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RISCO DE CHEIA

Blumenau enfrenta risco de enchente sem estações telemétricas e a régua da Beira-Rio

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Por Evandro de Assis
21/01/2021 - 16h57 - Atualizada em: 22/01/2021 - 07h06
Falta de manutenção em réguas e nas estações eletrônicas ameaçam gerar um apagão de dados
Falta de manutenção em réguas e nas estações eletrônicas ameaçam gerar um apagão de dados (Foto: Patrick Rodrigues)

O Vale do Itajaí monitora o risco de enchente nesta quinta-feira (21) sem contar com as 16 estações eletrônicas que medem os níveis dos rios e o volume de chuva. Todas estão fora do ar. Em Blumenau, há risco de apagão na medição oficial do Itajaí-Açu porque a régua física da Beira-Rio foi encoberta pelas obras da Ponte Adolfo Konder. A cidade depende de um único sensor eletrônico ativo.

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— Estamos voltando à Idade da Pedra — reclama o técnico hidrometrista Mário César de Oliveira, do Centro de Operações da Bacia Hidrográfica do Itajaí-Açu (Ceops), mantido pela Furb.

Instaladas há quase 12 anos, as estações telemétricas ficam espalhadas em rios e ribeirões do Vale do Itajaí. Baseado nas informações dos níveis e da chuva, o hidrólogo do Ceops Ademar Cordeiro calcula projeções sobre o risco de enchentes. Com os 16 equipamentos inativos, ele baseia-se apenas em dados de observadores e réguas mantidas por municípios, além da previsão do tempo. Foi o que fez na tarde desta quinta-feira (21), ao projetar 7,5 metros para 21h em Blumenau.

— Mas é uma projeção grosseira, não temos como refinar essas informações. Como é que vou projetar o futuro se não sei o que aconteceu nas últimas horas? — questiona.

Desgastados pelo uso e obsoletos, os equipamentos deixaram de transmitir dados. Mal são consertados, falham outra vez. A maioria parou de funcionar em dezembro, mas há equipamentos inativos desde 2019, como o de Rio dos Cedros. Em Timbó, a estação pifou de vez em julho do ano passado. A chuva desta semana concentrou-se justamente entre esses municípios.

As estações telemétricas foram instaladas em 2009 pelo governo estadual em um convênio com a Furb, que mantém o serviço funcionando. Porém, não houve previsão de recursos para manutenção. A universidade diz não ter condições de arcar com tudo sozinha. O custo para trocar todo o sistema é de cerca de R$ 1 milhão. Houve tentativas de emplacar emendas parlamentares no orçamento da União, sem sucesso.

Em dezembro, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Itajaí-Açu reuniu Defesa Civil do Estado e Furb para encontrar uma solução. Segundo o órgão estadual, o Ceops encaminuou um diagnóstico da situação, mas ainda precisa remeter uma declaração de que pretende continuar operando o sistema de monitoramento. A Defesa Civil também disse que não recebeu uma proposta técnica e financeira, a ser encaminhada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável.

Ceops

O secretário municipal de Defesa Civil, Carlos Menestrina, apresentou, em fevereiro de 2020, uma proposta de parceria mais ampla à Furb. A universidade cederia conhecimento científico acumulado por quase 40 anos e equipamentos. Ao município caberia fornecer mão de obra via AlertaBlu. O Estado ajudaria com recursos.

Tanto o coordenador do Ceops, Dirceu Severo, quanto a reitora Marcia Sardá Espíndola confirmaram interesse na parceria. Mas disseram que a pandemia de coronavírus atrapalhou a análise da proposta por parte da universidade. O plano é levar uma contraproposta à prefeitura após concluir os estudos. Enquanto isso, a telemetria não pode esperar.

Blumenau sem régua

No Centro de Blumenau, a régua que serve de parâmetro oficial para as cotas de enchente ficou oculta pelas obras de duplicação da Ponte Adolfo Konder. Assim, a única medição disponível é a de um sensor da Agência Nacional de Águas (ANA) instalado do outro lado do rio. Se ele parar, a cidade ficará sem as atualizações do nível do rio.

Régua no pilar da ponte ficou inacessível
Régua no pilar da ponte ficou inacessível
(Foto: )

A régua agora oculta era para ser uma solução provisória. Ela havia sido instalada na ponte depois que a enchente de 2011 levou embora as que estavam fixadas no barranco. Em 2018, a Defesa Civil conseguiu uma nova seção de réguas doada pela Altona. No ano passado, operários construíram o acesso até onde elas ficarão, num ponto da Beira-Rio próximo à prefeitura. Mas ainda falta o corrimão — a empresa responsável alega dificuldade com matéria-prima.

Escadaria para acessar local onde ficarão as novas réguas está pronta
Escadaria para acessar local onde ficarão as novas réguas está pronta
(Foto: )

Somente quando a prefeitura concluir a pequena obra, técnicos da Epagri instalarão as novas réguas. Menestrina acredita que tudo estará pronto em fevereiro — é o terceiro prazo que ele estabelece.

Como se vê, a distância entre a "Idade da Pedra" e o Século 21 no monitoramento das enchentes Rio Itajaí-Açu é pequena. Bastam um corrimão e R$ 1 milhão em equipamentos de prevenção.

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