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Com Vignatti no comando, PSB ruma para a esquerda em SC

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Por Upiara Boschi
13/03/2020 - 17h57 - Atualizada em: 13/03/2020 - 20h30
Com uma trajetória de 27 anos no PT catarinense, Claudio Vignatti assume o PSB com a missão de levar a legenda para a esquerda em SC. Foto: Divulgação
Com uma trajetória de 27 anos no PT catarinense, Claudio Vignatti assume o PSB com a missão de levar a legenda para a esquerda em SC. Foto: Divulgação

Ao escolher o ex-deputado federal Claudio Vignatti como novo presidente da sigla em Santa Catarina, o PSB nacional indica que caminho quer trilhar no Estado a partir de agora. Com uma trajetória de 27 anos no PT, vereador em Chapecó, deputado federal duas vezes, candidato a prefeito e a governador do Estado, Vignatti é um ícone da esquerda catarinense e foi protagonista da política estadual nos anos em que Lula e Dilma Rousseff presidiram o país.

Nos últimos 15 anos, o S de socialista foi um detalhe ignorado ou um incômodo para os nomes catarinenses do PSB. Em 2006, o partido estava nas mãos do empresário Antonio Carlos Sontag, que liderava uma empresa de terceirização de serviços e vigilância e almejava governar o Estado. Com um discurso focado em gestão (antecipando essa tendência que desembocaria em Udos Döhlers e Joãos Dórias), ele foi pouco mais do que figurante naquela eleição marcada pela reeleição de Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

Após a eleição, o PSB catarinense mudou de mãos, mas continuou terceirizado. Djalma Berger, deputado federal eleito e irmão do então prefeito florianopolitano Dário Berger (hoje senador), trocou o PSDB pelo PSB para ficar mais perto das benesses de Planalto petista. Construiu o partido à sua feição e se elegeu prefeito de São José, sem sucesso em vagas na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados.

Foi quando o projeto do então governador pernambucano Eduardo Campos de concorrer à presidência da República encontrou um grupo de liberais órfãos aqui no Estado. A aproximação do PSD de Raimundo Colombo com o governo Dilma deixou antipetista Paulo Bornhausen desconfortável na sigla que ajudou a criar. Campos lhe deu o PSB, disse para não se incomodar com o socialismo da legenda, porque isso seria alterado no futuro em nome de um grande projeto de centro que fosse uma alternativa àquela polarização entre petistas e tucanos que vigorava na época.

Bornhausen tocou o partido. Não se elegeu senador em 2014, mas o PSB conquistou vagas na Alesc. A morte de Campos naquela mesma campanha deixou o partido sem rumo nacional, mas ele cresceu no Estado como uma legenda de centro-direita. Em 2018, os “socialistas” elegem um deputado federal e três estaduais. Está consolidado no Estado como nunca antes, mas completamente desalinhado da direção nacional do partido, que liderado pelo pernambucano Carlos Siqueira volta-se para a esquerda do espectro partidário. Isso resultou na saída de Bornhausen e nas disputas pelos mandatos entre eleitos e a legenda nacional - tema político de destaque ano passado e que deve se encerrar com o julgamento do pedido de desfiliação do deputado federal joinvilense Rodrigo Coelho, previsto para este mês.

Este é o partido que Vignatti encontra, com a missão de fazer o alinhamento com as diretrizes nacionais do partido e de não precisar mais esconder o que significa o S da tradicional legenda.

O ex-petista assume após uma segunda intervenção de Siqueira no PSB-SC. Na primeira, ano passado, retirou os aliados de Bornhausen e indicou o ex-vereador Adir Gentil para o comando interino da sigla no Estado, sob os olhares do empresário Carlos Amashta, ex-prefeito de Palmas. A segunda intervenção, em fevereiro, veio para impedir que o partido apoiasse a reeleição de prefeito Gean Loureiro (DEM) e se voltasse para a participação na frente de partidos de esquerda - que será provavelmente liderada pelo PSOL de Elson Pereira. Antes de acertar com o DEM, Gean esteve muito próximo do PSB - e a decisão de optar pelos demistas não foi bem assimilada pelos socialistas.

Por enquanto, Vignatti toma pé do partido em frangalhos que recebeu. Na segunda-feira, será a primeira reunião com a executiva estadual. Tem menos de um mês para filiar nomes e ajudar na construção das chapas para que o PSB tenha uma participação digna nas eleições municipais. De cara, traz um prefeito, o petista Rosenvaldo da Silva, de Imbituba. Era o maior município governador pelo PT no Estado. Embora ainda tudo seja muito incipiente, Vignatti garante que a partir de agora o PSB catarinense andará alinhado com o PSB nacional. Acabou a era das terceirizações.

- É claro que cada lugar tem suas características e Santa Catarina tem as suas, mas tenho certeza de que vamos conseguir fazer o PSB aqui muito próximo do DNA nacional do partido.

Upiara Boschi

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

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