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    Coluna de sábado

    Depois de perder 13 nomes no primeiro escalão, é hora do governo Moisés mostrar sua nova cara

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    Upiara
    Por Upiara Boschi
    04/07/2020 - 14h51 - Atualizada em: 04/07/2020 - 15h02

    Se ao início dos governos catarinenses existisse o mesmo hábito que há nas posses presidenciais de reunir o eleito e sua equipe completa para uma fotografia, seria possível visualizar claramente o quanto mudou a cara da administração de Carlos Moisés (PSL). Na entrevista que realizamos há mais de uma semana, ele não economizou elogios à equipe técnica que montou, no entanto, aquela hipotética fotografia perdeu pelo menos 12 integrantes.

    O Centro Administrativo não gostou quando presidente da Assembleia, Júlio Garcia (PSD), disse em entrevista que “o governo não deu certo”, que isso não aconteceu “pela falta de políticos”, mas que ainda “há tempo para corrigir”. No entanto é justamente isso que vê quem olha os movimentos do governo em meio às crises do coronavírus, dos respiradores e de articulação política.

    As 12 baixas poderiam ser 13, porque no coração do governo, a Casa Civil, foram duas exonerações: o ex-todo-poderoso Douglas Borba e o ex-rearticulador Amandio João da Silva. São as baixas mais emblemáticas no momento, mas todas têm peso. Lucas Esmeraldino, que trocou a farta pasta do Desenvolvimento Econômico pelo de Articulação Nacional era o construtor do PSL-SC e saíra da eleição de 2018 com 1,1 milhão de votos ao Senado. O professor Luiz Felipe Ferreira, o último exonerado, era o homem pinçado na UFSC para produzir a reforma administrativa do governo Moisés e ser o primeiro controlador-geral do Estado. O trio Borba/Esmeraldino/Ferreira era a cara do governo e hoje é difícil achar alguém que sinta saudades.

    As outras baixas também são icônicas. A farda de Helton Zeferino, coronel bombeiro, na Saúde, e Carlos Hassler, coronel do Exército. Outro coronel, Araújo Gomes deixou o comando da PM e a chance de ser candidato a prefeito para tentar a vaga de Secretário Nacional de Segurança Pública. Diego Goulart (Articulação Nacional), Derian Campos (Assuntos Internacionais), Ricardo Dias (Comunicação), coronel João Carlos Neves Junior (Casa Militar), Gustavo Pereira (SC Par), Flávia Didomênico (Santur) também saíram ou pediram para sair. A velha fotografia se desfez, é hora do novo governo Moisés mostrar a cara - e a que veio.

    Passado remoto

    Júlio Garcia e os constituintes aglomerados
    Júlio Garcia e os constituintes aglomerados
    (Foto: )

    Na reunião da mesa diretora em que o presidente Júlio Garcia (PSD) anunciou que a Assembleia Legislativa vai repassar R$ 30 milhões de seu orçamento para ajudar na recuperação dos estragos causados pelo ciclone que atingiu o Estado, os deputados constituintes ao fundo lembram que ficar aglomerado sem máscara é coisa de antigamente.

    Frase da semana

    O governo estava desgastado, gente tentou arrumar as coisas. Mas eu queria ser uma solução e poderia me transformar em problema.

    Amandio João da Silva Junior, o breve, resumindo brevemente na CPI dos Respiradores seu mês e meio à frente da Casa Civil do governo Carlos Moisés.

    No embalo da fake 

    Dário Berger (ao centro) na votação do texto-base da lei de combate à fake news
    Dário Berger (ao centro) na votação do texto-base da lei de combate à fake news
    (Foto: )

    Na batalha de narrativas, o PL 2330/20 que teve o texto-base aprovado pelo Senado esta semana pode ser o instrumento de combate às fake news ou de censura à liberdade na internet. A matéria dividiu os senadores catarinenses não só nos votos, mas nas sinalização. Com votos contrário à proposta, Jorginho Mello (PL) alinhou o discurso aos bolsonaristas, enquanto Esperidião Amin (PP) questionava a tramitação após tentar uma emenda para “corrigir excessos da proposta”. A favor, Dário Berger (MDB), ao centro na foto, entendeu que o texto aprovado retirou pontos polêmicos como a checagem prévia de provedores a conteúdo encaminhado.

    Falsa simetria

    O quase impeachment do ex-governador Paulo Afonso Vieira (MDB), em 1997, aconteceu quase cinco anos depois da deposição de Fernando Collor da presidência. Agora, fala-se em derrubar Carlos Moisés quatro anos depois do impeachment de Dilma Rousseff (PT). Não é mera coincidência. A cassação presidencial recente faz parecer é que fácil derrubar os eleitos.

    No caso dos governadores, no entanto, há um dado que diferencia muito os processos: o afastamento é votado pela Alesc, mas a cassação de fato cabe a um grupo de cinco deputados eleitos e cinco desembargadores sorteados. Ou seja, a questão jurídica precisa estar muito mais amarrado do que no impeachment de presidentes.

    Concisas

    - Angela Amin (PP) candidata a prefeita com vice do MDB ou do PSL é um cenário plausível para as eleições de Florianópolis.

    - Um argumento jurídico que acalma Carlos Moisés e Daniela Reinehr sobre o impeachment é a tese de que ele não atinge vices. Por motivos diferentes, claro.

    - A lei do impeachment, de 1950, fala em governador e secretários, não de interinos. Com isso, ela se vê a salvo; ele, blindado.

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