A rede de supermercados Althoff, com atuação no Sul de Santa Catarina, terá de apresentar até outubro à Justiça um plano de renegociação de dívidas que somam R$ 108 milhões. O prazo foi dado pelo juiz Luiz Henrique Bonatelli, da Vara Regional de Falências e Recuperações Judiciais e Extrajudiciais de Florianópolis, ao deferir no último dia 8 o pedido de recuperação judicial da varejista. Na petição, a companhia citou como problemas, entre outros fatores de ordem econômica, uma disputa de sócios, avanço da concorrência e até a Amazon.

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Fundada em 1952 inicialmente como um comércio atacadista, a Althoff tem 11 lojas espalhadas nas cidades de Criciúma – onde existem três unidades –, Imbituba, Urussanga, Garopaba, Orleans, Laguna, Cocal do Sul, Nova Veneza e Sangão. Juntas, elas empregam diretamente mais de 700 funcionários. A última edição do ranking Abras (Associação Brasileira de Supermercados) coloca a rede na 13ª posição entre as maiores do Estado e na 168ª colocação nacional, com faturamento bruto de R$ 368,1 milhões em 2024.

Apesar do tamanho, a empresa relata na ação que sofreu com “uma série de desafios” provocados por instabilidades na economia, mudanças no comportamento do consumidor, avanço da concorrência e até mesmo eventos climáticos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul, que afetaram o abastecimento de produtos.

Um dos pontos que impactaram a operação, segundo alega a empresa, foi a “inflação persistente” que pressiona o setor supermercadista. Segundo a Althoff, isso fez os consumidores optarem por produtos de alto giro com tíquete médio menor, reduzindo margens de lucro e exigindo estratégias de precificação mais agressivas. A companhia cita ainda o “obstáculo significativo” da logística, com alta nos custos de transporte, armazenagem e problemas com rupturas de estoque.

“Impossível não mencionar também a elevada carga tributária e a complexidade burocrática. As regulamentações estaduais e municipais, especialmente relacionadas à vigilância sanitária, geram custos adicionais para garantir a conformidade com padrões de segurança alimentar”, complementou a rede ao entrar com o pedido.

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Mesmo com o pedido de recuperação judicial, as lojas da rede continuam funcionando normalmente.

Disputa entre sócios e avanço da concorrência

Na ação, a varejista também se refere a uma disputa interna entre sócios que teve início em 2008 e provocou uma dissolução parcial da sociedade. O processo desencadeou uma ação de execução, que teria inviabilizado operações financeiras, agravando a relação da rede com bancos em um cenário de juros altos e crédito mais escasso.

“Como a atividade depende intensamente de fluxo de caixa, a empresa se viu totalmente desamparada para contornar as demais dificuldades aqui já relatadas”, cita a companhia na petição.

O avanço de outros grupos varejistas na área de atuação da Althoff também se tornou um problema. Na ação, a rede lista a abertura, entre 2023 e 2024, de cinco lojas de um grupo concorrente em um raio de três quilômetros das unidades de Garopaba, Imbituba e Laguna, as mais rentáveis da companhia. Isso teria gerado uma queda nas vendas nessas unidades entre 25% e 55%. O processo não diz diretamente, mas o concorrente é o Komprão, do Grupo Koch.

Além da concorrência física, a Althoff citou ainda o avanço do e-commerce de gigantes como Mercado Livre e Amazon, que teria aumentado a pressão sobre os supermercados.

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“Essas plataformas oferecem entregas rápidas e preços competitivos, desafiando as lojas físicas a investir em infraestrutura digital e logística para acompanhar a tendência de mudança de comportamento dos consumidores”, menciona o processo.

Somado a tudo isso, a recuperação judicial de outras duas empresas regionais, uma em Braço do Norte (Líder Atacadista) e outra em Içara (Castagneti), teria gerado uma crise de confiança no varejo supermercadista do sul de Santa Catarina, “levando à extinção de limites de crédito pelos fornecedores”, acrescenta a Althoff.

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