Contorno viário da Grande Florianópolis: é preciso aprender para não repetir o erro

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Arteris promete contorno viário para agosto de 2023 (Foto: Arteris/divulgação)

Temos que admitir: falhamos todos. A história do contorno viário da Grande Florianópolis deve servir de exemplo a não ser repetido em futuras concessões e parcerias público-privadas em Santa Catarina. Deu tudo errado.

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Firma-se um contrato, traçado aprovado e, ato contínuo, constrói-se um condomínio residencial horizontal por onde passaria a nova estrada. Foi na gestão passada na prefeitura de  Palhoça. Perdemos muito tempo discutindo a solução, mas ela veio, só que com alto custo – R$ 1 bilhão.

É inacreditável. Com o novo traçado, houve a necessidade de construir três túneis duplos, ou seja, serão seis novos túneis até agosto de 2023. O contorno era para estar pronto em 2012. Um quarto túnel, este sim, já estava previsto no contrato original.

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Houve uma falha em efeito cascata da então gestão na prefeitura de Palhoça, os vereadores não fiscalizaram e a  sociedade  olhou tudo com cara de paisagem. Da mesma forma, é muito questionável a morosidade para tomada de decisão por parte da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e como ela aceitou tudo. O modelo de agências, em tese, é perfeito: representantes técnicos para fiscalizar a execução dos contratos em defesa da sociedade. Mas será que é isso que ocorre? Há aparelhamento nestes órgãos? Seus representantes são técnicos ? Eles defendem o interesse público ou das empresas ?

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Certa vez acompanhei, em São Paulo, uma palestra do presidente de uma grande empresa da área de infraestrutura. O executivo disse que a grande diferença em ganhar uma concessão no Brasil ou na Europa está na segurança jurídica.

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Por exemplo, citou ele, na Espanha, a empresa que vencer uma concessão para construir uma estrada e cobrar pedágio só irá se preocupar com isso- construir uma estrada, fazer manutenção da via e cobrar pedágio.

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No Brasil, não é assim. Após a assinatura do contrato, surgem discussões sobre impacto em aterro sanitário, terra indígena, questões ambientais e desapropriações.

Mas será que isso é fruto da nossa incapacidade administrativa ou, de fato, é intencional com o interesse de procrastinar mesmo? Fica a reflexão.

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Como não há recurso público suficiente para os investimentos necessários na precária infraestrutura brasileira não há outro caminho que não seja elaborar bons projetos, ter segurança jurídica, buscar o equilíbrio contratual e fiscalizar a sua execução. Será que é pedir demais?