A Colômbia, símbolo no passado de extrema violência com os cartéis do tráfico de drogas nos anos 1980 e 1990, conseguiu dar um salto de civilidade, indicadores sociais e de segurança. E essa transformação é fonte de inspiração em busca da paz nas escolas de Santa Catarina, estado abalado no início do ano, em abril, com o brutal ataque na creche Bom Pastor, em Blumenau, que matou quatro crianças.

Continua depois da publicidade

Receba notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

Terminou na última quinta-feira (27) a missão do Comseg Escolar — criado em abril na Alesc e que conta com 24 entidades de educação, saúde, segurança, além Judiciário, Executivo e Legislativo — para Medellín, na Colômbia. O objetivo do grupo foi conhecer as medidas de segurança em escolas adotadas na cidade. A coluna conversou com o presidente da Alesc e que esteve na viagem, Mauro de Nadal (MDB), sobre o que poderá ser aplicado em Santa Catarina. Confira:

O que a Colômbia pode servir de exemplo para aumentar a segurança nas escolas de SC?

É importante relembrar que Medellín foi considerada a cidade mais violenta do mundo nos anos 1990. Porém, isso mudou graças a uma série de investimentos públicos, sempre com foco na educação ou tendo a educação como pano de fundo. Nos três dias em que estivemos na cidade, pudemos conferir de perto as experiências positivas. Para mim, alguns pontos chamaram mais a atenção, os quais podem fazer parte deste grande projeto que estamos construindo junto aos órgãos que compõem o Comseg Escolar. O primeiro ponto é a profunda integração entre escolas e famílias, o que permite a troca de informações. Além disso, professores mantêm conversações cotidianas com alunos acima dos cinco anos, o que igualmente permite a identificação de situações anormais e, se necessário, o encaminhamento a psicólogos, por exemplo. Ainda destacaria o suporte dado aos professores, que passam por atualização pedagógica duas vezes ao ano, sempre com foco na realidade de cada região. A cultura da paz está sempre no foco. Esses profissionais ainda recebem suporte psicológico sempre que necessário. Ou seja, são apenas alguns dos exemplos positivos que vimos e que podem ser aplicados à realidade catarinense.

Continua depois da publicidade

Quais os próximos passos desta discussão na Alesc ?

É importante destacar que na última semana, de maneira paralela, houve também uma missão a São Paulo para conferir o que está sendo feito naquele estado. Além disso, ainda teremos uma missão aos Estado Unidos, com data ainda a ser definida. Possivelmente entre agosto e setembro. Então, reuniremos todos os grupos temáticos do Comseg para alinharmos as informações consideradas relevantes para, então, darmos forma ao projeto. É importante destacar que trata-se de um projeto complexo que tem gerado muita discussão entre social civil organizada, órgãos públicos, professores e alunos, por exemplo. Ainda queremos envolver o governo federal, já que a nossa experiência pode servir como um piloto para o restante do Brasil. Além disso, é possível que necessitemos também de aportes financeiros federais. Ou seja, estamos promovendo um debate amplo e maduro, por isso, o tempo é fundamental. Entretanto, mantemos o compromisso de entregar o projeto à Alesc neste segundo semestre.

Leia Mais:

O que explica o preço do estacionamento privado em Florianópolis

Jorginho defende regulamentação do jogo no país e diálogo com evangélicos

Destaques do NSC Total