nsc
nsc

Opinião

Modernização x qualidade do futebol

Compartilhe

Roberto
Por Roberto Alves
19/06/2021 - 07h00
coluna-roberto-alves-19-06-2021
Hoje, temos que procurar o craque como se fosse uma agulha no palheiro (Foto: Claudio Trindade, Divulgação, BD)

Os técnicos enfearam o futebol. Esta observação tenho feito insistentemente. Vi o bom futebol, alegre, solto, criativo, brilhante, no tempo em que os treinadores não limitavam a criatividade do craque. Vi o Fluminense de Tele Santana (quando jogador), o Vasco de Danilo Alvin, i Flamengo de Dida, o Santos de Pelé, o Palmeiras de Ademir da Guia. Vi Zizinho jogar, então eu vi o futebol que mais nos deu, em outra época, Didi, Nilton Santos, Garrincha, e muito mais.

E hoje?

Temos que procurar o craque como se fosse uma agulha no palheiro. Outro dia, ouvi do Marquinhos Santos, que o camisa 10 do futebol não existe mais. Então, foi embora a beleza, a habilidade e o futebol arte. Carecemos igualmente do centroavante nato, o artilheiro, o homem de área que o torcedor ia para o estádio vê-lo marcar, na certeza que isso aconteceria.

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo Whatsapp

Os verdadeiros ponteiros atacantes existem? Nos anos 1980, o humorista Jô Soares já pedia: “Bota ponta Telê”, referindo-se ao ataque da Seleção Brasileira. A modernização chama-se “futebol reativo”. Quer dizer: defender muito e atacar se puder. 

O drible é outra instituição falida. Os técnicos não permitem o individualismo, matando a criatividade do jogador. Nossa seleção já não encanta. No ano que vem vamos completar 20 anos do último título, o penta na Coreia do Sul/Japão. Mataram o futebol bonito, alegre e encantador.

> Leia outras colunas de Roberto Alves

Quando comparo o futebol antigo com o atual, a discordância é total. Tenho pena. Não viram o verdadeiro futebol.

Quanta lembrança 

Por aqui, já tivemos Edésio, do Marcílio Dias, um centroavante extraordinário, que não só fazia gols, mas sabia jogar. Norberto Hoppe, do Caxias de Joinville, marcou 32 gols em apenas um turno do campeonato. Tivemos Nilzo, do Metropol; Tião Marino, do Figueirense; Toninho Quintino, do Avaí; Oscar, o famoso bailarino do Paula Ramos, centroavante de qualidade. Não temos mais. 

Os esquemas atuais não admitem mais atacante dentro da área, aquele que chamamos de referência. Hoje, eles são atacantes e zagueiros ao mesmo tempo. Existe isso?

Extinção

Quem no futebol brasileiro tem hoje a qualidade que nos dava Zenon? Lançador de uma visão incrível, que colocava o centroavante pra decidir os jogos. Nardela, tem alguém parecido com o que jogava e fazia o time dele jogar? Hoje, pratica-se um futebol feio, onde a prioridade é garantir o emprego do técnico.

> Cartola FC: Duas dicas por posição para você mitar na 5ª rodada

Faço uma exceção no futebol brasileiro: gosto de ver o Flamengo jogar. Meio-campo habilidoso, que joga de cabeça erguida, sem deixar os atacantes morrer de fome. Toque com objetividade. Futebol solidário. Onde mais?

A Europa

Hoje a moda é nos encantar com o futebol Europeu. A televisão nos permitiu assistir os campeonatos dos principais países do Velho Continente. De melhor do mundo passamos a simples expectadores. Nossos técnicos se encantam com a velocidade do futebol jogado por lá. Alguns valores individuais se destacam e logo querem comparar a Pelé. Vieram aqui, copiaram o que tínhamos de melhor e hoje são os melhores do mundo.

Nível superior

Claro que reconheço objetividade, qualidade e intensidade no futebol europeu. Por que? Os técnicos são respeitados. Não existe a cultura do resultado, da demissão imediata. O calendário permite o aprimoramento do trabalho. Muita condição financeira para dar a estrutura necessária ao projeto. Passaram a nossa frente pela seriedade com que fazem futebol, enquanto nossos dirigentes ainda estão na fase do assédio sexual, quando poderiam discutir uma forma de auxiliar nossos clubes. Enfim, estão matando o nosso futebol.

Giro Total

> Quem viu a dupla de ataque Morélli e Cavallazzi do Avaí? Quem viu sabe o que era futebol ofensivo. Nossa, quanta saudade. Nélinho, Valério e Sombra. No futebol de hoje tem um meio-campo com este do Paula Ramos, em 1959? 

> Galego, Madureira, Edésio, NIlzo e Toninho. Este era o ataque do Metropol, em 1962. Cinco atacantes e Madureira fazia o terceiro homem do meio-campo para trazer a bola aos demais atacantes. 

> Em 1968, o então ainda Comerciário tinha Marcos Cavalo, Sado, Chiquinho, Darlan e Bossinha. Sempre cinco na frente. Resultado: campeão do Estado. 

> E o inesquecível ataque do Caxias, de Joinville, que numa final contra o Ferroviário, de Tubarão, meteu sete, com cinco do centroavante Juarez marcando cinco gols. 

> Periquito, Didi, Juarez, Cleuson e Vieira era o ataque alvinegro de Joinville. Sabem quando? Em 1954, que chamam hoje de futebol antigo e até superado. Moraci, Ned, Urubu, Gil e Meirelles: era o ataque do Figueirense em 1953, campeão da cidade. 

> Bolão, Nizeta, Tião, Bráulio e Saul era o Avaí. Neste ataque ainda entraravam os irmãos Niltinho e Bitinho. 

> Temos hoje jogadores com a qualidade de Lourival, Rogério Avila, Sergio Lopes, Balduino, Renato Sá, Zenon, Moacir, entre outros no futebol da Capital? 

> Por isso que tenho saudades do velho e bom futebol que vi ser jogado. Só quem viu jogar pode responder.

Leia também:

> "Operação Inverno” começa na Serra Catarinense, cidades têm reforço na segurança

> Vídeo mostra briga entre ocupantes de lanchas e motos aquática

> Anvisa manda recolher ivermectina em Itajaí; remédio seria usado contra Covid-19

> Homem mente que colega de trabalho sofreu acidente, rouba R$ 8 mil e ameaça mulher em Tijucas

Roberto Alves

Colunista

Roberto Alves

Referência por resgatar a memória do Esporte catarinense, fatos do dia a dia e pitorescos, misturando bom humor e seriedade na dose certa.

siga Roberto Alves

Roberto Alves

Colunista

Roberto Alves

Referência por resgatar a memória do Esporte catarinense, fatos do dia a dia e pitorescos, misturando bom humor e seriedade na dose certa.

siga Roberto Alves

Mais colunistas

    Mais colunistas