Realizado desde 2011 em Barcelona, cidade reconhecida mundialmente por sua transformação para os Jogos Olímpicos de 1992, o Smart City Expo World Congress é o maior evento para cidades inteligentes do mundo. Por lá, mais de 25 mil participantes de mais de 140 países discutem todos os anos as melhores práticas para tornar as cidades mais eficientes, sustentáveis e colaborativas. 

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Na edição de 2023, a especialista no tema Thaís Nahas, diretora da Vertical Smart Cities e do Polo Floripa da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), esteve presente e participou de um painel apresentando a entidade e as ações que têm impactado diretamente o desenvolvimento econômico dos municípios catarinenses. A diretora dividiu o palco com representantes de Israel, Espanha, Gana e Itália.  

Thaís conta que não faltam lições para serem colocadas em prática em Santa Catarina e no Brasil. Segundo a catarinense, os principais cases de sucesso em cidades inteligentes no mundo apresentados envolvem, principalmente, a gestão integrada dos projetos nos entes governamentais, embora ressalte também a importância de players da iniciativa privada, sociedade civil e acadêmica. De forma geral, Nahas salienta que o pensamento deve ser de “pessoas para pessoas”, passando por servidores e cidadãos. 

Ela lembra que, no Brasil, a maior parte das prefeituras não possuem uma estrutura voltada para o desenvolvimento inteligente da cidade a longo prazo. Além disso, quando essas estruturas existem, elas acabam ofuscadas em pastas específicas e, às vezes, isoladas. 

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— A estratégia de tornar a cidade inteligente precisa ser transversal a todas as pastas de uma gestão municipal. Ela precisa permear por várias áreas, como urbanismo, saúde, educação, desenvolvimento econômico e social, por exemplo, e alcançar o engajamento dos servidores. O primeiro passo é começar com as pessoas que estão atuando dentro da gestão —  afirma Nahas, que já participou, ao todo, de quatro edições do congresso em Barcelona e também trabalhou com gestão municipal.

Para mudar a realidade na maior parte das cidades brasileiras, ela afirma ser necessário trabalhar no fator motivacional e na qualificação dos servidores, além de diminuir a politização da gestão, que deve trabalhar sempre de maneira integrada e com pensamento de longo prazo. 

Mesmo sendo representante de uma entidade de empresas de tecnologia, Thaís afirma que a tecnologia é um meio, e não o fim, pois a inteligência na cidade está no priorização da qualidade de vida das pessoas, com uma gestão eficiente e sustentável de recursos financeiros e ambientais, permitindo a colaboração do cidadão. 

O exemplo que vem de Israel

Um dos melhores exemplos demonstrados em Barcelona, de acordo com Nahas, veio de Israel. A The Tel-Aviv Foundation funciona desde 1977 como uma autarquia vinculada à prefeitura, porém trabalha de maneira autônoma para realizar obras em parques, praças e outros equipamentos urbanos. Além do dinheiro estatal, conta também com o apoio de doadores para realizar melhorias na capital financeira de Israel. 

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— Isso constitui um grande desafio no Brasil, porém esse é um modelo que pode funcionar. Quanto mais pessoas estiverem envolvidas, pensando no futuro das cidades, maior é a evolução —  diz Nahas.

A executiva da ACATE salienta também que a participação de brasileiros no evento vem crescendo ano a ano, aumentando o interesse no tema. Ela conta que neste ano estiveram presentes muitos gestores de municípios brasileiros, sejam prefeitos ou secretários, gestores de instituições públicas, além de participantes da iniciativa privada. 

Ainda de acordo com Nahas, o fato de o evento ser realizado em Barcelona também é um exemplo: 

— É uma cidade que se transforma constantemente. Sempre que você volta, tem uma nova intervenção em favor das pessoas. Com certeza é um ambiente inspirador — diz Nahas.

Por esse motivo, além da visita ao evento, muitos participantes brasileiros participaram de comitivas organizadas para visitar e conhecer diversas iniciativas e cases importantes de inteligência na gestão urbana

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