Perto do aniversário dos 200 anos do início da imigração alemã para o Brasil, a Alemanha está cada vez mais interessada em atrair migrantes. No programa “A migração ontem, hoje e amanhã”, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores, a mobilização do país para se tornar mais atrativo se mostra evidente. Como ocorre em outros países, o desafio cresce com o envelhecimento da população e o surgimento de novas demandas no mercado de trabalho. A nova lei de imigração, com implantação gradual até 2024, é um exemplo do novo momento.

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O evento foi realizado nesta semana, com agendas de visitas de jornalistas brasileiros a cidades alemãs, com participação da NSC, com a maior parte da programação realizada na capital Berlim. No ano que vem, quando completam-se 200 anos do marco inicial da imigração, com a chegada de alemães em São Leopoldo-RS, mais eventos devem ser realizados no Brasil e Alemanha. Em Santa Catarina, a imigração alemã teve início em 1829, com colônia em São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis.

A demanda anual da Alemanha é de 400 mil novos migrantes por ano. O número, calculado no inicio da década, foi citado em almoço no Ministério das Relações Exteriores, com participação de representantes dos setores de cultura e de política. Outra estimativa, divulgada em maio pelo Ministério do Trabalho, apontou a necessidade de mais 7 milhões de trabalhadores até 2035. Como se repete em outros países pelo mundo, inclusive no Brasil, a demanda é por trabalhadores de diversos setores, especialmente de maior qualificação .

A reforma na lei é para tentar reduzir a burocracia de acesso dos migrantes em um país no qual o tema passou a ganhar mais importância nas últimas duas décadas. O setor da saúde, em especial enfermeiros e cuidadores de idosos, é uma das áreas com maiores demandas. Cuidadores de crianças também estäo na lista. O Ministério do Trabalho da Alemanha alegou, em entrevista à imprensa alemã em maio, que haverá cuidado para evitar que a mão-de-obra não seja retirado de pais que precise desses trabalhadores.  

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O número de brasileiros morando na Alemanha vem crescendo. Neste ano, conforme estatística mostrada pelo Instituto Goethe em apresentação aos jornalistas, foram concedidos 2,4 mil vistos para brasileiros neste a maioria para trabalho. O número é apontado como maior porque não levam em conta brasileiros que tem outra nacionalidade e foram para a Alemanha por outro país, geralmente europeu. Pelos dados locais, são 55 mil brasileiros residindo na nação europeia. Já estimativa divulgada em agosto pelo Itamaraty, são 160 mil. 

Pré-integração

O Instituto Goethe atua na integração dos imigrantes, inclusive antes de chegada na Alemanha. Criado em 1951 para a cooperação cultural internacional, com atuação na promoção do estudo da lingua alema, a entidade ligada ao Ministério das Relações Exteriores oferece o programa de integração, com orientações para quem deseja morar na Alemanha, levando em conta as condições e necessidades dos interessados. A meta é proporcionar uma “ponte de apoio” na transição.

O peso das mudanças climáticas

Não é preciso muito tempo na Alemanha para constatar a relevância das mudanças climáticas na pauta do país, inclusive na relação com o Brasil. Nao que a preocupação seja novidade – os recentes acordos entre os dois países confirmam a tendência – , mas o cotidiano mostra o tamanho do peso dado à questão. Nas agendas do programa “A migração ontem, hoje e amanhã”, o tema ambiental foi recorrente no momento de avaliação das conexões entre os dois países. A Amazônia pode ser o principal ícone desse relacionamento, mas há outros temas correlatos. 

Em conversa com jornalistas da ZDF, uma televisão pública alemã com sede em Mainz, o tema ambiental entra na pauta: está no radar da cobertura da imprensa. Na agenda do programa com o Instituto de Estudos Latino-Americanos, da Universidade Freie de Berlim, a questão principal, como não poderia deixar de ser, é a realização de pesquisas sobre o Brasil e outros países latino-americanos. Mas assuntos como a transição energética, incluindo o Sul global, não deixam de ser citadas após pergunta sobre quais assuntos chamam a atenção na Alemanha em relação ao Brasil. Os impactos inclusive chegam na cultura.

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A proteção climática, com ações em parceria com o Brasil, também questão citada no Ministério das Relações Exteriores, com participação de representantes dos setores de cultura e de política. O leque do desenvolvimento sustentável vai vai desde o uso de fontes renováveis de energia até mudanças em hábitos de consumo e busca de maior eficiência na agricultura. 

Negócios com Joinville

Neste ano, a Alemanha é o quarto principal destino das exportações de Joinville, com uma parcela de US$ 83,7 milhões neste ano, até o final de novembro. Apenas Estados Unidos, México e Argentina tiveram volume de compras das empresas da cidade. A maior parte das vendas para a Alemanha é de blocos de motores e outras partes de veículos. Na comparação com o ano passado, o desempenho das exportações para o pais europeu cresceu quase 35%.

As importações de Joinville na Alemanha são em volume maior em relação às exportações, com compras de US$ 139 milhões neste ano. Os principais itens importados pela cidade de Santa Catarina são aparelhos para uso em saúde, peças de veículos e dispositivos para circuitos elétricos.

*O colunista acompanha o evento na Alemanha a convite do Consulado da Alemanha no Brasil.

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