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    Queda de Amandio, o breve, abre espaço para um profissional da política na Casa Civil de Moisés

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    Por Upiara Boschi
    27/06/2020 - 11h17
    Amandio João da Silva Junior ficou apenas um mês e meio na Casa Civil
    Amandio João da Silva Junior ficou apenas um mês e meio na Casa Civil

    Amandio João da Silva Junior foi uma surpresa quando recrutado pelo governador Carlos Moisés (PSL) para substituir Douglas Borba no comando da Casa Civil, que pediu exoneração a reboque da operação policial que investiga a atrapalhada e suspeita compra de respiradores da Veigamed. Um mês e meio depois ele volta a ser surpresa, desta vez com uma exoneração três dias depois de ser convocado a depor na CPI que investiga o mesmo caso.

    Na época, se esperava uma solução dentro do mundo da política para um governo que havia perdido toda sua articulação com o parlamento e entidades do setor produtivo - cujos sinais de deterioração vinham de antes da pandemia ou da frustrada compra com pagamento antecipado de 200 respiradores por UTI por R$ 33 milhões de uma empresa que não demonstrava qualquer capacidade de que conseguiria entregá-los.

    De passagem breve pelo cargo de adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Amandio retornava ao governo com a missão de arejá-lo. Na primeira terça-feira, estava na Assembleia Legislativa tentando reabrir o diálogo com os deputados, botou prefeitos na linha direta com o governo, aproximou os empresários do Centro Administrativo. Tinha muito trabalho pela frente e muitos duvidavam que a disposição ao diálogo, por si, fosse suficiente para desencastelar o governo Moisés. Mas trabalhava.

    A queda de Amandio começou na última terça-feira, quando durante o depoimento do empresário Samuel Rodovalho na CPI dos Respiradores foi exposta uma captura de tela que faz parte do inquérito da Operação O2 e que registrava uma conversa de ambos - antes da volta de Amandio no governo. Samuel se disse amigo do secretário e revelou, de forma confusa, que projetavam algum negócio envolvendo testagem rápida para Covid-19. Um negócio privado que não avançou, alheio ao governo Moisés. Os deputados não ficaram satisfeitos com a resposta, quiseram mais detalhes sobre a amizade e os negócios. Aprovaram a convocação de Amandio.

    No dia seguinte, quarta-feira, o secretário estava prestigiado na Casa d’Agronômica. Assessores consideravam que Amandio, bom de conversa e trato, sairia mais forte do depoimento na CPI. Carlos Moisés, na entrevista que concedeu a mim e ao colega Raphael Faraco, elogiou a forma como o secretário estava conduzindo uma pasta política mesmo sem ser político. Uma convicção que durou dois dias.

    O que fez a moral de Amandio cair em tão pouco tempo pode estar nas entrelinhas da nota oficial sobre sua demissão, assinada por Moisés: “o ex-secretário pode melhor prestar seus esclarecimentos pessoais perante as autoridades constituídas em relação aos fatos relacionados à sua atividade profissional desenvolvida na iniciativa privada”. Esclarecimentos pessoais, atividade profissional, iniciativa privada - redundâncias que explicitam algum problema que o governo não quer trazer para seu colo.

    A nova queda na Casa Civil abre espaço para que Moisés renove o olhar para o perfil que busca na pasta mais política do governo que teme aquilo que chama de “velha política”, mas ainda não conseguiu deixar claro o que é a tal “nova política”. Talvez seja a hora de chamar os profissionais.

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