 1 da intervenção, que ainda é composto por mais dois trechos. O empreendimento tem 70,8 quilômetros de extensão e capacidade de vazão de 8 mil litros de água por segundo.

Quando estiver concluído, o Ramal do Agreste levará as águas do Eixo Leste do projeto de Integração do Rio São Francisco à região de maior escassez hídrica de Pernambuco. A previsão é que a intervenção atenda 68 cidades e mais de 2,2 milhões de pessoas por meio da Adutora do Agreste, que é tocada pelo governo de Pernambuco.

"Água é vida para esse povo sofrido. Isso é mais do que ganhar na mega-sena. Água não tem preço", discursou o presidente.

* Por João Valadares

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