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Opinião

Região mais rica de SC, Vale é refém de trocados para monitorar enchentes com eficiência

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Por Pedro Machado
22/01/2021 - 17h18 - Atualizada em: 23/01/2021 - 08h09
Chuvas no Vale
Problemas em equipamentos estão dificultando a medição do nível dos rios (Foto: Patrick Rodrigues)

O Vale do Itajaí concentra 30% da economia de Santa Catarina. Em números absolutos, seus 54 municípios somam um PIB de quase R$ 90 bilhões – considerando os dados mais recentes, de 2018. Nenhuma outra macrorregião catarinense é tão rica e pujante. Ainda assim, em pleno século 21, cidades da região monitoram praticamente no escuro esta enchente de janeiro.

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É estarrecedora a informação trazida à tona pelo colega Evandro de Assis nesta quinta-feira (21) de que as 16 estações eletrônicas que medem os níveis dos rios e o volume de chuva estão fora do ar. Mais inacreditável ainda é a falta de manutenção desses equipamentos em uma região que historicamente sabe da ameaça constante que vem de cima. Enchentes fazem parte do nosso "calendário de eventos" desde sempre, com a diferença de que não têm data e hora para acontecer.

Bastaria R$ 1 milhão, num valor estimado, para trocar todo o sistema de monitoramento e alguma dose de boa vontade política para garantir recursos para a manutenção. Um milhão, claro, é bastante dinheiro no bolso de um cidadão comum. No bolo orçamentário de uma região inteira, por outro lado, é ninharia. Somente a prefeitura de Blumenau estima uma receita de R$ 2,9 bilhões em 2021.

Situações como essa desafiam a lógica financeira. Informação precisa e antecipada é fundamental para minimizar, primeiro, prejuízos humanos. Mas também econômicos, a partir do momento em que prever cenários é um dos pilares de qualquer tipo de planejamento, imediato ou não. As próprias entidades empresariais da região poderiam olhar para isso com mais atenção e trabalhar na busca por uma solução definitiva, ou pelo menos incluir a pauta no rol frequente de reivindicações. Fica desde já a sugestão.

Estações telemétricas pifadas ou obsoletas, aliás, não são uma novidade. Situação semelhante foi detectada em outras ocasiões em que o volume de chuvas fez acender o sinal de alerta na região. Sabe-se há tempos que os equipamentos são essenciais no planejamento de resposta às cheias. O problema é o assunto acabar sendo esquecido quando o rio começa a esvaziar.

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Pedro Machado

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Um olhar especializado na economia e nos negócios dos setores pulsantes de Blumenau e região.

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