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Aliança: o novo partido de Bolsonaro e os efeitos da divisão do PSL em SC

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Por Upiara Boschi
12/11/2019 - 20h22 - Atualizada em: 12/11/2019 - 21h33
Jair Bolsonaro decidiu deixar o PSL e fundar o Aliança pelo Brasil levando com ele quase todos os eleitos em SC ano passado. Foto: Carolina Antunes, PR/Divulgação
Jair Bolsonaro decidiu deixar o PSL e fundar o Aliança pelo Brasil levando com ele quase todos os eleitos em SC ano passado. Foto: Carolina Antunes, PR/Divulgação

Não deixa de ser curioso que o presidente Jair Bolsonaro goste tanto de metáforas com namoro e casamento e tenha saído da reunião que em comunicou aos deputados fiéis que está deixando os PSL com uma aliança nas mãos. A decisão de criar o Aliança pelo Brasil sela um matrimônio entre o presidente e os parlamentares dispostos a encarar o desafio de criar uma nova legenda até março.

Dessa aliança entre Bolsonaro e os seus, deve surgir um partido à feição do bolsonarismo - essa mistura de conservadorismo nos costumes, liberalismo na economia, uns graus de autoritarismo, Olavo de Carvalho na estante e umas patadas de vez em quando porque ninguém é de ferro.

A tarefa não é fácil, mas não havia mesmo outro caminho para o presidente além de criar um partido em que seja o líder inconteste. O casamento - olha a metáfora aí - de um ano e meio com o PSL de Luciano Bivar era de interesse. Mútuo. Bolsonaro precisava de uma legenda para ser candidato a presidente da República e eleger bancadas de aliados. Bivar queria anabolizar seu partido nanico. Interesses atingidos, falou mais alto a incompatibilidade de gênios. Agora, será a hora de discutir os termos do divórcio.

Bolsonaro espera levar cerca de 30 dos 53 deputados eleitos pelo PSL. Não é improvável que surjam nomes de outros partidos querendo participar da Aliança pelo Brasil. Em Santa Catarina, Estado que deu a segunda maior votação do país a Bolsonaro no segundo turno, três dos quatro deputados federais e os seis deputados estaduais manifestaram desejo de acompanhar o presidente. Estão fora da equação o governador Carlos Moisés e o deputado federal Fábio Schiochet, presidente estadual do PSL. Eles já vinham montando um time pesselista para as eleições do ano que vem que excluía as lideranças mais extremas do bolsonarismo.

Essa depuração entre quem era de Bolsonaro e quem era de Moisés foi consumada nas últimas semanas. O que teremos até março, se o Aliança sair do papel a tempo de participar das eleições municipais, são lideranças bolsonaristas e pesselistas convivendo sob a mesma sigla - e, provavelmente, se provocando.

Na política estadual, isso vai representar dois projetos conservadores caminhando em paralelo. Do PSL de Moisés, uma tentativa de criar a partir do Centro Administrativo um grupo político que sobreviva ao acidental primeiro mandato de comandante eleito na onda 17. É provável que tenhamos muitas candidaturas de farda e composições com os aliados do parlamento estadual - coloque suas fichas no MDB e o PDT. Um conservadorismo moderado e disposto a dialogar com centro e centro-esquerda. A liga vai depender do sucesso do governo Moisés - recentemente descrito pelo senador Esperidião Amin (PP) como “monotonamente coerente”.

O segundo projeto é o da futura Aliança pelo Brasil, escancaradamente bolsonarista, colado às políticas, discursos e polêmicas do governo federal. Da militância de Whatsapp a composições com o senador Jorginho Mello (PL) e os Amin, vêm uma grupo disposto a brigar pelas maiores cidades com candidatos próprios e aliados. A deputada federal Caroline de Toni, citada recentemente por Bolsonaro como "aliada leal de primeira hora" deve comandar a tropa. Não haverá monotonia. Coerência, veremos mais à frente.

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

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