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    Capital do bolsonarismo em SC, São Francisco do Sul sedia montagem do palanque para 2022

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    Por Upiara Boschi
    16/02/2021 - 05h00
    Bolsonaro e os aliados catarinenses Jorginho Mello, Jorge Seif e Coronel Armando em São Francisco do Sul
    Bolsonaro e os aliados catarinenses Jorginho Mello, Jorge Seif e Coronel Armando em São Francisco do Sul (Foto: Divulgação)

    Por causa de uma lei estadual em homenagem à condição de terceira cidade mais antiga do Brasil, São Francisco do Sul vira capital de Santa Catarina todo dia 11 de agosto, durante 24 horas. Essa regra oficial vale desde 2010, mas a predileção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelos períodos de descanso no Forte Marechal Luz fizeram com que a histórica cidade também se torne capital informal nos dias de suas visitas. Pelo menos, a capital da república bolsonarista de Santa Catarina.

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    Em sua nova passagem por São Francisco do Sul, nestes dias de Carnaval, o presidente atraiu não só seus entusiastas, sempre dispostos a confraternizar com Bolsonaro ignorando os tempos pandêmicos. A capital bolsonarista catarinense também recebeu políticos que querem estar ao lado do presidente nas eleições de 2022, quando ele vai disputar a reeleição. Nas conversas e, especialmente, nas fotografias feitas paras as redes sociais, esboços do palanque de apoio ao presidente em Santa Catarina.

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    Candidato a candidato de Bolsonaro a governador, o senador Jorginho Mello (PL) foi um dos que partiu para Santa Francisco do Sul para encontrar o presidente. Ele conta com a simpatia de Bolsonaro e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O presidente ressalta em seus discursos o projeto do senador que viabilizou o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). Eduardo ressalta a lealdade de Jorginho ao governo do pai.

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    Assim, o senador vai pavimentando quase sem obstáculo a condição de candidato oficial do clã ao governo do Estado em 2022. Também elogiado por pai e filho Bolsonaros, o secretário nacional de Pesca, Jorge Seif Junior quer e é incentivado a tentar uma vaga de candidato a senador. O catarinense é figura cativa nas lives do presidente.

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    Quem também costuma estar por perto é o deputado federal Coronel Armando (PSL) e a jornalista Júlia Zanatta (PL), que foi candidata a prefeita de Criciúma em 2020 com apoio dos Bolsonaros. Nas conversas, um tema costuma ser frequente: o futuro partidário do presidente e onde se encaixariam melhor seus aliados. A expectativa é de que Bolsonaro decida em março a que partido vai se filiar para disputar a reeleição. Há conversas em andamento com siglas de diversos pesos e históricos - siglas em que já esteve filiado, como Progressistas (ex-PP) e PTB, outras com quem já flertou como PSC e Patriota ou alternativas novas como o PL e o Republicanos, onde já está seu filho Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro.

    A maior preocupação de Bolsonaro e seus seguidores é que não se repita a história vivida com o PSL, que abrigou o grupo político em 2018, mas voltou a ser controlado pelo cacique Luciano Bivar (PSL-PE) logo após as eleições. O presidente quer o controle do partido que assumir - o que deve mais uma vez fazer com que opte por uma pequena legenda. Essa lógica também é importante para os candidatos a deputado estadual e federal, que querem evitar sobreposição com lideranças estabelecidas regionalmente caso Bolsonaro opte por uma sigla de maior densidade. O favorito na bolsa de apostas, neste momento, é o Patriota.

    Aqui no Estado, os bolsonaristas eleitos em 2018 devem migrar em maior número para o PL de Jorginho Mello e o Patriota, dependendo das composições locais e a matemática eleitoral. Desenham-se, assim, os primeiros movimentos coordenados do grupo político para 2022. Entre pescarias, jantares e aglomerações em São Francisco do Sul, a capital do bolsonarismo catarinense.

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