O governador Jorginho Mello (PL) fez um movimento calculado ao oficializar nesta sexta-feira (13) a retomada das obras do primeiro trecho do prolongamento da Via Expressa em Blumenau. Por si só, o anúncio já justificaria a comemoração de aliados e da comunidade. Afinal, são anos sem um fato concreto e de falta de perspectiva para a conclusão de um projeto que promete melhorar a mobilidade urbana em um trecho crítico da região. A aposta, por outro lado, tem seus riscos.
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A ordem de serviço assinada dará “funcionalidade”, palavra muito repetida pelo governador na manhã desta sexta, a cerca de três quilômetros entre a BR-470 e a Rua Theodoro Pasold, na Fortaleza Alta. Ali já há um bom trecho pavimentado, que precisa de ajustes de acessos e sinalização viária. O governo do Estado chegou a um acordo com a empresa responsável e vai pagar cerca de R$ 30 milhões para deixar tudo pronto em até 12 meses – Jorginho disse, no entanto, que quer antecipar o prazo para 10 meses.
O bônus do movimento é evidente: Jorginho se coloca como o responsável por desatar o nó daquela que já foi considerada a maior obra inacabada de Santa Catarina, encarada com descaso por mais de uma década. A retomada das obras da Via Expressa, ainda que de um trecho de somente 20% do projeto, adiciona mais um item na lista de ações do governador no terceiro maior colégio eleitoral do Estado.
Veja fotos do trecho da obra que será retomado
É uma relação bastante considerável, que já tem a municipalização do Complexo do Sesi, investimentos para a construção de uma nova torre no Hospital Santo Antônio, a entrega da revitalização da Margem Esquerda e a concessão de bolsas de estudos para a Furb via programa Universidade Gratuita. Tudo isso certamente será explorado pelo governador e aliados na campanha deste ano.
Mas o risco também existe. Como ficam os 12 quilômetros do prolongamento da Via Expressa que ainda faltam? Ninguém arrisca dizer. A resposta de que “isso se vê depois” é tão justa, porque de fato seria imprudente fazer qualquer previsão neste momento, quanto conveniente. Para o restante, o governo do Estado precisará refazer todo o projeto – o anterior teve problemas com erros e licenças ambientais.
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Em conversa com a coluna e com a reportagem do NSC Total, o secretário de Infraestrutura, Jerry Comper, disse que as empresas têm pedido pelo menos dois anos para elaborar projetos desta magnitude. E foi bastante sincero: seria humanamente impossível finalizar esse trabalho ainda em 2026. Há toda burocracia de contratação envolvida.
Os valores para concluir o restante também são um mistério. Em uma audiência pública realizada em maio do ano passado na Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa a pedido do deputado estadual Napoleão Bernardes (PSD), o próprio Comper admitiu que esta era a obra mais travada da pasta e que, em valores corrigidos, o prolongamento da Via Expressa ficaria pelo menos quatro vezes mais caro do que o inicialmente orçado – R$ 138,7 milhões quando a ordem de serviço foi assinada, em setembro de 2014.
Ao falar sobre o prolongamento da Via Expressa logo que chegou ao centro empresarial de Blumenau na manhã desta sexta, Jorginho chegou a se referir a ela como uma “obra eleitoreira” do passado. A partir do momento em que retoma os trabalhos, o governador invariavelmente gera uma expectativa de resolver tudo no futuro, não apenas uma parte.
Como a elaboração de um novo projeto não é simples e a conclusão dos 12 quilômetros restantes demandará um bom dinheiro, é razoável enxergar a questão com cautela. Será preciso um considerável esforço político para entregar, ou pelo menos deixar bem encaminhado, todo o prolongamento da Via Expressa nos próximos quatro anos caso Jorginho consiga a reeleição. Do contrário, o seu governo engrossará a lista daqueles que foram incapazes de dar fim à novela.
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