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    Coluna de sábado

    Aceno de Moisés a Bolsonaro é mudança de estratégia política

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    Upiara
    Por Upiara Boschi
    27/06/2020 - 16h35

    Mais até do que a própria defesa do governador Carlos Moisés (PSL) no caso da desastrosa compra dos respiradores da Veigamed, talvez o dado mais eloquente da longa entrevista que ele concedeu aos veículos da NSC Comunicação seja a tentativa de reaproximação do comandante com o capitão. Em mais de uma oportunidade, Moisés elogia o presidente Jair Bolsonaro e busca similaridades entre ações dos governos estadual e federal.

    Por mais que o governador negue e diga que as diferenças existentes entre ele e o presidente sejam fruto de interpretações equivocada de frases descontextualizadas e de pressão de grupos locais que levaram desinformação a Bolsonaro sobre as atitudes do governo catarinense, é claro que se trata de um recálculo de rota. Em diversos momentos, especialmente ano passado, as diferenças no estilo do governador e do presidente foram celebradas no Centro Administrativo e no Palácio d’Agronômica.

    A saída de Bolsonaro do PSL para tentar fundar o Aliança pelo Brasil foi acompanhada passo a passo, rumor a rumor, como a possibilidade de herdar aqui no Estado uma legenda com potencial de expansão, mas sem discursos extremos. Foi o próprio Moisés que disse, em janeiro, “agora o PSL tem a cara do governador”. No início da pandemia, quando o catarinense se alinhou aos governadores que se opuseram à inação do governo federal e implantaram, cada uma a sua maneira, as restrições para forçar o isolamento social, Bolsonaro chegou a reclamar de Moisés com “mais um que se elegeu nas minhas costas”.

    À frente de um governo sem torcida - os chamados bolsonaristas são os que fazem a oposição mais barulhenta -, Moisés acena a um presidente que também não vive seus melhores momentos em termos de popularidade e força política. O que ganha, veremos à frente. O maior gesto talvez esteja na entrevista à NSC, quando admite com todas as letras, possivelmente pela primeira vez, que os catarinenses não o conheciam quando o elegeram com 71% dos votos por ser “o governador do Bolsonaro”. Será possível voltar a ser? Hoje, tudo indica que não, mas em política os gestos sempre são os primeiros passos.

    Reflexos e reflexões

    Moisés e seu presente
    Moisés e seu presente
    (Foto: )

    O governador Carlos Moisés colocou em destaque em seu gabinete o capacete dourado que ganhou dos colegas do Corpo de Bombeiros, onde é coronel da reserva. Reflete mais que muito espelho.

    Frase da semana

    O governador tem concedido cada entrevista que me dá nos nervos, não sei que mundo ele ‘véve’, não é nem vive. Governador, onde estava quando estado pagou R$ 33 mi? O senhor estava acompanhando o dia-a-dia da SES, onde havia misto de pânico e inexperiência, que resultou nessa compra catastrófica?”

    Ada de Luca (MDB), deputada estadual, reclamando das entrevistas de Carlos Moisés.

    Hora de sofrer

    Gean Loureiro em entrevista à NSC TV
    Gean Loureiro em entrevista à NSC TV
    (Foto: )

    Toda vez que anuncia medidas mais duras no combate ao avanço do coronavírus em Florianópolis, o prefeito Gean Loureiro (DEM) diz que não se importa com a possível perda de popularidade. Ao ampliar as restrições às atividades econômicas na nesta semana, poucos dias depois da volta dos ônibus sinalizarem uma volta à normalidade possível, o demista abriu o flanco para seus adversários à esquerda e à direta. Estão aproveitando.

    Conflito de versões

    Duas narrativas se chocam nos bastidores da relação entre o governo Moisés e potenciais aliados na Assembleia Legislativa. Uma delas, de origem partidária, diz que o governo oferece cargos no secretariado aos deputados, mas eles rejeitam porque temem integrar um governo que cambaleia. Outra, palaciana, aponta que os parlamentares querem os cargos, mas é o governador quem resiste a entregá-los. Perguntei a Moisés e ele disse que não pensa em nomear deputados, mas evita dizer que não beberá desta água.

    Pediram para sair

    O deputado estadual Bruno Souza (Novo) chegou a conseguir as 14 assinaturas necessárias para apresentar a PEC para mudar a regra das eleições indiretas em caso de vacância dos cargos de governador de vice: atualmente prevista para os dois últimos anos de mandato, ficaria com a emenda apenas nos últimos seis meses. No entanto, Marcos Vieira (PSDB), Maurício Eskudlark (PL), Sargento Lima (PSL) e Sérgio Motta (Republicanos) apresentaram um incomum requerimento de retirada de assinaturas.

    Fora do jogo

    O coronel Araújo Gomes deixou o comando-geral da Polícia Militar e a provável candidatura a prefeito de Florianópolis em nome do sonho de assumir a Secretaria Nacional de Segurança Pública. Vetado pelo presidente Jair Bolsonaro após pressão de bolsonaristas locais, ele não retoma as vagas. Na reserva, não pode assumir o comando. Em Florianópolis, o PSL de Moisés deve indicar o vice na chapa de outro partido.

    Concisas

    - A vice-governadora Daniela Reinehr sondou um parlamentar para comandar a Casa Civil de um hipotético governo seu. Como é muito hipotético, ele preferiu não responder.

    - Em Criciúma bastou a Câmara abrir uma CPI que o prefeito Clésio Salvaro (PSDB) não teria o controle para descobrirem que as regras para formação das comissões são completamente irregulares. Antes, ninguém se deu conta.

    - Na Secretaria de Articulação Nacional, Lucas Esmeraldino tem conseguido azeitar a relação do governo Moisés com os ministérios. Falta chegar no chefe dos ministros.

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