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Cabo eleitoral ausente

Eleições 2020: O que esperar da ausência de Bolsonaro nas campanhas

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Por Upiara Boschi
28/08/2020 - 16h53 - Atualizada em: 28/08/2020 - 17h11
O presidente Jair Bolsonaro anunciou que não participará de campanhas no primeiro turno das eleições de 2020
O presidente Jair Bolsonaro anunciou que não participará de campanhas no primeiro turno das eleições de 2020 (Foto: Alan Santos, PR/Divulgação)

Tem mais retórica do que efeito prático a decisão anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de não participar de campanhas eleitorais no primeiro turno das eleições municipais de novembro. Mesmo sem a presença física ou virtual do presidente, ele será personagem frequente das discussões e terá o eleitorado disputado a tapas por milhares de candidatos a prefeito e vereador.

Com sua posição, no entanto, Bolsonaro foge de diversas saias justas. O principal deles é o fato de estar sem partido. Em 2018, o então candidato a presidente de se envolveu pouquíssimo nas campanhas de candidatos a governador do PSL, partido que o abrigava na época e que ajudou, com a onda eleitoral que provocou, a colocar no mapa da política. Se dependesse de um vídeo de apoio de Bolsonaro, o catarinense Carlos Moisés (PSL) estaria hoje curtindo a reserva do Corpo de Bombeiros sem maiores preocupações. A participação de Bolsonaro na campanha em que o comandante bombeiro venceu com 71% no segundo turno se limitou a desistir da neutralidade anunciada entre ele e Gelson Merisio no segundo turno daquela campanha.

Era tudo que o candidato do PSL precisava, porque ele já tinha um símbolo inequívoco ao eleitorado de que era o “governador do Bolsonaro”, mesmo que este sequer lembrasse seu nome: ele tinha o número 17, do PSL. Essa é o grande problema das candidaturas bolsonaristas este ano. Com o presidente fora do PSL e a criação do Aliança empacada, seus representantes - de fato ou pretensos - estarão espalhados por diversas siglas, diversos números. A disputa sobre quem é o verdadeiro “candidato do Bolsonaro” deve ser frequente em diversos municípios e tende a pulverizar os votos do eleitorado mais fiel ao presidente - para sorte dos partidos e políticos tradicionais que temem nas eleições municipais uma onda semelhante a 2018.

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Esse problema da falta de um número que resuma o bolsonarismo na urna poderia ser resolvida com o apoio explícito de Bolsonaro - um videozinho que seja. Isso faria do presidente fiador de vitórias e derrotas, permitindo uma medição fiel do tamanho do bolsonarismo em 2020 - o que talvez ainda não seja estrategicamente interessante medir. Além disso, Bolsonaro seria depois responsabilizado por eventuais governos ruins que produzisse.

Então, há muita lógica política na decisão do presidente em fugir do primeiro turno. Observe que a frase de Bolsonaro em sua postagem no Facebook deixa aberta a porta para participação no segundo turno. Aí já estará desenhado o tamanho da onda conservadora nos municípios e as disputas estarão polarizadas, com menos desgaste nas escolhas.

Aqui em Santa Catarina, a decisão de Bolsonaro talvez sele a sorte de candidaturas abrigadas em pequenos partidos e que contam com o bolsonarismo para equilibrar forças com a política tradicional. Os candidatos a Moíses, digamos assim, por serem nomes com pouca ou nenhuma experiência eleitoral. Alguns, no entanto, terão ao seu lado a militância bolsonarista organizada - ligada a deputados e/ou movimentos conservadores. Será também um teste para averiguarmos a força desse grupo.

Nessa situação é possível perceber algumas candidaturas nas principais cidades do Estado. Em Florianópolis, o construtor Hélio Bairros, ex-Sinduscon, pré-candidato do Patriota, vai se consolidando na tentativa de ocupar essa raia, como informou o colega Renato Igor. Em Joinville e Blumenau, no entanto, ainda são muitos os nomes - tanto que aparentemente são os candidatos do Novo, o empresário Adriano Silva e o promotor Odair Tramontin, respectivamente, que parecem ocupar esse espaço na pré-campanha. O caso mais curioso, no entanto, é o da jornalista e advogada Júlia Zanatta (PL), em Criciúma. Bolsonarista de carteirinha, ela tem tudo para suprir a ausência de Jair Bolsonaro em sua campanha por um número bem simbólico: 03, o codinome do deputado federal e terceiro filho Eduardo Bolsonaro, que já foi duas vezes ao Sul do Estado a convite da pré-candidata.

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

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