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    Eleições 2020

    Disputa pela vaga de vice expõe divisão interna da frente de esquerda em Florianópolis

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    Por Upiara Boschi
    02/08/2020 - 15h58 - Atualizada em: 08/08/2020 - 07h21
    Em junho, lideranças da frente de esquerda fizeram ato em frente à prefeitura
    Em junho, lideranças da frente de esquerda fizeram ato em frente à prefeitura (Foto: Sérgio Vignes, Divulgação)

    A frente de partidos de esquerda que se articula desde o ano passado para a disputa pela prefeitura de Florianópolis nas eleições 2020 está passando pelo seu mais difícil e previsível desafio: qual legenda indicará o nome do candidato a vice na chapa que deve ser liderada pelo urbanista Elson Pereira (PSOL). O PT da Capital, que tem o vereador Lino Peres como pré-candidato à majoritária, lançou nota pública ameaçando deixar a frente após PDT e PSB terem fechado apoio ao PCdoB, que indicou Janaína Deitos para a vaga.

    A aliança interna entre as três siglas havia acontecido em encontro virtual da frente realizado dia 28 de julho, com os pedetistas abrindo mão da indicação do vereador Vanderlei Farias, o Lela, para a composição. A reação petista veio no dia seguinte, com a nota em que dizia que “o resultado, apontando a chapa majoritária a ser composta pelo PSOL e PCdoB, excluindo o PT, trouxe inconformismo e incredulidade”.

    Na nota, assinada pela presidente municipal do partido, Eliane Schmidt, os petistas dizem que ainda apostam na frente de esquerda e defende uma chapa PT/PSOL ou PSOL/PT. Destaca, ainda, que “a grande maioria das lideranças e militantes do PT pode compreender e aceitar uma chapa majoritária encabeçada pelo PSOL, mas não pode compreender e aceitar uma chapa majoritária sem o PT”.

    A partir da nota, diversas foram as manifestações de militantes e pré-candidatos petistas contra a ausência do PT da chapa majoritária da frente de esquerda. Neste domingo, outra nota foi assinada por PSOL, PCdoB, PDT, PSB e Rede. Nela, as siglas defendem que o PT permaneça no bloco e que a definição da chapa que disputará a prefeitura de Florianópolis ainda está em andamento. Pontua, entretanto, que as cinco legendas discordam que a presença dos petistas na majoritária seja uma pré-condição: “A posição pública do PT, da qual divergimos, é de que a presença do PT na cabeça de chapa ou na vice, de maneira obrigatória, faz da unidade um valor secundário e desconsidera os diálogos realizados até o momento e as posições tomadas coletivamente. A posição da nota é ou o PT está na majoritária ou irá abandonar a Frente”.

    Nos bastidores, a composição da frente de esquerda para as eleições deste ano indicava como ponto de tensão a discussão sobre a vaga de vice, especialmente por causa da consolidação interna do nome de Elson Pereira - candidato em 2012 e 2016 - como pré-candidato a prefeito. PDT e PSB resistem à presença do PT na majoritária, o que levou ao apoio à pré-candidata do PCdoB, Janaína Deitos. Filiada do antigo PPL (incorporado pelos comunistas em 2019), ela foi candidata a prefeita em 2012 e a governadora em 2014, com votações modestas. Em 2016, ela disputou uma vaga na Câmara de Vereadores na coligação que apoiava o atual prefeito Gean Loureiro (DEM), quando fez 636 votos e ficou com a nona suplência. Naquela mesma disputa, o petista Lino Peres foi eleito com 2,7 mil votos.

    Mais do que nomes e currículos eleitorais, no entanto, o que está em jogo é a unidade do bloco para dar viabilidade à candidatura. Nas últimas duas eleições, PSOL e PT disputaram separamente as eleições de Florianópolis - em ambas, os petistas apoiaram Angela Albino do PCdoB. Nas duas disputas a soma das votações alcançadas por Angela e Elson seriam suficiente para que a esquerda chegasse ao segundo turno, o que não acontece desde 1996. A única vez que a esquerda governou a Capital, com a vitória de Sérgio Grando (PPS) em 1992, foi também a única em que os partidos do campo não se dividiram.

    Nesse momento, o dilema maior é do PSOL. Maior força à esquerda em Florianópolis, o partido elegeu três vereadores em 2016, além de alcançar 20% dos votos com Elson Pereira. No entanto, como elegeu apenas 10 deputados federais em 2018, depende da frente de esquerda para ganhar visibilidade no horário eleitoral gratuito. O PT é o partido com a maior fatia do tempo de televisão, por ter elegido 54 deputados federais. No entanto, unidos, PSB, PDT e PCdoB, têm 71.

    As indicações em ambos os lados dessa disputa pela vice é de que quem for preterido pode seguir em caminho próprio, fragilizando o bloco a ser liderado pelo PSOL. No momento, a tendência é de que os petistas partam para a candidatura própria, que seria liderada por Lino. O PT não tem candidatura própria desde 2008, com Nildão. Desde 2004 que os petistas não conseguem eleger mais do que um vereador em Florianópolis.

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