A japonesa Nidec admitiu, em comunicado nesta semana, que suspeitas de fraudes podem exigir uma baixa contábil de 250 bilhões de ienes, cerca de R$ 8,3 bilhões na cotação atual. Fabricante de motores elétricos e com fábrica de compressores em Santa Catarina – adquirida da Embraco em 2018 –, a companhia divulgou na terça-feira (3) um relatório de um comitê independente, que investiga possíveis irregularidades contábeis na operação.
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Em setembro do ano passado, a companhia havia anunciado a criação desse comitê para investigar possíveis incidentes do que chamou na época de “contabilidade imprópria”. No relatório divulgado agora, a Nidec informou que o impacto negativo sobre o patrimônio líquido consolidado da empresa ao final do primeiro trimestre do exercício fiscal de 2025 é de aproximadamente 139,7 bilhões de ienes.
“Como a investigação do comitê de terceiros ainda não foi concluída, é atualmente difícil determinar o montante de quaisquer perdas adicionais por redução ao valor recuperável que possam precisar ser reconhecidas ou o momento desse reconhecimento. No entanto, o montante total de ágio e ativos fixos que podem estar sujeitos à revisão de redução ao valor recuperável deverá ser de aproximadamente 250 bilhões de ienes, principalmente em relação ao negócio automotivo”, cita o documento.
O relatório cita ainda que todos os casos de “contabilidade inadequada” identificados pela investigação foram atos de má conduta cometidos em um contexto de pressão para atingir metas de desempenho, especialmente de lucro operacional. A cobrança, conforme o documento, partia diretamente de Shigenobu Nagamori, fundador e ex-presidente da empresa, que pregava a crença de que prejuízos eram inaceitáveis.
“As metas foram determinadas a partir da perspectiva do nível de crescimento esperado pelos investidores, e estavam além das capacidades reais das unidades de negócios e subsidiárias. Além disso, o Sr. Nagamori exerceu considerável pressão sobre os executivos da sede da Nidec que eram responsáveis pelas unidades de negócios e subsidiárias, bem como sobre os diretores financeiros, para atingir as metas de desempenho”, cita o relatório.
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Nagamori liderou a Nidec desde a fundação da companhia, em 1973. Ele renunciou ao cargo de diretor executivo e presidente do conselho em dezembro passado.

