Com superlotação em UTIs infantis, SC muda conta e aumenta previsão de novos leitos

Estado diz adotar novas medidas emergenciais e associa superlotação à baixa vacinação de crianças

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MP-SC diz conversar com Estado por novas medidas emergenciais (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

A superlotação de hospitais públicos em Santa Catarina fez o governo mudar a previsão e, agora, buscar chegar a 92 novos leitos infantis. A previsão até então era de mais 82 vagas para crianças e bebês. No entanto, mesmo com 60 delas já abertas, a crise se mantém, ainda com fila de espera por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

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Na manhã desta terça-feira (12), eram três crianças na fila e um bebê em processo de transferência para um hospital no Sul do Estado. Ao menos dois deles tinham problemas respiratórios. Entre os adultos, eram sete pacientes sem previsão de vaga e um outro que já havia recebido liberação, mas que aguardava para ser transferido.

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Há exato um mês, Santa Catarina teve a morte de uma bebê que, segundo a mãe, Samara Ester dos Santos, esperou por uma vaga de UTI no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, por dois dias antes de vir a óbito.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES), que afirmou à época que investigaria o caso, diz que menina chegou ao local em estado demasiadamente grave e que recebeu todo o atendimento possível. Disse ainda se solidarizar com a família da criança.

Ainda hoje, devido à lotação, pacientes não urgentes chegam a esperar até 10 horas apenas por um atendimento na emergência na unidade, inapropriada para internações, mas onde pacientes com quadros graves são alocados agora para aguardar por uma vaga.

O cenário foi relatado por representantes do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) ao Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) na última sexta (8).

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O Diário Catarinense procurou a direção do hospital, mas não obteve retorno. A crise não se resume, no entanto, ao Joana de Gusmão. Entre as sete regiões de saúde do Estado, cinco têm 100% de lotação de leitos de UTI neonatais e pediátricos. São 119 ativos em Santa Catarina, com só cinco deles disponíveis até esta segunda (11).

O MP-SC, que chegou a judicializar a questão em algumas regiões do Estado, exigindo a abertura de novos leitos, diz que as medidas adotadas desde que gestão Carlos Moisés (Republicanos) decretou emergência em saúde, em 3 de junho, não são o bastante.

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— Um primeiro planejamento já foi apresentado ao Ministério Público, com a implementação de alguns leitos, de estratégias de vacinação e de reforço na atenção primária, para evitar que os pacientes agravassem. Mas essas medidas têm se mostrado insuficientes. A realidade tem mostrado que elas não conseguiram alcançar os resultados esperados — disse o promotor de Justiça Douglas Martins à NSC TV.

— O Estado precisa, junto com os municípios, colocar em prática alguns planejamentos que já foram apresentados e pensar em outras ações que possam reduzir essa pressão sobre o sistema de saúde, para dar o atendimento adequado para as crianças — afirmou.

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A gestão Moisés diz que já tem mobilizado um plano emergencial em complemento ao que vinha adotando e que estuda novas medidas para tentar conter a crise.

“De imediato, foram autorizadas transferências de equipes, empréstimos de equipamentos, insumos e medicamentos, além de outras ações com o objetivo de aumentar a capacidade de atendimento dos pacientes, como a contratação de mais profissionais em caráter de urgência”, escreveu, à reportagem.

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“[Entre o que foi discutido] Está a ampliação de mais leitos, de equipes, de rede de apoio, de aporte financeiro às unidades, além da estratégia de transferência inter hospitalar de pacientes menos graves para desafogar as unidades e envio de equipamentos, medicamentos e insumos hospitalares”, completou.

Quanto aos novos leitos já previstos, mas que ainda não foram abertos, o governo estadual afirma que o processo é limitado pela dificuldade em contratar novos profissionais de saúde, o que já havia afirmado em ocasiões anteriores, e pela necessidade até de construir novos espaços em alguns hospitais.

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A gestão Moisés tem reforçado que a superlotação dos hospitais é motivada por um surto de doenças respiratórias e que isso está associado às baixas taxas de vacinação. 

Apenas 50,6% dos menores de 12 anos no Estado foram vacinados contra a gripe neste ano. No caso da imunização contra a Covid-19, só 48,35% das crianças de 5 a 11 anos receberam a primeira dose — menores do que isso não têm vacinação liberada pelo governo federal, o que já ocorre nos Estados Unidos, por exemplo.

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A gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda tem o governo federal como um de seus responsáveis, em especial no que se refere às UTIs, de maior custo para operação e que costumam estar concentradas em hospitais de referência.

Em visita a Santa Catarina no mês passado, no entanto, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se esquivou quando questionado se repassaria recursos para habilitar novos leitos e disse que o Estado já tinha uma boa capacidade de resposta.

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Por conta disso, as vagas de UTI abertas hoje em Santa Catarina só têm previsão de funcionar em caráter emergencial, por serem financiadas pelo governo estadual.

A reportagem questionou o governo federal se Queiroga tem uma nova avaliação sobre a situação no Estado, mas não obteve retorno até esta publicação.

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Novo leitos infantis em SC

  • ​Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, com 3 leito de UTI neonatal e 8 leitos de cuidados intermediários pediátricos (já abertos)
  • Hospital Hélio dos Anjos Ortiz, em Curitibanos, com 5 leitos de UTIs neonatal (já abertos)
  • Hospital Pequeno Anjo, em Itajaí, com 6 leitos de UTI pediátrica (já abertos)
  • Hospital e Maternidade Jaraguá do Sul, com 6 de UTI pediátrica (já abertos)
  • Hospital Seara do Bem, em Lages, com 5 de UTI pediátrica (já abertos)
  • Hospital Azambuja, em Brusque, com 10 de UTI neonatal (já abertos) e 2 de UTI pediátrica (ainda previstos)
  • Hospital Regional de Araranguá, com 5 de UTI neonatal (ainda previstos)
  • Hospital e Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, 3 leitos intermediários cangurú (ainda previstos)
  • Hospital Infantil Jesser Amarante Faria, em Joinville, com 10 de UTI pediátrica (já abertos)
  • Hospital Regional Alto Vale, em Rio do Sul, com 4 de UTI neonatal (2 já abertos e outros 2 ainda previstos)
  • Hospital Materno Infantil Santa Catarina, em Criciúma, com 7 de UTI neonatal (ainda previstos)
  • Hospital Regional de São José, com 10 de UTI neonatal (ainda previstos)
  • Hospital Oase, Rio do Sul, com 10 de UTI neonatal (ainda previstos)

​Novos leitos adultos em SC

  • ​​Hospital Florianópolis, 10 novos leitos de UTI adulto e 17 de enfermaria (já abertos)
  • Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, com 4 UTI adulto (ainda previstos)
  • Hospital Regional de São José, com 1 de UTI adulto (ainda previstos)

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