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    Cabeça de Político

    Gelson Merisio: "Não vejo clima hoje para impeachment de Moisés. Daqui 30, 60 dias, o tempo vai dizer"

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    Upiara
    Por Upiara Boschi
    20/05/2020 - 05h30 - Atualizada em: 20/05/2020 - 11h00
    Arte sobre foto de Fábio Queiroz, Agência AL/Divulgação
    Arte sobre foto de Fábio Queiroz, Agência AL/Divulgação

    Ex-deputado estadual, ex-presidente da Assembleia Legislativa e adversário do governador Carlos Moisés (PSL) no segundo turno das eleições de 2018, Gelson Merisio (PSDB) é o entrevista desta semana no Cabeça de Político Podcast. Filiado ao PSDB desde o ano passado, ele avalia a atuação do governador no combate à pandemia do coronavírus em Santa Catarina e também sobre a crise política do governo estadual desde que divulgação da polêmica compra de 200 respiradores por R$ 33 milhões de reais pagos antecipadamente. Merisio defende que é preciso focar na pandemia, critica erros de Moisés nos atos relativos à crise de saúde pública e também na políticas, mas diz que não é momento de falar em impeachment.

    Ouça a íntegra do Cabeça de Político com Gelson Merisio:

    Na conversa com o colunista Upiara Boschi, Merisio disse que embora seja necessário apurar os indícios de irregularidades na questão dos respiradores - investigada por uma CPI na Assembleia Legislativa e alvo da Operação 02, força-tarefa de Polícia Civil, Ministério Público de Santa Catarina e Tribunal de Contas do Estado -, é necessário manter o foco no combate à pandemia do coronavírus.

    - Nos próximos 60 dias, que vão ser o ápice da pandemia, não podemos desfocar. A Assembleia tem que andar com seus processos convencionais, legislativos e também investigativos. O MP-SC também está fazendo sua parte Mas no mundo real, nos próximo 60 dias o governador com absoluta certeza será Moisés. Se é inexperiente, inapentente, não importa. Importa é que se apertar, espana. E aí é pior para todo mundo.

    Merisio elogiou as primeiras medidas de isolamento social, mas diz que o governo "perdeu a mão" por não conseguir ampliar o número de leitos de UTIs no período inicial da quarentena e afrouxar as restrições sem indicadores sólidos que dessem segurança à população.

    - O governo começou muito bem, fui solidário às ações que foram tomadas. Na primeira reação normal de alguns segmentos da sociedade, também fui solidário. Depois, eles erraram muito. O que pressupõe a quarentena? Tempo para que se façam as ações necessárias, aumento de leitos de UTI, aparato ambulatorial. O governo não fez nenhum leito a mais, não conseguiu comprar os respiradores, inventou um hospital de campanha ridículo. Em paralelo, reabriu as atividades comercial sem um critério claro. Isso deixou todo mundo tonto.

    Merisio avalia com cautela os pedidos de impeachment apresentados contra Moisés na Assembleia e diz ser contra o que chamou de "atalhos".

    - O impeachment depende muito da vontade da base da sociedade. A Assembleia é uma caixa de ressonância. Se tiver um clima de indignação das pessoas para o impeachment e a Assembleia quiser segurar, ela é atropelada. Se não existir esse clima e ela quiser empurrar, também não anda. Temos que respeitar o tempo da sociedade e permitir que as coisas aconteçam. Não vejo que hoje tenha clima para impeachment. Agora, daqui 15, 30, 60 dias, depende como vai fermentar isso na base da sociedade. Os fatos são graves. Numa pandemia ter dúvida na lisura da compra de respiradores é algo inaceitável. O governador participou diretamente ou não? Isso é o tempo que vai dizer e não é agora.

    Na entrevista, o novo tucano também avaliou a relação de Moisés com a Assembleia Legislativa e as dificuldades do governo de conseguir formar uma base parlamentar.

    - Qual a ação que o governo tem hoje na base da sociedade? Nenhuma. Qual a importância que o deputado tem hoje, seja de oposição ou governo? Nenhuma. Como vai querer cobrar algo de um parlamentar? Vamos imaginar aqueles que defendiam o governo. Ele não consegue levar uma ação do governo para sua comunidade, ele não tem informação sobre o que o governo está fazendo e ele não consegue conversar com o governador. Para que ele existe? É mais fácil ser oposição e pontuar defeitos e equívocos.

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